domingo, 24 de abril de 2016

AZTEC – Gary Jennings

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

654 (20-09-2010) AZTEC – Gary Jennings

                Um ótimo romance que conta a história e apresenta a cultura e a vida dos Mexica, desde sua origem como povo de AZTLAN, isto é, como povo Asteca, até 1531. A história, recheada pela ficção e por estórias nos períodos e eventos obscuros, é narrada por Mixtli ao bispo de Nova Espanha, no México, Frei Juan de Zumárraga.  O rei da Espanha Carlos V solicita ao bispo do México em Nova Espanha que encontre alguém para contar a história dos Astecas antes e depois dos colonizadores.  O bispo tem grande dificuldade, em 1530, de encontrar alguém que tenha sobrevivido à invasão de Fernão Cortez, em 1519, com tal conhecimento.  Isso porque a maioria da população teria morrido na guerra defendendo a cidade, ou pelas doenças como: varíola, hanseníase, cólera e tifo trazidas pelos espanhóis.  Mixtli conta a história desde que ele era criança, até seu encontro com Zyanya, o grande amor de sua vida.  Conta estórias de suas viagens passando pelo território Maya, cuja civilização já havia desaparecido.  Ele fala dos sacrifícios humanos e de como apesar de os cristãos condenarem esses sacrifícios, fazem o mesmo na inquisição promovendo a morte pelo fogo de maneira mais cruel.  Na última carta do bispo ao rei Carlos V, ele conta que Mixtli, ou como foi batizado, Juan Damasceno, morreu garroteado pela corrente de âncora e depois queimado pela inquisição.  Esse é um livro imperdível para os interessados pela história do povo Asteca e é um romance muito bom para todos os que gostam de boa literatura.

Realm of the Incas – Victor W. Von Hagen

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



569 (2005) Realm of the Incas – Victor W. Von Hagen

                As partes principais do livro são os antecedentes históricos e geográficos; os povos andinos; o Inca; e as conquistas obtidas na construção de estradas e pontes, na administração e na guerra.  Os mistérios continuam sem explicação: como trabalharam as pedras imensas com tamanha perfeição, isto é, como as cortavam e as justapunham; a escrita ou outra forma de descrever fatos e notícias existiu ou não.  O quipu, uma corda com nós, trançada em cores diferentes, seria essa forma alternativa de arquivar informações e descrever fatos e notícias?  Há até estrofes de poesias registradas pelos quipus, mas perderam-se os intérpretes e hoje não se consegue mais traduzi-los.  Atahualpa, após derrotar seu irmão Huáscar, em 1532, na guerra sucessória que se travou, e no comando de um exército de 50.000 a 80.000 homens, vai ao encontro de Francisco Pizarro, aceitando o seu convite para visitar os espanhóis ali mesmo em Cajamarca onde o sapa Atahualpa se encontrava.  Descreve-se a prisão de Atahualpa em decorrência de seu excesso de confiança ante o diminuto exército de 130 espanhóis a pé e 40 montados que o convidava.  Ele vai ao encontro do conquistador Francisco Pizarro acompanhado apenas de sua guarda pessoal desarmada.  Conta-se que após ser recebido por um sacerdote que o convida a aceitar o cristianismo e entrega-lhe uma bíblia; sem que entendesse a conversa e o livro, joga a bíblia no chão. Ante tamanho desrespeito os espanhóis avançam sobre ele e o sequestram.  Tido como Deus pelos seus súditos, o sapa ou rei dos Incas não podia ser tocado nem mesmo pela sua guarda ou por seus soldados.  Não podendo ser tocado, não havia como tirá-lo das mãos dos sequestradores que ameaçavam matá-lo e assim perdeu-se o império.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Despojos: a festa da morte na corte – Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


699 (17-11-2012) – Despojos: a festa da morte na corte – Benito Barreto
            Este é o último livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  A primeira parte desse livro descreve “A Batalha do Breu” que ocorreu entre as tropas do Vice-rei ou do Visconde de Barbacena e os garimpeiros, em torno de 300, chefiados pelo Montanha, João Costa e Zé Basílio.  Essa batalha ocorreu ainda em 1789, após a prisão de Tiradentes e dos demais inconfidentes, nas proximidades do Lago do Sumidouro, Passo da Cinza, e Cânion do Travessão.  Izidora morre nessa batalha após um tiro de canhão destruir sua posição na encosta da garganta do Travessão e fechá-la.   Os garimpeiros se dispersam e retornam aos garimpos e os soldados sem poder persegui-los retornam de mão vazias aos quartéis em Vila Rica.  Enquanto isto o padre Rolim, escondido na casa de seu irmão, que estava preso por seu parentesco com o padre inconfidente, passava os dias e as noites apaixonado pela cunhada La Tosca.  O padre era esperado pelos garimpeiros para liderá-los e dar sentido a sua luta, mas ele não apareceu, escondido como estava na cama da cunhada de quem não queria se separar.  Algum tempo depois ele também foi preso e transladado do Tejuco para Vila-Rica.   As outras partes do livro tratam do julgamento dos inconfidentes e como todos eles se humilham e pedem perdão à rainha louca.   Tiradentes, muito diferente, chama para si toda a culpa e tenta convencer os juízes de que os outros acusados são inocentes.  Apenas Tiradentes é condenado à morte na forca e a ter seus membros decepados e espalhados pelo Caminho Novo.  Os outros inconfidentes foram condenados ao degredo na África.  Essas duas partes do livro são contadas pelo padre Inácio, quem sob tortura, denunciou a casa onde Tiradentes estava hospedado no Rio de Janeiro.   O padre Inácio e o frei Lourenço, fundador do Convento do Caraça, acompanharam a execução de Tiradentes no dia 21 de abril de 1792, e a disposição de sua perna esquerda no alto da Serra do Mar no lugar conhecido como Sítio das Cebolas.   Frei Lourenço acompanha o cortejo até Vila-Rica onde a cabeça de Tiradentes é exposta no pelourinho.
            Benito Barreto recria magnificamente toda a época, a vida nas cidades do Tejuco, Vila Rica e Rio de Janeiro, as batalhas, os amores, as prisões, o processo judicial, e a execução de Tiradentes.  O texto nesses quatro livros é construído na linguagem do século XVIII e se apresenta muito convincente. 

Toque de Silêncio em Vila Rica - Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


671 (15-10-2011) – Toque de Silêncio em Vila Rica – Benito Barreto

Este é o terceiro livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  Como os anteriores, muito bem feito com o mapa da Estrada Real mostrando o Caminho Novo e o Caminho Velho por onde o ouro e o diamante das Minas Gerais eram escoados para Portugal.  As ilustrações de Januário são muito apropriadas, muito bonitas e muito bem feitas.  O livro começa tendo por título do primeiro capítulo a fala do Montanha, chefe de grande quadrilha que assolava os caminhos de Minas, preso por Tiradentes quando esse era alferes do governo de Minas, mas libertado pelo próprio Tiradentes sob promessa de   parar com os assaltos após essas frases: “...vencido estava e se rendia, mas não se queria em meu lugar... eu prendia um ladrão pequeno, para deixar livre o caminho para os ladrões do Rei passar”.   Como no segundo livro, há muita reflexão sobre a culpa e o medo da punição; a culpa e a motivação do governo para a punição; o tamanho da culpa desproporcional à punição; a culpa dos inconfidentes, o poder absoluto do Visconde de Barbacena, governador das Minas Gerais, a corrupção da polícia, a tortura ,e a morte consentida por esganadura seguida pelo enforcamento do grande poeta e inconfidente Cláudio Manoel da Costa no vão de escada da casa do contratador Rodrigues de Macedo.   O autor destaca nesse livro as viúvas, porque assim se vestem, acusando o Visconde de Barbacena pela prisão e provável morte dos maridos: Bárbara Heliodora, a ex Dorothéia e agora Marília de Dirceu e Hipólita.  Destaca o poeta Cláudio Manoel da Costa sabedor de que o Visconde de Barbacena havia abraçado a causa dos inconfidentes no início do movimento e poderia denunciá-lo aos agentes da Devassa que estavam chegando a Vila Rica.  Sabia também que o Sargento Parada havia matado sua filha e a família dela e os escravos para não ser denunciado pelo roubo na fazenda do poeta em Mariana do ouro dos inconfidentes.  Por essas duas razões foi o poeta Cláudio Manoel da Costa assassinado antes que os agentes da Devassa chegassem em Minas. 

Bardos e Viúvas – Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

656 (13-11-2011) – Bardos e Viúvas – Benito Barreto

Este é o segundo livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  O autor se detém na reflexão dos aterrorizados inconfidentes ante a repressão violenta do Visconde de Barbacena.  O padre Rolim e o líder dos garimpeiros de diamantes João Costa organizam uma resistência de mais de mil homens, mas não encontrando quem planejasse os ataques e os motivasse para o combate se dispersam.   O padre Rolim era a liderança esperada pelos garimpeiros, mas perde tempo precioso, mais de mês, trancado num quarto, fornicando com a esposa de seu irmão, à guisa de se proteger da repressão.  Os inconfidentes Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga, após sessões de tortura e no ambiente pestilento de suas celas foram a julgamento, mas acometidos de medo, renegaram seus sonhos de independência e acusaram Tiradentes de influência conspiratória.  As mulheres dos inconfidentes: Marília de Dirceu, Bárbara Heliodora e Hipólita Jacinta são as heroínas que desafiam as autoridades acusando-as nas praças e ruas de Ouro Preto pela prisão e morte dos maridos.  Vitórias em batalhas memoráveis, como a do Cerro, entre garimpeiros e o exército enviado para reprimi-los são descritas magistralmente no estilo peculiar de Benito Barreto.  Essas batalhas surpreendem o leitor que só via a inconfidência como uma conspiração que terminou com a prisão de todos e o enforcamento de Tiradentes.  Mas ao contrário, após a prisão dos inconfidentes, houve algumas batalhas vencidas pelos garimpeiros resistentes. O governo do Visconde de Barbacena só não foi derrubado por falta de um líder que motivasse e planejasse a tomada do poder em Minas.  A maioria dos inconfidentes morreu na prisão e os que sobreviveram foram deportados para a África.