segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

All the Light We Cannot See - Anthony Doerr

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 



773 (21-02-2016) – All the Light We Cannot See – Anthony Doerr

            A estória começa em agosto de 1944 quando os aviões aliados sobrevoam a cidade de Saint-Malo, na Bretanha francesa lançando panfletos conclamando a população a sair da cidade e ir para o campo e outros espaços abertos.  A cidade seria bombardeada para expulsar os últimos alemães que resistiam na cidade cercada por muralhas medievais.  Nessa cidade vivia Marie-Laure LeBlanc, uma jovem cega, muito simpática e inteligente,  de 16 anos, cujo pai fora preso pelos nazistas devido a uma denúncia falsa de um colaboracionista francês. O pai de Marie-Laure fazia medições para construir uma maquete da cidade para a filha se familiarizar com as ruas e poder se mover com mais facilidade, quando foi preso.  Nunca mais retornou, morreu num dos campos de concentração nazista.  Vivia ainda nesse prédio de seis andares o tio-avô Etienne, dono da casa, que possuía um poderoso rádio transmissor que enviava mensagens provenientes da resistência francesa aos aliados.  Talvez seja essa uma das razões porque o edifício, foi um entre poucos, que escapou com pequenos estragos do bombardeio.  O pai de Marie-Laure esculpia as casas de cada rua e ocultou na casa da rue 4 Vauborel o diamante “Sea of Flames” que trazia do Museu Nacional de História Natural, por disposição do diretor, para protegê-lo dos caçadores nazistas de pedras preciosas.  Esse diamante era temido por trazer desgraças a quem estivesse em sua posse. 
            O autor retorna a 1934, a um orfanato, num lugar chamado Zollverein, um complexo de mineração próximo à cidade de Essen, Alemanha, onde vivia Werner Pfenning e sua irmã Jutta.  Werner, aos oito anos, consegue consertar um rádio inutilizado e, estudando em livros de física, consegue entender seu funcionamento.  Passa nos exames para o Instituto Nacional de Política Educacional, em Schulpforta.  Sente a perda de amigos por perseguição dos professores, mas se vê distinguido por trabalhar no laboratório em que se procurava identificar pelo som a localização de um rádio transmissor.  Conseguem. A segunda guerra mundial avança, Werner tinha 16 anos quando alteraram sua idade para 18 e o enviam para identificar radiotransmissores da resistência nos países invadidos, até que chega a Saint-Malo. Descobre o rádio em que Marie-Laure lia trechos do livro Vinte Mil Léguas Submarinas para se ocupar, na ausência do tio-avô.  Werner decide segui-la e se apaixona pela sua simpatia, singeleza e, porque via a guerra perdida pelos alemães, decide poupá-la e a ajuda a fugir de Saint-Malo antes do combate final nessa cidade. Werner se entrega num posto de triagem americano e morre, mais tarde, quando se recuperava de uma doença não identificada, mas ainda fraco, alucinado corre para um campo minado e se explode aos 18 anos.  Jutta, com 15 anos, ao final da guerra, é convocada com mais três colegas e a diretora do orfanato a viajarem a Berlim para ajudar a produzir peças numa fábrica de armas.  Dividiam um mesmo cubículo semidestruído pelas bombas e a minguada ração que lhes era oferecida para enfrentar as dez horas de trabalho.  Um dia chegaram os russos, subiram os degraus até o cômodo, avançam sobre a comida que encontram e estupram as cinco mulheres.

            O livro retrata a guerra pelo lado das vítimas derrotadas ou vitoriosas e mostra como todos perdem irremediavelmente. Recebeu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2015. É um livro bom de ler.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PULVERIZAÇÃO AÉREA DE INSETICIDA PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI

PULVERIZAÇÃO AÉREA DE INSETICIDA PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI
                                                                                    Erly Cardoso Teixeira[1]
            A incompetência no combate à Dengue é evidente nas estatísticas crescentes da incidência da doença, no número de cidades em que a doença se tornou endêmica e no número de mortos pela doença. O número de casos de dengue, no Brasil, no primeiro trimestre de 2015 cresceu 240,1%, chegando a 460,5 mil casos.  Já o número de mortos pela doença, no mesmo país e período cresceu 29,0%, isto é, morreram 132 pessoas. Os dados são em relação ao primeiro trimestre do ano anterior (Ministério da Saúde).    A incompetência é alarmante pela ausência de medidas eficazes de combate ao Aedes Aegypti transmissor da dengue, da febre amarela urbana, da chicungunha e da febre zika relacionada aos casos de microcefalia.  Durante décadas combate-se a dengue no Brasil com panfletos, colheres de pó em ralos e vasos de planta e, ocasionalmente, em alguma cidade, com o fumacê. Será que não houve tempo suficiente para se perceber que esta estratégia não é suficiente ou não está correta? As práticas tradicionais de combate à dengue são úteis nos estágios iniciais da doença ou quando a praga do mosquito está controlada.  Mas, na maior parte das vezes, apenas servem ao poder público para culpar as vítimas da dengue pela doença que elas contraíram.  Servem também como uma boa desculpa para não se inovar no combate ao mosquito e acabar com a doença.  
            Especialistas da área afirmam, ora, que o Aedes Aegypti tem hábito doméstico, ora, que prefere os espaços abertos.  Portanto, é preciso atacá-lo nos dois espaços.   Os aspersores encontrados nos supermercados, devidamente recomendados pelos agentes da saúde, são importantes para eliminar os mosquitos dentro das casas.
Mas o que fazer com os mosquitos que vivem nos espaços abertos e botam seus ovos em pneus, calhas, garrafas, lixões, depósitos de ferro velho, piscinas abandonadas, e poças de água?  Para esses, os agricultores já nos ensinaram há muito que a pulverização aérea resolve o problema.  Aí está a sugestão que este artigo disponibiliza como alternativa para exterminar com o Aedes Aegypti e até mesmo com o mosquito Anopheles causador da malária.  Esses mosquitos, nos espaços abertos, estarão expostos ao inseticida lançado pelos aviões e serão eliminados.  E quanto às larvas que estão dentro da água?  Elas têm um ciclo de vida, considerando as fases de ovo, larva e pupa, de 9 a 13 dias.  Portanto, bastam três aplicações aéreas, uma por semana, na primeira fase de combate nas cidades ou bairros em que a doença se encontra em fase epidêmica para controlar ou exterminar o mosquito da dengue.  É bom saber que o ciclo de vida do mosquito do ovo até o final de sua vida é de 35 a 50 dias. É evidente que a periodicidade das aplicações, altitude do lançamento do inseticida, velocidade da aeronave, tipo e dosagem do inseticida serão informações, recomendadas e exigidas pelos técnicos do Ministério da Saúde.  
Após essa primeira fase de pulverizações aéreas nas cidades em situação epidêmica, deve-se estender esse programa às outras cidades com índices elevados dessas doenças até sua completa extinção.   Não se está pretendendo nada de extraordinário.   Está-se apenas sugerindo a aviação para substituir o “exército de mata mosquitos” de Oswaldo Cruz que no início do século XX erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e em grande parte do Brasil.
Deve-se ficar claro que nas cidades em que a doença não atingiu patamares alarmantes, os métodos modernos de controle biológico, o saneamento e os métodos tradicionais de combate ao mosquito devem ser incentivados.
Inúmeras desculpas existem para não se usar a aviação para acabar com a dengue, a febre amarela urbana, a chicungunha, a febre zika e a malária.  Uma delas é a da resistência adquirida pelos mosquitos.  Mas, sabe-se que mosquito morto não apresenta resistência.  Outra desculpa é a do custo da aplicação, mas se um fazendeiro consegue fazer aplicações periódicas para acabar com uma praga ou doença, uma prefeitura também pode fazê-lo.  Todas essas desculpas e outras não mencionadas, ante uma situação de epidemia em que pessoas estão morrendo em número alarmante e crescente e outras tantas sendo acometidas pela microcefalia são apenas demonstrações de incompetência administrativa e descaso com a saúde da população. 




[1] Professor Titular voluntário da Universidade Federal de Viçosa (UFV)