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(21-02-2016) – All the Light We Cannot See – Anthony Doerr
A
estória começa em agosto de 1944 quando os aviões aliados sobrevoam a cidade de
Saint-Malo, na Bretanha francesa lançando panfletos conclamando a população a
sair da cidade e ir para o campo e outros espaços abertos. A cidade seria bombardeada para expulsar os
últimos alemães que resistiam na cidade cercada por muralhas medievais. Nessa cidade vivia Marie-Laure LeBlanc, uma
jovem cega, muito simpática e inteligente, de 16 anos, cujo pai fora preso pelos nazistas
devido a uma denúncia falsa de um colaboracionista francês. O pai de
Marie-Laure fazia medições para construir uma maquete da cidade para a filha se
familiarizar com as ruas e poder se mover com mais facilidade, quando foi preso.
Nunca mais retornou, morreu num dos
campos de concentração nazista. Vivia
ainda nesse prédio de seis andares o tio-avô Etienne, dono da casa, que possuía
um poderoso rádio transmissor que enviava mensagens provenientes da resistência
francesa aos aliados. Talvez seja essa
uma das razões porque o edifício, foi um entre poucos, que escapou com pequenos
estragos do bombardeio. O pai de
Marie-Laure esculpia as casas de cada rua e ocultou na casa da rue 4 Vauborel o
diamante “Sea of Flames” que trazia do Museu Nacional de História Natural, por
disposição do diretor, para protegê-lo dos caçadores nazistas de pedras
preciosas. Esse diamante era temido por
trazer desgraças a quem estivesse em sua posse.
O autor retorna a 1934, a um
orfanato, num lugar chamado Zollverein, um complexo de mineração próximo à
cidade de Essen, Alemanha, onde vivia Werner Pfenning e sua irmã Jutta. Werner, aos oito anos, consegue consertar um
rádio inutilizado e, estudando em livros de física, consegue entender seu
funcionamento. Passa nos exames para o
Instituto Nacional de Política Educacional, em Schulpforta. Sente a perda de amigos por perseguição dos
professores, mas se vê distinguido por trabalhar no laboratório em que se
procurava identificar pelo som a localização de um rádio transmissor. Conseguem. A segunda guerra mundial avança,
Werner tinha 16 anos quando alteraram sua idade para 18 e o enviam para
identificar radiotransmissores da resistência nos países invadidos, até que
chega a Saint-Malo. Descobre o rádio em que Marie-Laure lia trechos do livro
Vinte Mil Léguas Submarinas para se ocupar, na ausência do tio-avô. Werner decide segui-la e se apaixona pela sua
simpatia, singeleza e, porque via a guerra perdida pelos alemães, decide
poupá-la e a ajuda a fugir de Saint-Malo antes do combate final nessa cidade.
Werner se entrega num posto de triagem americano e morre, mais tarde, quando se
recuperava de uma doença não identificada, mas ainda fraco, alucinado corre para
um campo minado e se explode aos 18 anos.
Jutta, com 15 anos, ao final da guerra, é convocada com mais três
colegas e a diretora do orfanato a viajarem a Berlim para ajudar a produzir
peças numa fábrica de armas. Dividiam um
mesmo cubículo semidestruído pelas bombas e a minguada ração que lhes era
oferecida para enfrentar as dez horas de trabalho. Um dia chegaram os russos, subiram os degraus
até o cômodo, avançam sobre a comida que encontram e estupram as cinco
mulheres.
O livro retrata a guerra pelo lado
das vítimas derrotadas ou vitoriosas e mostra como todos perdem irremediavelmente.
Recebeu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2015. É um livro bom de ler.