Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2017
A Guerra do Paraguai – Luiz Otávio de Lima
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
Amor, Crime e Castigo – Wantuelfer Gonçalves
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
A Queda - Diogo Mainardi
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
O primeiro período do livro é: “Tito tem uma paralisia
cerebral”. Tito é filho do autor. Ele apresentou essa deficiência devido a um
erro médico no parto causado pela obstetra dottoressa F., no Hospital de Veneza
que fora instalado no prédio da Scuola Grande di San Marco em 1808. Esse erro gerou uma ação judicial que
condenou o hospital a pagar uma indenização de três milhões de euros a Tito.
O autor vai
narrando os progressos e quedas do filho e aproveita para denunciar o charlatanismo
na ciência médica exemplificado por Tommaso Rangone, a maior autoridade da
Scuola Grande di San Marco, na época, que publicou em 1550 o manual médico
“Como o Homem Pode Viver Mais de 120 Anos”.
Esse manual continha orientações nutricionais absurdamente estúpidas.
Depois o autor comenta, maravilhado, os arquitetos e a arte dos monumentos venezianos;
descreve os pintores e os escritores desde o renascimento até os dias atuais; e
se revolta contra algumas ideias europeias envoltas em auras de filosofia e
ciência, como as que difundiram as práticas da limpeza étnica que teria
condenado Tito à execução.
É um livro muito interessante e de leitura agradável.
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
The Path Between the Seas – David McCullough
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
801 (18-11-2017) The Path Between the Seas – David
McCullough
A história da construção do Canal do
Panamá, contada no livro, inicia-se com as expedições ao Istmo do Panamá, ou
Istmo de Darién, em 1870, realizadas pelos americanos para determinar a melhor
locação de um canal ligando o Oceano Atlântico ao Pacífico. Essas explorações sugeriam que o canal
deveria ser aberto no Panamá, quarenta milhas ou aproximadamente oitenta
quilômetros entre uma praia e outra. Outros exploradores sugeriram um canal via
Nicarágua, pela proximidade com os Estados Unidos, mas muito mais longo. As expedições francesas, nesse mesmo período,
indicaram e o construtor do Canal de Suez, Ferdinand de Lesseps decidiu pela
construção de um canal em nível, igual ao de Suez, no Panamá. A sua fama de construtor de grandes obras facilitou
o financiamento de sua Companhia do Canal do Panamá, criada em 1880, por grande
parte da população francesa. A Companhia
declarou falência em 1892 levando mais de 800.000 franceses a perderem suas
economias. Os franceses cavaram um terço
do canal, mas estavam condenados ao fracasso devido à decisão de fazê-lo em
nível, o que exigiria um volume de cortes muito profundos em algumas áreas como
em Culebra; porque não souberam combater as doenças causadas pelo Anófeles (Anopheles gambiae),
transmissor da malária, e pelo Aedes Aegypti, transmissor da febre amarela.
Após inúmeras negociações, em 1894, os americanos
compraram o espólio da companhia francesa por US$40.000.000 e iniciaram as
obras. Era presidente dos Estados Unidos Theodore Roosevelt. A influência
americana foi fundamental para garantir a independência do Panamá da Colômbia
via revolução comandada por Manuel Amador em 03 de novembro de 1903. O Dr. William Gorgas, conhecido
infectologista, foi nomeado chefe do departamento de saúde. Ele organizou um
exército para pulverizar todos os possíveis focos de mosquitos causadores da
malária e da febre amarela. Essas
doenças foram extintas na região do canal.
Decidiu-se que o canal não seria em nível, mas com eclusas. Seria construída
uma grande barragem para formar um lago que regulasse as águas do rio Chagres e
suprisse as comportas de água. Muito importante foi estabelecer o engenheiro
militar George Goethals, em 1906, como responsável maior pela construção do
canal. O canal foi inaugurado em 15 de
agosto de 1914, mas as atenções da mídia e do mundo já estavam voltadas para os
conflitos da I Guerra Mundial, e sua inauguração não teve grande repercussão na
imprensa.
As inovações mais
relevantes, realizadas no canal, são apresentadas elegantemente, e são
agradáveis de ler: o uso da energia elétrica em todos os mecanismos, o sistema
de fechamento e abertura das comportas, a espessura das paredes das eclusas, as
locomotivas para mover e estabilizar os navios nas eclusas, o sistema para descarregar
terra e pedras produzidas nos cortes e usadas na construção das barragens, e
principalmente a descoberta dos mosquitos transmissores da malária e da febre
amarela e da forma de combatê-los.
A travessia do Canal do Panamá é feita por três
eclusas, onde a água funciona como um elevador. Vindo do Atlântico, por
exemplo, o navio entra na comporta com a água no mesmo nível do oceano. Os
portões são fechados e as válvulas de enchimento abertas. A água entra através
de poços no piso, elevando o navio 26 metros, até o nível do Lago de Gatun. As
válvulas são fechadas e os portões superiores abertos. O navio sai
da comporta para o lago e segue para as outras comportas, onde acontece o
processo inverso de descida até o nível do Oceano Pacífico.
segunda-feira, 25 de setembro de 2017
Tereza Batista, cansada de guerra – Jorge Amado

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
800 (24-09-2017) – Tereza
Batista, cansada de guerra – Jorge Amado
A história começa no dia da estreia de Tereza Batista
como dançarina no cabaré Paris Alegre. Antes de seu número no palco, ela
dançava com o poeta Saraiva, quando Libório estapeia outra mulher da casa. Tereza separa-se de seu par e avança para o
local da confusão e diz:
- Homem que bate em
mulher não é homem, é frouxo... – Enche a boca de saliva e cospe-lhe na cara.
É agarrada por um dos companheiros do machão, batedor em
mulher, e recebe de Libório um soco que lhe rasga a boca e quebra-lhe um dente.
O livro avança por vários mundos. O das meninas, como
Tereza, órfã vendida aos doze anos pela tia ao capitão Justo para ser estuprada
por ele e servir de sua escrava sexual. Seria mais uma argola de ouro no seu
colar de meninas desvirginadas. Tereza aos dezesseis anos impressionava pela
beleza e pelo corpo. Apaixona-se por um janota que a seduziu. Descobertos pelo capitão Justo e vendo seu
jovem amante apanhar, e para fugir do capitão, mata-o com uma facada. O mundo dos pobres na prisão é descrito. Ela é libertada por um advogado amigo. Sem condições de sobreviver vai servir em
castelo de mulheres de reconhecida categoria. O mundo das meretrizes, putas,
cafetinas, cafetões e proxenetas é apresentado em detalhes. Na praia, em dia de
folga, Tereza encontra Januário Gereba, mestre de saveiro na rota
Bahia-Aracaju, e se apaixonam. Mas Januário confessa-lhe honestamente estar
impedido de ficar com ela por ser casado e ter de cuidar da mulher doente. Desiludida e sem ninguém após a partida do
saveiro de Januário Gereba, Tereza aceita convite de um jovem médico para acompanhá-lo
como amante a sua cidade de trabalho. A
bexiga negra abate sobre o local, o médico foge; cuidam da população um médico
idoso que morre contaminado, ela e cinco putas da zona da cidade a servirem
como enfermeiras. Jorge Amado descreve o
Brasil assolado por doenças, com vacinas e remédios conhecidos, mas cuja
população de pobres ou não é ignorada pelos agentes públicos, incompetentes
para tomar decisão de erradicar ou combater a doença antes que se transforme em
epidemia.
Jorge
Amado cria mundos dentro de mundos, denuncia e protesta; conta uma grande história;
faz pilhéria com políticos, policiais e oficiais públicos corruptos. Tereza
Batista é a heroína representando tantas belas e bravas mulheres que desafiam
as dificuldades, fazem seu próprio destino, vão à luta e vencem. Ela termina com seu grande amor, o mestre de
saveiro Januário Gereba.
quarta-feira, 9 de agosto de 2017
Dunkirk: A Miracle of Deliverance - David Boyle
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
A retirada de Dunkirk, vista pelos
ingleses, amenizava a derrota sofrida pelo seu exército espremido pelos alemães
na costa francesa do Canal da Mancha. A
organização e o processo de retirada ocorreu entre 19 de maio e 4 de junho de
1940 com grande perda de vidas, barcos e aviões. Os tanques Panzers, a aviação Luftwaffe e o
exército alemão pretendiam eliminar os exércitos britânico, francês e belga
refugiados no litoral francês. Sob
fortes bombardeios, 700 embarcações inglesas de todos os tipos e 200 navios e
barcos franceses removeram das garras alemãs, sob os olhos alemães 338.683
soldados que posteriormente foram lutar no norte da África, na Itália e na
Normandia. A aviação inglesa, RAF, perdeu
177 aviões, a marinha perdeu 236 barcos e boa parte do exército britânico não tinha
armamento.
799 (09-08-2017) – Dunkirk - A Miracle of Deliverance –
David Boyle
O crédito maior pelo sucesso da operação, que planejou
retirar no máximo 45.000 soldados e conseguiu repatriar mais de sete vezes esse
número, é conferido ao almirante Bertram Home Ramsay pelo planejamento, pelas
decisões, pela liderança e pelos desafios que enfrentou.
Para os franceses, a Retirada de Dunkirk foi, no pior dos
casos, uma traição dos ingleses, que fugiram da França, deixando os franceses à
própria sorte sob o domínio alemão e, no melhor, uma decepção: a maior parte da
tropa francesa evacuada foi enviada de volta a Cherbourg, na França, quatro ou
cinco dias mais tarde.
É um livro de leitura rápida pela ação desenvolvida e por
ser pequeno, mas é muito bem documentado.
domingo, 30 de julho de 2017
Redenção - Wantuelfer Gonçalves
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
Como sempre esse é mais um livro com a grande
arte poética de Wantuelfer. É também
mais um livro de fotopoemas. É mais um
livro em que ele critica acidamente os três poderes, principalmente o legislativo
e, aí, os políticos do PT e o PT são destacados como motivo de zombaria, de
protestos e até mesmo de revolta quanto à corrupção generalizada que
implantaram no país.
Há dois pontos destoantes no livro. O primeiro é a
dedicatória às forças armadas e o segundo está em sugerir a redenção do país pelos
militares.
segunda-feira, 24 de julho de 2017
White Gold - W. B. Garvey
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
797 (20-07-2017) – White
Gold – W.B. Garvey
Esse livro continua, como o anterior “Panama Fever”,
tratando da construção do Canal do Panamá, mas a ênfase agora está no racismo,
na discriminação que os trabalhadores jamaicanos, negros, sofrem dos
americanos. Os americanos brancos recebem um salário mais alto, em dólar, na
escala ouro enquanto os demais recebem pela mesma atividade um salário mais baixo,
em moeda local, na escala prata. Crimes puramente raciais são praticados. Um
americano criminoso, operador de um guindaste, acerta com o gancho da máquina o
rosto de Boy-Boy desfigurando sua face e o prendendo longo tempo no hospital. Ainda com o maxilar torto retoma seu namoro
com Grace, casa-se com ela e estão felizes com a chegada do primeiro filho para
alguns meses. Mas, numa noite, ao retornar do trabalho exaustivo, Grace
esvai-se em sangue e morre. Boy-Boy
chega de uma quermesse mais tarde e vê sua casa manchada de sangue desde o
corredor até a cama do casal. Vai sair desesperado em busca da mulher quando a
polícia bate a sua porta e comunica-lhe a morte da esposa. Mostra-lhe um revólver que ele reconhece ser
o de seu sublocatário e é informado de que aquela arma fora encontrada dentro
da parede de sua casa e teria assassinado um policial panamenho. O policial quer saber a quem pertence a arma
e qual o seu paradeiro. Boy-Boy não
confessa e é preso. Na prisão desiste de viver, não se alimenta e morre. Roberson formou-se em engenharia, é um
profissional competente e inventor de um sistema mais seguro de frenagem de
locomotivas, mas ao substituírem o competente chefe negro da oficina de
construção e reparo de peças de locomotiva e barcos, ele também é rebaixado
para o setor de controle de estoque com salário mais baixo na classe
prata. Mais tarde ele retorna à Jamaica,
após ser preso por policiais panamenhos bêbados, enquanto comemorava com sua
amante Isabella a conclusão das obras do Canal em 1914. Volta à Jamaica sem
obter o sucesso esperado e encontra sua esposa, que o abandonou no Panamá por
não suportar a discriminação vivenciada, morrendo esquálida e arrependida por
criar o filho longe do pai por tanto tempo.
É um livro às vezes difícil de ler pelo vocabulário
rebuscado ou nada tradicional, mas as histórias são atraentes.
segunda-feira, 24 de abril de 2017
MELHORANDO O NOVO ENSINO MÉDIO
Erly Cardoso Teixeira[1]
O Ministério da
Educação e Cultura (MEC) divulgou em setembro de 2016 os resultados do Índice
de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2015. Os 15,5 milhões de alunos
do Ensino Fundamental anos iniciais (1o ao 5o ano)
ultrapassaram a meta prevista de 5,2 e atingiram 5,7 pontos.
Foi o único resultado
bom, pois os 12,4 milhões de alunos do Ensino Fundamental anos finais (6o
ao 9o ano) obtiveram 4,5 pontos no Ideb, quando a meta eram 4,7
pontos. O Ensino Médio, etapa da
educação básica, com 8,0 milhões de alunos em escolas públicas e privadas, 97,1
% vinculados à rede pública estadual, deveria atingir a meta de 4,3 pontos no Ideb,
tendo alcançado apenas 3,7. Esse é o mesmo resultado de 2011 e apenas um pouco
melhor do que o de 2005, de 3,4.
Outra divulgação com
resultado devastador é o do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de
2015. Os estudantes do Ensino Médio estão aprendendo, hoje, menos português e
matemática do que há vinte anos.
Completando
esse péssimo quadro para a educação básica (ensino fundamental e ensino médio)
no Brasil, foram divulgados no dia 06 de dezembro de 2016 os resultados do Programme for International Student
Assessment (Pisa). O Pisa de 2015 testou cerca de 540 mil estudantes de 15
anos de idade em 72 países. Estudantes com 15 anos de idade, no Brasil, cursam
o Ensino Fundamental anos finais (6o ao 9o ano). Entre as
72 nações, o relatório mostrou o Brasil na 63ª posição em ciências, na 59ª
em leitura e na 66ª colocação em matemática.
O Ministro da
Educação afirmou no lançamento dos indicadores do Ideb: “Esses resultados
demonstram a falência do Ensino Médio brasileiro e a necessidade de mudanças
imediatas”.
Ante os resultados frustrantes emitidos pelo Ideb e pelo Saeb e antecipando-se
aos resultados do Pisa, o Ministério da Educação reage lançando, no dia 22 de
setembro de 2016, um plano para o Ensino Médio, o Novo Ensino Médio. O problema desse plano é ter sido elaborado
antes de serem identificadas as causas do péssimo desempenho dos estudantes brasileiros
nas avaliações do Ideb, Saeb e Pisa. Esses resultados mostram que nossos
estudantes aprendem pouco e retêm quase nada do que aprendem, mas não dizem por
que isso acontece. Assim, é preciso descobrir as causas desse insucesso e
atacá-las.
As publicações da literatura sobre a “Pirâmide de
Retenção do Aprendizado” ajudam muito a identificar esses fatores. Os artigos publicados, tratando do tema aprendizado nas
escolas, informam que alunos submetidos a aulas apenas expositivas aprendem,
quando muito, 10% do conteúdo oferecido, e o que aprendem, eles retêm por muito
pouco tempo. Já os estudantes que tiveram aulas práticas ou a
oportunidade de ver o conceito acontecendo acumulam 30% de conhecimento e retêm
esse conhecimento por muito mais tempo. Mas, se ao aluno for oferecida a
oportunidade de discutir e trabalhar com o conceito, isto é, de realizar
experimentos, ele aprende, em média, 75% do conteúdo, e o recorda pelo resto da
vida. E o melhor, pode aplicá-lo em exames de acesso ao ensino superior, em atividades profissionais e em inovações.
No Brasil, mais de 90% das aulas ministradas no
Ensino Básico são unicamente expositivas. Isto é, o aluno apenas ouve o professor explicando
os conceitos na lousa ou via apresentações projetadas. Portando, aprende, no máximo, 10% do que lhe é
ensinado.
Nos últimos dez anos, na minha classe de 40 alunos
de graduação, nos minutos finais de uma das aulas do semestre, fiz sempre as
mesmas duas perguntas. A primeira: quem teve, no Ensino Médio, aulas práticas
semanais no conjunto das disciplinas - física,
química, matemática, biologia e geografia? A melhor resposta que obtive foi somente de
um aluno entre os 40. A
segunda pergunta é: quem teve, no Ensino Médio, aulas práticas semanais em,
pelo menos, uma das disciplinas - física, química, matemática, biologia e
geografia?
Apenas uma vez, em dez anos, cinco alunos levantaram a mão. Nos outros
anos, nunca mais de dois alunos diziam ter tido demonstrações práticas em uma
ou outra disciplina. Essa informação
confirma que mais de noventa por cento (90%) do conteúdo do Ensino Médio é apresentado
aos alunos apenas na forma expositiva, o que explica o mau desempenho nos testes e o
alto grau de evasão ou a demora na conclusão dos cursos. Aprender apenas via
aulas expositivas é cansativo, dispersivo e frustrante.
Os elementos acima sugerem
que a causa principal do insucesso dos nossos estudantes está na forma de
apresentação das disciplinas: expositiva, apenas no quadro negro, verde ou
branco.
O que há de novo no plano para o Ensino Médio? Ele ataca o principal problema da aprendizagem
no Brasil, a apresentação apenas expositiva dos conteúdos? Os principais destaques do plano para o Novo
Ensino Médio são apresentados abaixo. Primeiro, maior investimento (promessa de
R$1,5 bilhão) e ênfase em escolas em tempo integral. Isso é essencial para melhorar a apresentação
dos conteúdos e para que se tenham aulas práticas nas escolas. Segundo, o Ensino Médio oferecerá formação
técnica (científico) e profissional simultaneamente. Espera-se que essa oferta
seja simultânea, mas não está clara no plano.
Serão no mínimo oito e no máximo trinta escolas por estado. Ora, isso é
um plano piloto, parece mais um teste que uma ação para solucionar o problema.
Terceiro, flexibilização do currículo. Serão ofertadas quatro áreas de estudo:
linguagem, matemática, ciências da natureza e ciências sociais e humanas. Isso
é apenas uma alteração no conteúdo e gera mais polêmica do que contribuição
para melhorar o Ensino Médio. Quarto, o Novo Ensino Médio estabelece a
ampliação gradual da jornada escolar para 2.400 horas, isto é, escolas em tempo
integral.
Portanto, esse plano não enfatiza a mudança na forma de
apresentação das disciplinas, de expositivas para expositiva
demonstrativa. Pode contribuir para
alguma melhora nos resultados das avaliações, talvez permitindo chegar aos
resultados de aprendizagem obtidos há vinte anos. Mas a sociedade brasileira
deseja que nossos estudantes recebam ensinamento de qualidade, atinjam grau de
excelência e sejam classificados entre os melhores do mundo.
Atingir
esse objetivo requer um plano que contemple: escolas em tempo integral;
adaptação do currículo escolar; treinamento de professores para ministrar aulas
demonstrativas; adaptação e, até mesmo, construção de salas de aula e\ou
laboratórios para aulas práticas; oficinas para treinamento dos futuros
profissionais; aquisição de equipamentos; contratação de professores com a
qualificação adequada; e remuneração de professores condizente com sua
qualificação e com o tempo dedicado ao ensino.
Aplicadas
as sugestões apontadas acima, melhores estudantes do ensino fundamental
chegarão ao ensino médio, e melhores alunos do ensino médio irão cursar o terceiro
grau. Aqueles estudantes do ensino
médio que não conseguirem acesso a um curso superior ou que não quiserem continuar
estudando terão, contudo, maiores oportunidades no mercado de trabalho.
Panama Fever: Digging Down Gold Mountain – W.B. Garvey
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
796 (20-04-2017) – Panama Fever: Digging Down Gold Mountain – W.B. Garvey A narrativa começa em setembro de 1882 quando um vapor carregado de jamaicanos chegava a Colón para cavar o Canal de Panamá. Terremotos, deslizamentos, revoltas políticas e doenças tropicais mataram mais de 25.000 trabalhadores que avançaram pouco mais de 20 quilômetros nas escavações de um canal planejado para 77 quilômetros. A companhia criada pelo francês Ferdinand Marie de Lesseps, o construtor do Canal de Suez, que intentava construir um canal sem comportas, quebrou sob denúncias de corrupção. A companhia francesa foi comprada pelos Estados Unidos em abril de 1904, concluindo as obras em 1914. Byron e Thomas Judah, ambos jamaicanos, tornam-se grandes amigos. Byron, entusiasmado, vê-se, aos poucos,
alquebrado por doenças e acidentes dos quais escapou por muito pouco. Agradecido pela ajuda recebida em várias
oportunidades pela senhora Morales, dona do bordel mais luxuoso da cidade,
torna-se seu amante e desiste de acompanhar o amigo Thomas na aventura menos
arriscada de encontrar ouro na Venezuela. Thomas escavou por algum tempo, mas
ferido gravemente num terremoto, foi tratado no pavilhão de saúde onde conheceu
e se apaixonou por Genevieve, uma noviça vestindo branco e um chapéu de pontas que
pareciam asas. Namoraram por algum tempo
até que Genevieve solicitou e foi enviada a prestar serviços num leprosário.
Thomas parte em busca de ouro na Venezuela e encontra uma mina. Retorna a Colón para buscar seu grande amor e
seu grande amigo, mas Geni havia morrido e Byron desiste de acompanhá-lo.segunda-feira, 13 de março de 2017
A Dureza do Espelho – Omar de Moura Luz
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
795 (11-03-2017) – A
Dureza do Espelho – Omar de Moura Luz
Essa novela, encontrei-a debaixo
da porta em folhas soltas, sem numeração e sem o nome do autor. Bastou-me ler algumas linhas para identificar
o estilo claro, límpido, engraçado e inconfundível de Júlio Paixão. Liguei para ele, mas estava viajando e deixei
o recado de que iria ler a novela ou o conto.
Eu
estava terrivelmente enganado, o texto é do grande escritor, meu vizinho e
amigo, Omar de Moura Luz. Encontramo-nos hoje e ele perguntou-me se havia encontrado
o conto sob a porta. Desfeita a confusão, mantenho a resenha que fiz.
O texto de quarenta páginas em espaço simples
é longo para conto, mas é curto para um romance; classifico-o como novela. Iniciei a leitura sorrindo: um sujeito
“enfiado no ridículo conjuntinho safári... e que não se divorcia dos fingidos
jeitos e trejeitos” chega a uma sala grande, onde o narrador em posição
privilegiada identifica os visitantes.
“...veja como se pavoneia, ...
apesar dos rapapés, não tira os olhos das curvas de Aurora”. Continua o
narrador enciumado, também tarado na Aurora, tanto que escalou o muro da casa
dela para vencer o portão trancado e visitá-la. Outros conhecidos vão chegando
e o narrador, revela-lhes a vida usando técnicas literárias invejáveis pela
clareza, graça e fluência do texto. Mas
se isso não bastasse, as reflexões do autor sobre a morte, a vida pós morte, a
busca por mais um pouco de vida na terra, existência da alma, Deus e os poderes
de Deus, a doutrina espírita, na forma como são apresentadas, engrandecem o
livro. As estórias são várias e diversas, a maioria
refere-se a mulheres. Por exemplo: “Houve outra que era do mesmo feitio dessa
daí. Era uma mulher marmórea”. Que
permite ao autor o seguinte diálogo: - “Você
diz que gosta, mas não demonstra, não emite um único murmúrio. Essa frieza, essa falta de prazer, é só
comigo?” - “Não, com todos os que tive.” - “E quantos foram?, perguntei” – “Não sei, perdi a conta”. Após
inúmeras estórias chega-se ao final. O
narrador estava no seu próprio velório conversando com um amigo.
-“E você Adamastor, o que faz aqui?
... Agora me lembro, você é mais novo, mas já morreu!”
-
Morri, e demorei a acreditar na minha morte.
-Você
está brincando...
-
Está na hora, professor, seu tempo já passou. Recebi a incumbência de guiá-lo.
-
Eu morri?
-
Morreu, morreu no mesmo dia em que tentou escalar o muro da casa de Aurora.
-
Mas...
Terminei a leitura sorrindo, a novela é muito boa de ler,
e impressionado com a criatividade literária do autor. O narrador se nocauteou,
as suas reflexões foram chacoalhadas, mas permanecem vivas como uma árvore
agitada pelo vento.
segunda-feira, 6 de março de 2017
To Kill a Mockingbird – Harper Lee
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
794 (04-03-2017) – To Kill a Mockingbird – Harper Lee
O livro publicado em
1960 retrata o sul dos Estados Unidos nessa época. A autora transforma um livro de denúncia,
cuja estória é contada por uma garotinha de oito anos, numa fotografia da sociedade
sulista americana. É um livro gostoso de
ler, muito engraçado e inteligente.
quinta-feira, 2 de março de 2017
Tróia - O romance de uma guerra – Cláudio Moreno
É um livro muito bem construído que repassa a mitologia
grega direcionando-a para a Ilíada. Oferece-se
uma nova visão dos deuses gregos aos quais se permite uma vida celestial e
terrena facilmente aceitável e repleta de mitos muito bem descritos. Quando o
autor avisa onde começa a Ilíada no texto, o leitor vem de uma, mais que agradável,
preparação para a Ilíada. O livro se
inicia com as bodas de Peleu e Tétis, os futuros pais de Aquiles. Conta a estória das deusas Afrodite, Atenas e
Heras. Descreve Cassandra, a que via o futuro e o alardeava, mas cujos vaticínios
não eram reconhecidos. O autor conta a estória de Helena gerada da relação de
Zeus, transmutado em cisne, com a mãe de Helena. Narra o rapto de Helena por
Teseu e a solução encontrada por Helena para amar Teseu e continuar
virgem. A guerra de Tróia, a partir
desse livro, tem motivo ou pretexto, início, desenrolar e fim, e outro fim
construído habilmente pelo autor.
É o melhor e mais bem escrito livro sobre a guerra de
Tróia e a mitologia grega que li. O
livro é muito bem elaborado, escrito e muito bom de ler.
The Rape of Nanking – Iris Chang
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
O Japão invadiu a China em 1931, mas
somente chegou a Nanking, a capital da China Nacionalista presidida por Chiang
Kai-Shek em dezembro de 1937. Retirou-se da China no final de 1945, após as
bombas de Hiroshima e Nagazaki. Esse
livro se detém apenas no período de seis semanas que vai de 13 de dezembro de
1937 ao fim de janeiro de 1938. Nesse
período, o exército japonês matou soldados rendidos e desarmados, matou civis e
estuprou e matou mulheres em número que varia entre 250.000 e 400.000. O número mais aceito para as mortes nessas
seis semanas em Nanking é 300.000 pessoas.
Isso oferece apenas uma branda imagem da selvageria do exército
japonês. O número de mortes nesse
período qualifica o exército japonês como o mais brutal e mais criminoso da
história da humanidade. O número de
mortes de civis e soldados, na campanha da China, pelo exército japonês é
calculado como sendo de dezenove milhões de pessoas.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
Tuareg – Alberto Vázquez-Figueroa
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
529 (2000) – Tuareg – Alberto Vázquez-Figueroa
O livro começa com a chegada de dois visitantes às tendas
da família de Gacel Sayah. Após narrar a
tradição e o respeito devido à hospitalidade dos tuareg e seu conhecimento do
deserto do Saara, o autor descreve a invasão do acampamento por um grupo de
militares que mata um dos hóspedes de Gacel Sayah e leva sequestrado o
outro. A partir daí, contam-se as
aventuras de Gacel para vingar sua honra. Inicialmente, ele mata o guia que
levou os militares a sua tenda em um duelo de espadas, vai ao posto militar e
mata o comandante que assassinou seu visitante.
Após esses feitos, ele desafia o deserto e sobrevive a horrores numa
região de salinas, e finalmente chega ao oásis onde residia a administração da
província. Prende o superintendente e
fica sabendo onde está preso seu hóspede.
Vai ao forte, mata os soldados e liberta seu hóspede. Foge pela terra vazia de Tikdabra, conhecida
somente por muito poucos, e entrega seu hóspede em segurança num país vizinho. Volta
para buscar sua família aprisionada como refém.
Quando o presidente desfila pelas ruas da cidade, Gacel o mata sem saber
que não era mais o antigo presidente, que fora deposto, mas o novo presidente,
exatamente seu hóspede.
É um livro ótimo de se ler, com uma estória muito bem
construída numa região pouco conhecida, o deserto do Saara, e vivenciada por um
povo cujas tradições, conhecimentos e modo de vida são quase ignorados. A trama
do livro é muito bem planejada e escrita; e o desfecho é um dos mais
impactantes que já li.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2017
O homem que amava os cachorros – Leonardo Padura
Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
768 (28-11-2015) – O homem que amava os cachorros – Leonardo Padura
768 (28-11-2015) – O homem que amava os cachorros – Leonardo Padura
Inicio essa resenha com os comentários de Frei Betto apresentados no início do livro. “Essa premiadíssima obra do cubano Leonardo Padura, traduzida para vários idiomas, é e não é uma ficção. Aborda um fato real: após cumprir pena pelo assassinato de Leon Trotsky na Cidade do México, Ramón Mercader refugia-se em Cuba.
Padura narra a trajetória do homem que nunca falou e que, como militante comunista, recebeu a tarefa de eliminar Trotsky. Descreve sua adesão ao Partido Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, as mudanças de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético.
Este romance é como um espelho retrovisor que permite ao leitor mirar, com olhos críticos, as contradições do socialismo e porque a morte de Trotsky, decidida por Joseph Stalin, contribuiu para a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética.
Mesmo para quem não se interessa pelos fatos históricos, subjacentes à narrativa de Padura, sua escrita impele a uma tensão permanente em torno dos preparativos para a realização de um crime de repercussão mundial. São três histórias que se entrecruzam e têm como cenário: União Soviética, Espanha, Turquia, França, México e Cuba. O homem que amava os cachorros é uma primorosa obra literária, impactante, que retrata as contradições das utopias libertárias que moveram o século XX e expõe os dilemas do mundo em que vivemos”.
Agora apresento o meu resumo. O livro se inicia na Havana de 2004 com as
palavras “Descanse em paz” no enterro de Ana, esposa de Ivan que morreria três
anos depois quando o teto de seu quarto lhe caiu em cima, na sua deteriorada
residência nessa mesma Havana. Ivan
deixa de herança, para seu amigo Daniel, os originais de um livro escrito a
partir das revelações de um velho que ele encontrara na praia se divertindo com
seus dois cães de raça russa. Esse
encontro propiciou outros encontros durante os quais esse senhor foi narrando a
Ivan a estória de um amigo já falecido, mas que, pelos detalhes, Ivan reconhece
que pertenciam a esse mesmo velho. Aos
poucos, sabe-se que esse velho era Ramón Mercader, o homem que amava os
cachorros, mas que em 21 de agosto de 1940 acertara a cabeça de Trotsky com uma
picareta que o levou à morte no dia seguinte.
A partir dessa narrativa e pesquisas em diversas fontes, Ivan faz
anotações que se transformam no livro que ele deixa ao amigo Daniel. Mas a estória e a história narradas nesse
livro começam em 1905, quando Trotsky e Lênin construíam a revolução
bolchevique de 1917. Com todas as
dificuldades, devido à pressão dos exércitos americanos, ingleses, franceses e
japoneses que não queriam a vitória dos revolucionários russos, os bolcheviques,
a revolução avançava a partir das vitórias do exército vermelho criado e
comandado por Trotsky. Mas Lênin morre
em 1924 e assume o poder Joseph Stalin. Discordâncias
internas de um Trotsky que via o futuro da revolução na sua internacionalização
e do governo que centrava sua atenção no governo doméstico, mais fácil de
concentrar esforços e poder, causaram a destituição de Trotsky de todos os
poderes e de seu exílio, inicialmente para o Cazaquistão, depois para a
Turquia, para a Noruega e finalmente para o México, onde seria assassinado. Ao longo da narrativa e do desenrolar das
tramas como o do Julgamento de Moscou, do apoio da União Soviética à Guerra
Civil espanhola, da vida em Cuba e da influência de Moscou na esquerda
internacional, o que mais se destaca são as mentiras, os falsos apoios, as prisões
injustificadas, as torturas, as decisões de quem deve viver sob o terror do
medo ou deve morrer. Stalin teria matado
mais de 20 milhões de russos nas prisões geladas do arquipélago Gulag na
Sibéria, nos paredões de fuzilamento, nas salas de tortura e por encomenda como
a morte de Trotsky e de seus dois filhos e de inúmeros amigos e simpatizantes
das ideias de Trotsky.
Fica-me a impressão de que o exposto nesse livro deve
cobrir de vergonha todos os que acreditaram no comunismo e no socialismo soviéticos.
Pior para os que creram no comunismo e no socialismo exportados pela União
Soviética. E o arrependimento
irremediável dos que prenderam, torturaram, mataram, roubaram e lutaram em nome
da falsidade comunista ou socialista e da ilusão propagandeada pelo regime
soviético? Esse livro não deixa pedra
sobre pedra das ruínas da União Soviética e do comunismo propalado por ela.
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