terça-feira, 29 de março de 2022

Capitólio: Genealogia e Registros Históricos – Adil Rainier Alves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


851 (23-03-2022) – Capitólio: Genealogia e Registros Históricos – Adil Rainier Alves

             Nesse livro, o autor pesquisa as árvores genealógicas das famílias de Capitólio chegando ao ancestral Nicolas de Hurtere, nascido em 1390, no condado de Flandres, Bélgica.  Criterioso e determinado Adil Alves investiga, por vários anos, a origem das famílias, as mudanças de nome e as contribuições de muitas delas para a construção da Capitólio de hoje. Assim, descreve a vinda dos desbravadores para as matas do Rio Piumhi, os tropeiros e a origem de Capitólio. As contribuições do Coronel Lourenço Bello para a construção de inúmeras estradas e pontes, para a implantação da primeira usina hidrelétrica e para a instalação da primeira central telefônica na cidade são marcantes. O autor entremeia as anotações das origens das famílias e dos fatos históricos com micro contos curiosos e muito engraçados como as Histórias do Tio Suta, do Hamilton, do Dalmir, A História do Zé Pomada e muitas outras. Um desses pequenos contos relata a façanha que foi a compra da pilha para o primeiro rádio de Capitólio, em volta do qual reuniam-se os amigos para ouvir músicas caipiras. A reposição da bateria custou uma carga de 1.200 rapaduras, trabalho de meses do proprietário do aparelho.

            A construção da Hidrelétrica de Furnas, iniciada em 1958 e concluída no segundo semestre de 1962, no governo de Juscelino Kubitschek de Oliveira, foi, na época, traumática pelas desapropriações e pela inundação de fazendas, de um povoado e de uma cidade. O Lago de Furnas tem 1440 km2 de espelho d`água e 3.500 km de margens. Passaram-se muitos anos até que o Reservatório de Furnas se tornasse reconhecido pela geração de energia vital para o desenvolvimento do Sudeste brasileiro e pela criação de novas oportunidades empresariais. A construção de conjuntos residenciais e de balneários famosos como o Escarpas do Lago oferece opções turísticas importantes para a geração de emprego e renda.

            A construção do Dique de Capitólio, de 650m de extensão, represando as águas do Rio Grande, isto é, do Lago de Furnas, 22m metros acima do Lago de Capitólio, formado pelas águas do Rio Piumhi, é uma obra impressionante.  Essa barragem permite a existência do atual Lago de Furnas, sem inundar a cidade de Capitólio, com 22m a mais de altura de água. O Dique de Capitólio forma o Lago de Capitólio, com extensão de 11km e largura média de 550m, represando o Rio Piumhi, que antes corria para o sul, desaguando no Rio Grande, e fazendo-o correr para o norte em direção ao Rio São Francisco.  Essa transposição requereu a construção de um canal ligando o Rio Piumhi ao Rio Águas Limpas que o conduz para o São Francisco.

            O livro é muito bem escrito e de leitura prazerosa para todos.


segunda-feira, 7 de março de 2022

Antes de nascer o mundo – Mia Couto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


850 (05-03-2022) – Antes de nascer o mundo – Mia Couto

            “Eu vivia num ermo habitado apenas por cinco homens. Meu pai dera um nome ao lugarejo. Simplesmente chamado assim: Jesusalém”. Mwanito, um menino de onze anos, descreve a coutada e os viventes do lugar, os últimos da terra, segundo seu pai Silvestre Vitalício.  “A humanidade era eu, meu pai, meu irmão Ntunzi e Zacaria Kalash, nosso serviçal. E mais nenhum ninguém. Para dizer a verdade esqueci-me de dois semi-habitantes: a jumenta Jezibela, tão humana que afogava os devaneios sexuais de meu velho pai. E também não me referi o meu tio Aproximado. Ele morava junto ao portão de entrada. Entre nós e sua cabana ficava a lonjura de horas e feras”.

            O livro é repleto de reflexões e tiradas filosóficas apresentadas na linguagem inventiva e no estilo poético de Mia Couto.  Conta a história do crescimento, da vivência e das descobertas de Mwanito. “A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas”. Seu pai não lhe contara toda a verdade, seu tio Aproximado ia ao mundo inexistente e trazia roupas, alimentos e ferramentas no seu velho caminhão.  Ntunzi já não suportava a vida no que ele chamava de esconderijo criado por seu pai para fugir do crime de matar sua mãe Dordalma. Convencera Mwanito a fugir daquele lugar, mas o medo das feras da savana e do rio boicotou o intento. Aparece Marta no acampamento buscando pelo marido Marcelo.  Ntunzi se apaixona por ela, Mwanito a quer como mãe. A vida se transforma e Ntunzi se empondera, decide acabar com Jesusalém ferindo seu pretenso pai, matando o ente que ele mais ama: Jezibela. Silvestre Vitalício adoece e todos são levados pelo tio Aproximado para a cidade.  Mwanito cresceu, é um rapaz, conhece Noci, a amante do tio Aproximado, e o amor. “A ternura daquela mulher me confirmava que meu pai estava errado: o mundo não morreu. Afinal, o mundo nunca chegou a nascer”.