Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
855 (06-05-2022) – Boa Ventura! A corrida do
ouro no Brasil, 1697-1810 – Lucas Figueiredo
Enquanto os espanhóis raspavam o ouro
dos monumentos astecas e incas e achavam a montanha de prata de Potosi em 1545,
os portugueses e brasileiros entravam Brasil adentro escravizando índios e
buscando ouro. As expedições partindo de Pernambuco, da Bahia, do Espírito
Santo, do Rio de Janeiro e principalmente de São Paulo alargaram as fronteiras
do Brasil e encontraram montanhas de ouro nos córregos e terrenos de aluvião,
inicialmente na capitania de Minas Gerais na década de 1690, depois em Mato
Grosso, Rondônia e Goiás.
Lucas Figueiredo faz um trabalho
minucioso, detalhado e extensamente documentado da corrida do ouro, segurando o
leitor atento e curioso às narrativas empolgantes da descoberta da prata em
Potosi; de pouco ouro em São Paulo, em 1562; de muito ouro em Minas Gerais, em
1693; da Guerra dos Emboabas (1706-1709) em que os mineradores de Minas Gerais
expulsaram os paulistas; da criação da capitania de Minas Gerais, em 1720; das
monções, grandes expedições levando, às vezes, mais de mil pessoas em viagens
de três a sete meses em direção às minas da região de Cuiabá; os enfrentamentos
com os índios Guaicurus e Paiaguás; as guerras travadas entre os reinos
africanos de Daomé, Iguira, Wassa, Akien e Adansi, em que os prisioneiros
derrotados eram vendidos como escravos na fortaleza de São João Batista aos
traficantes portugueses e brasileiros; o transporte dos escravos nos “tumbeiros”,
ou navios negreiros, carregados no porto de Ouidá.
Lucas Figueiredo revela os horrores do
Terremoto de Lisboa, 9 graus na escala Richter, um dos mais mortíferos da
história. Era o dia de Todos os Santos, 1o. de novembro de 1755, as
igrejas estavam cheias às 9:40 horas da manhã quando o abalo aconteceu. Os que
sobreviveram ao solavanco correram para o porto e áreas descobertas, viram as
águas do Rio Tejo secarem e depois o tsunami, ondas de vinte metros de altura avançar
rio adentro, inundar 250 metros de Lisboa arrastando barcos, casas, destroços,
carruagens, vivos e mortos. Na vazante carregaram tudo de volta. Nos sete
minutos que durou o fenômeno 15.000 pessoas morreram. Os incêndios provocados,
em grande parte pelas velas acesas nas igrejas e casas, lançavam labaredas
avistadas a quilômetros pelo rei d. José que estava com a família em Belém.
Lisboa ardeu durante seis dias. Completando a desgraça não faltaram os
saqueadores, assaltantes, estupradores e assassinos. “Quem escapou à ira da
natureza e à sanha dos homens teve de lutar depois contra a fome e a peste. E
contra o medo”.
A derrama era a cobrança da parte do
quinto, que a partir de 1750 fora estabelecido em 100 arrobas (1474 quilos) de
ouro, que não fora paga pela capitania em razão da queda na produção. O visconde de Barbacena, Luís Antônio Furtado
de Mendonça, assumiu o governo de Minas Gerais em julho de 1788 com “ordens de cobrar
os quintos atrasados que somavam a exorbitância de 8,8 toneladas. Vinha aí mais
uma derrama, possivelmente a pior de todas”. A reação a essa derrama até
culminar na Inconfidência Mineira, em 1789, no desterro para a África dos
conjurados que sobreviveram aos assassinatos e à três anos de prisão, e ao
enforcamento de Tiradentes, em 1792, é brilhantemente descrita. “O martírio de Tiradentes
certamente ensinou algo aos mineiros, mas também à Coroa. Temendo novas revoltas, a derrama foi
cancelada”.
As relações de Portugal, comprador
inconsequente, com a Inglaterra, vendedora agressiva, transferiram para esse
país, apenas em 1738, 60% do ouro produzido no Brasil, 8 toneladas. Por outro
lado, garantiu segurança à fuga da família real, chefiada por d. João VI, para
o Brasil em 1808.
O livro é muito bem escrito e
repleto de curiosidades que conquistam o leitor desde as primeiras páginas. 855 (06-05-2022) – Boa Ventura! A corrida do
ouro no Brasil, 1697-1810 – Lucas Figueiredo
Enquanto os espanhóis raspavam o ouro
dos monumentos astecas e incas e achavam a montanha de prata de Potosi em 1545,
os portugueses e brasileiros entravam Brasil adentro escravizando índios e
buscando ouro. As expedições partindo de Pernambuco, da Bahia, do Espírito
Santo, do Rio de Janeiro e principalmente de São Paulo alargaram as fronteiras
do Brasil e encontraram montanhas de ouro nos córregos e terrenos de aluvião,
inicialmente na capitania de Minas Gerais na década de 1690, depois em Mato
Grosso, Rondônia e Goiás.
Lucas Figueiredo faz um trabalho
minucioso, detalhado e extensamente documentado da corrida do ouro, segurando o
leitor atento e curioso às narrativas empolgantes da descoberta da prata em
Potosi; de pouco ouro em São Paulo, em 1562; de muito ouro em Minas Gerais, em
1693; da Guerra dos Emboabas (1706-1709) em que os mineradores de Minas Gerais
expulsaram os paulistas; da criação da capitania de Minas Gerais, em 1720; das
monções, grandes expedições levando, às vezes, mais de mil pessoas em viagens
de três a sete meses em direção às minas da região de Cuiabá; os enfrentamentos
com os índios Guaicurus e Paiaguás; as guerras travadas entre os reinos
africanos de Daomé, Iguira, Wassa, Akien e Adansi, em que os prisioneiros
derrotados eram vendidos como escravos na fortaleza de São João Batista aos
traficantes portugueses e brasileiros; o transporte dos escravos nos “tumbeiros”,
ou navios negreiros, carregados no porto de Ouidá.
Lucas Figueiredo revela os horrores do
Terremoto de Lisboa, 9 graus na escala Richter, um dos mais mortíferos da
história. Era o dia de Todos os Santos, 1o. de novembro de 1755, as
igrejas estavam cheias às 9:40 horas da manhã quando o abalo aconteceu. Os que
sobreviveram ao solavanco correram para o porto e áreas descobertas, viram as
águas do Rio Tejo secarem e depois o tsunami, ondas de vinte metros de altura avançar
rio adentro, inundar 250 metros de Lisboa arrastando barcos, casas, destroços,
carruagens, vivos e mortos. Na vazante carregaram tudo de volta. Nos sete
minutos que durou o fenômeno 15.000 pessoas morreram. Os incêndios provocados,
em grande parte pelas velas acesas nas igrejas e casas, lançavam labaredas
avistadas a quilômetros pelo rei d. José que estava com a família em Belém.
Lisboa ardeu durante seis dias. Completando a desgraça não faltaram os
saqueadores, assaltantes, estupradores e assassinos. “Quem escapou à ira da
natureza e à sanha dos homens teve de lutar depois contra a fome e a peste. E
contra o medo”.
A derrama era a cobrança da parte do
quinto, que a partir de 1750 fora estabelecido em 100 arrobas (1474 quilos) de
ouro, que não fora paga pela capitania em razão da queda na produção. O visconde de Barbacena, Luís Antônio Furtado
de Mendonça, assumiu o governo de Minas Gerais em julho de 1788 com “ordens de cobrar
os quintos atrasados que somavam a exorbitância de 8,8 toneladas. Vinha aí mais
uma derrama, possivelmente a pior de todas”. A reação a essa derrama até
culminar na Inconfidência Mineira, em 1789, no desterro para a África dos
conjurados que sobreviveram aos assassinatos e à três anos de prisão, e ao
enforcamento de Tiradentes, em 1792, é brilhantemente descrita. “O martírio de Tiradentes
certamente ensinou algo aos mineiros, mas também à Coroa. Temendo novas revoltas, a derrama foi
cancelada”.
As relações de Portugal, comprador
inconsequente, com a Inglaterra, vendedora agressiva, transferiram para esse
país, apenas em 1738, 60% do ouro produzido no Brasil, 8 toneladas. Por outro
lado, garantiu segurança à fuga da família real, chefiada por d. João VI, para
o Brasil em 1808.
O livro é muito bem escrito e
repleto de curiosidades que conquistam o leitor desde as primeiras páginas.