segunda-feira, 24 de abril de 2017

MELHORANDO O NOVO ENSINO MÉDIO

Melhorando o Novo Ensino Médio
Erly Cardoso Teixeira[1]

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) divulgou em setembro de 2016 os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015. Os 15,5 milhões de alunos do Ensino Fundamental anos iniciais (1o ao 5o ano) ultrapassaram a meta prevista de 5,2 e atingiram 5,7 pontos.
Foi o único resultado bom, pois os 12,4 milhões de alunos do Ensino Fundamental anos finais (6o ao 9o ano) obtiveram 4,5 pontos no Ideb, quando a meta eram 4,7 pontos.  O Ensino Médio, etapa da educação básica, com 8,0 milhões de alunos em escolas públicas e privadas, 97,1 % vinculados à rede pública estadual, deveria atingir a meta de 4,3 pontos no Ideb, tendo alcançado apenas 3,7. Esse é o mesmo resultado de 2011 e apenas um pouco melhor do que o de 2005, de 3,4.
Outra divulgação com resultado devastador é o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2015. Os estudantes do Ensino Médio estão aprendendo, hoje, menos português e matemática do que há vinte anos.
Completando esse péssimo quadro para a educação básica (ensino fundamental e ensino médio) no Brasil, foram divulgados no dia 06 de dezembro de 2016 os resultados do Programme for International Student Assessment (Pisa). O Pisa de 2015 testou cerca de 540 mil estudantes de 15 anos de idade em 72 países. Estudantes com 15 anos de idade, no Brasil, cursam o Ensino Fundamental anos finais (6o ao 9o ano). Entre as 72 nações, o relatório mostrou o Brasil na 63ª posição em ciências, na 59ª em leitura e na 66ª colocação em matemática.
              O Ministro da Educação afirmou no lançamento dos indicadores do Ideb: “Esses resultados demonstram a falência do Ensino Médio brasileiro e a necessidade de mudanças imediatas”.
Ante os resultados frustrantes emitidos pelo Ideb e pelo Saeb e antecipando-se aos resultados do Pisa, o Ministério da Educação reage lançando, no dia 22 de setembro de 2016, um plano para o Ensino Médio, o Novo Ensino Médio.  O problema desse plano é ter sido elaborado antes de serem identificadas as causas do péssimo desempenho dos estudantes brasileiros nas avaliações do Ideb, Saeb e Pisa. Esses resultados mostram que nossos estudantes aprendem pouco e retêm quase nada do que aprendem, mas não dizem por que isso acontece. Assim, é preciso descobrir as causas desse insucesso e atacá-las.
As publicações da literatura sobre a “Pirâmide de Retenção do Aprendizado” ajudam muito a identificar esses fatores. Os artigos publicados, tratando do tema aprendizado nas escolas, informam que alunos submetidos a aulas apenas expositivas aprendem, quando muito, 10% do conteúdo oferecido, e o que aprendem, eles retêm por muito pouco tempo. Já os estudantes que tiveram aulas práticas ou a oportunidade de ver o conceito acontecendo acumulam 30% de conhecimento e retêm esse conhecimento por muito mais tempo. Mas, se ao aluno for oferecida a oportunidade de discutir e trabalhar com o conceito, isto é, de realizar experimentos, ele aprende, em média, 75% do conteúdo, e o recorda pelo resto da vida. E o melhor, pode aplicá-lo em exames de acesso ao ensino superior, em atividades profissionais e em inovações.
No Brasil, mais de 90% das aulas ministradas no Ensino Básico são unicamente expositivas.  Isto é, o aluno apenas ouve o professor explicando os conceitos na lousa ou via apresentações projetadas.  Portando, aprende, no máximo, 10% do que lhe é ensinado.
Nos últimos dez anos, na minha classe de 40 alunos de graduação, nos minutos finais de uma das aulas do semestre, fiz sempre as mesmas duas perguntas.  A primeira: quem teve, no Ensino Médio, aulas práticas semanais no conjunto das disciplinas - física, química, matemática, biologia e geografia?  A melhor resposta que obtive foi somente de um aluno entre os 40. A segunda pergunta é: quem teve, no Ensino Médio, aulas práticas semanais em, pelo menos, uma das disciplinas - física, química, matemática, biologia e geografia?  Apenas uma vez, em dez anos, cinco alunos levantaram a mão. Nos outros anos, nunca mais de dois alunos diziam ter tido demonstrações práticas em uma ou outra disciplina.  Essa informação confirma que mais de noventa por cento (90%) do conteúdo do Ensino Médio é apresentado aos alunos apenas na forma expositiva, o que explica o mau desempenho nos testes e o alto grau de evasão ou a demora na conclusão dos cursos. Aprender apenas via aulas expositivas é cansativo, dispersivo e frustrante.
            Os elementos acima sugerem que a causa principal do insucesso dos nossos estudantes está na forma de apresentação das disciplinas: expositiva, apenas no quadro negro, verde ou branco. 
O que há de novo no plano para o Ensino Médio?  Ele ataca o principal problema da aprendizagem no Brasil, a apresentação apenas expositiva dos conteúdos?  Os principais destaques do plano para o Novo Ensino Médio são apresentados abaixo. Primeiro, maior investimento (promessa de R$1,5 bilhão) e ênfase em escolas em tempo integral.  Isso é essencial para melhorar a apresentação dos conteúdos e para que se tenham aulas práticas nas escolas.  Segundo, o Ensino Médio oferecerá formação técnica (científico) e profissional simultaneamente. Espera-se que essa oferta seja simultânea, mas não está clara no plano.  Serão no mínimo oito e no máximo trinta escolas por estado. Ora, isso é um plano piloto, parece mais um teste que uma ação para solucionar o problema. Terceiro, flexibilização do currículo. Serão ofertadas quatro áreas de estudo: linguagem, matemática, ciências da natureza e ciências sociais e humanas. Isso é apenas uma alteração no conteúdo e gera mais polêmica do que contribuição para melhorar o Ensino Médio. Quarto, o Novo Ensino Médio estabelece a ampliação gradual da jornada escolar para 2.400 horas, isto é, escolas em tempo integral. 
Portanto, esse plano não enfatiza a mudança na forma de apresentação das disciplinas, de expositivas para expositiva demonstrativa.   Pode contribuir para alguma melhora nos resultados das avaliações, talvez permitindo chegar aos resultados de aprendizagem obtidos há vinte anos. Mas a sociedade brasileira deseja que nossos estudantes recebam ensinamento de qualidade, atinjam grau de excelência e sejam classificados entre os melhores do mundo.
Atingir esse objetivo requer um plano que contemple: escolas em tempo integral; adaptação do currículo escolar; treinamento de professores para ministrar aulas demonstrativas; adaptação e, até mesmo, construção de salas de aula e\ou laboratórios para aulas práticas; oficinas para treinamento dos futuros profissionais; aquisição de equipamentos; contratação de professores com a qualificação adequada; e remuneração de professores condizente com sua qualificação e com o tempo dedicado ao ensino.
Aplicadas as sugestões apontadas acima, melhores estudantes do ensino fundamental chegarão ao ensino médio, e melhores alunos do ensino médio irão cursar o terceiro grau.   Aqueles estudantes do ensino médio que não conseguirem acesso a um curso superior ou que não quiserem continuar estudando terão, contudo, maiores oportunidades no mercado de trabalho.  




[1] Professor Titular Voluntário da Universidade Federal de Viçosa, e-mail teixeira@ufv.br

Panama Fever: Digging Down Gold Mountain – W.B. Garvey

           Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
796 (20-04-2017) – Panama Fever: Digging Down Gold Mountain – W.B. Garvey                                                             A narrativa começa em setembro de 1882 quando um vapor carregado de jamaicanos chegava a Colón para cavar o Canal de Panamá.  Terremotos, deslizamentos, revoltas políticas e doenças tropicais mataram mais de 25.000 trabalhadores que avançaram pouco mais de 20 quilômetros nas escavações de um canal planejado para 77 quilômetros.  A companhia criada pelo francês Ferdinand Marie de Lesseps, o construtor do Canal de Suez, que intentava construir um canal sem comportas, quebrou sob denúncias de corrupção.  A companhia francesa foi comprada pelos Estados Unidos em abril de 1904, concluindo as obras em 1914.                                                                                 Byron e Thomas Judah, ambos jamaicanos, tornam-se grandes amigos.  Byron, entusiasmado, vê-se, aos poucos, alquebrado por doenças e acidentes dos quais escapou por muito pouco.  Agradecido pela ajuda recebida em várias oportunidades pela senhora Morales, dona do bordel mais luxuoso da cidade, torna-se seu amante e desiste de acompanhar o amigo Thomas na aventura menos arriscada de encontrar ouro na Venezuela. Thomas escavou por algum tempo, mas ferido gravemente num terremoto, foi tratado no pavilhão de saúde onde conheceu e se apaixonou por Genevieve, uma noviça vestindo branco e um chapéu de pontas que pareciam asas.  Namoraram por algum tempo até que Genevieve solicitou e foi enviada a prestar serviços num leprosário. Thomas parte em busca de ouro na Venezuela e encontra uma mina.  Retorna a Colón para buscar seu grande amor e seu grande amigo, mas Geni havia morrido e Byron desiste de acompanhá-lo.