terça-feira, 19 de julho de 2016

Equador – Miguel Sousa Tavares


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



Equador
574 (2005) Equador – Miguel Sousa Tavares
               Esse é um dos cinco melhores livros que já li.  É muito bom de ler, traz informações históricas muito relevantes sobre o período final do reinado em Portugal, mostra o envolvimento diplomático para coibir a escravidão em São Tomé e Príncipe, o sistema administrativo das colônias portuguesas e a capacidade administrativa dos portugueses.  Após a leitura desse livro, não sobrará nenhum dos estereótipos criados pelos brasileiros sobre os portugueses.  Infelizmente fiz poucas anotações, mas recomendo enfaticamente a leitura desse livro.

            Luiz Bernardo viaja a Vila Viçosa para encontrar-se com o rei D. Carlos, de Portugal, que o convida para ser o governador das ilhas de São Tomé e Príncipe.  A sua tarefa seria antecipar-se à chegada do cônsul inglês, que iria verificar se o tratamento aos trabalhadores nas fazendas de cacau cumpria com os acordos internacionais. Portanto, ele deveria conseguir que os administradores das fazendas corrigissem o tratamento aos trabalhadores nas roças de cacau para que não parecesse e não fosse escravagista.  Mas não recebe apoio do governo português, seu trabalho é boicotado por funcionários do governo fora de sua influência, e é enganado pela sua amante, a mulher do cônsul inglês, com o trabalhador salvo por ele dos maus-tratos sofridos na ilha do Príncipe.  Sente-se fracassado, humilhado, e perdido num processo administrativo irresponsável; e se mata.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Espião que Saiu do Frio – John Le Carré


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

782 (13-07-2016) – O Espião que Saiu do Frio – John Le Carré
            Li esse livro, escrito em 1963, pretendendo conhecer mais sobre a “guerra fria”.  Acrescentou muito pouco ao que aprendi lendo “A Ponte dos Espiões”.  Até mesmo sobre os serviços de espionagem inglês, o Circo da Piccadilly e da Alemanha Oriental, a Abteilung, que são apresentados detalhadamente no livro, fica-se em dúvida sobre o que é realidade e o que é ficção.  Fica-me a impressão de que tudo é ficção e muito longe da realidade. Sobra, portanto, a estória do livro muito bem tramada.  No inicio tem-se Leamas, o chefe dos espiões ingleses na Alemanha, num posto de controle, na Berlim ocidental, aguardando a saída de um alemão que espionava para os ingleses. O espião chega ao posto de bicicleta, à noite, passa pela alfândega alemã e outros controles e pedala para atravessar a fronteira.  Ouvem-se ordens gritadas, ele pedala freneticamente,  os refletores o apanham, os fuzis disparam e ele cai morto já na Berlim livre. Esse e vários outros alemães ou ingleses espionando para a Inglaterra foram presos e mortos recentemente pelo chefe da Abteilung, Mundt.  Era preciso eliminá-lo.  Leamas é preparado para se tornar o homem que iria eliminar Mundt.  Ele é atraído por Fiedler, subchefe da Abteilung e, portanto, subordinado de Mundt, e convencido, a troco de muito dinheiro a delatar o Circo de Londres. O que faz com grande sucesso para o subchefe da Abteilung.  Mas toda essa estória fora planejada para que Leamas oferecesse a Mundt, o mais importante colaborador inglês na Alemanha Oriental, o seu subchefe que havia descoberto que Mundt espionava para os ingleses. Ao final Fiedler é preso e morto por Mundt; e Leamas e sua amante Liz seriam libertados.  Mas Liz, uma judia, é morta escalando o muro de Berlim quando era puxada por Leamas. Leamas volta para salvá-la e também é assassinado.

            É um livro de boa leitura, mas não o recomendo.  A tradução não é boa, falta-lhe conteúdo histórico e contato com a realidade.  

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ribamar - José Castello


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


781 (02-07-2016) – Ribamar – José Castello
            É uma obra de ficção tratando da relação entre pai e filho, no caso, do autor José com seu pai Ribamar. Fios literários ligam o primeiro relacionamento à relação de Franz Kafka com seu pai Hermann.  Há várias referências às obras de Kafka, mas especificamente à “Carta ao Pai”.  O livro tem uma literatura muito boa, que me parece difícil de fazer, porque se constitui de um conjunto de reflexões abstratas.  Eu o classifico entre alguns livros da literatura europeia das décadas de 1960 a 1980 em que autores como Sartre em “A Idade da Razão” e Hermann Hesse em “O Lobo da Estepe”, por ausência do que narrar, criam além do alcoolismo, problemas psicológicos em seus personagens.  A partir daí oferecem ao leitor uma sequência de reflexões abstratas, que repito, parecem-me difíceis de construir, mas que eu não gosto de ler.  Essas reflexões baseiam-se na realidade, mas não melhoram o seu entendimento nem são profundas.  São reflexões repetitivas sobre muito pouca coisa.
            A estória do livro “Ribamar” inicia-se com a presença do filho no hospital em que o pai moribundo resiste a tomar banho.  O pai falece poucos dias depois. A partir daí, o filho, que sempre se sentiu oprimido pelo pai, reflete sobre as causas desse sentimento. Ele tenta descobrir se foi a opressão do pai que o fez inseguro e gago, ou se foi a sua insegurança e seu mutismo que tornaram seu pai um opressor.  Viaja à Parnaíba, onde o pai trabalhou e ele viveu, à procura de informações para escrever o livro sobre o pai ou sobre sua relação com ele. O livro termina com a volta do autor, ou do filho José, à cidade de onde partiu.  Antes de iniciar a viagem de volta escreve uma carta ao pai, Ribamar, e a entrega à atendente do correio sem endereço.
            Esse livro ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance do ano em 2011.