terça-feira, 28 de abril de 2020

Escravidão - Laurentino Gomes

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
            
832 (23-04-2020) – Escravidão – Laurentino Gomes
É o melhor que já li sobre a escravidão no mundo e no Brasil em termos de dados e documentação.  No início, o texto não flui pela ausência de personagens que conduzam a história e pela dificuldade de não se estar escrevendo um relatório, mas um texto informativo de leitura agradável. Posteriormente aparecem, em 1630, Jinga, a rainha africana, enfrentando as tropas portuguesas em Angola; em  1662, a portuguesa Catarina de Bragança que se casa com o rei Charles II e, entre outros feitos, dá início ao consumo de chá na Inglaterra; e em 1675, o bandeirante Domingos Jorge Velho que abre o caminho que liga São Paulo e Minas Gerais e em 1695 pendura a cabeça degolada de Zumbi dos Palmares num poste em Recife.  Em 1695, Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, fincado na Serra da Barriga, em Alagoas, é morto, após o quilombo resistir por quase um século a dezenas de expedições lançadas contra ele pretendendo destruí-lo e aprisionar os negros foragidos.  E aí o texto ganha fluência e interesse crescente até que se descobre ouro em Minas Gerais, na década de 1690, e o livro termina para surpresa dos leitores.
            Alguns dados interessantes:
1535 – Notícias da chegada dos primeiros escravos africanos ao Brasil.
1600 – A população indígena na América é estimada em 10 milhões, apenas um quinto do número existente na época da chegada dos europeus.
1632 – O bandeirante Raposo Tavares escraviza entre 40 mil e 60 mil índios.
1683 – No ataque a Viena, os otomanos escravizam 8 mil cristãos brancos.
1694 – Estima-se em 2 milhões o total de eslavos (Rússia e o resto do leste europeu) escravizados pelos tártaros (O tártaro pertence à família das línguas turcomanas, que inclui azerbaijano, basquir, cazaque, iacuto, nogai, quirguiz, turco, turcomeno, tuvínio e uzbeque) na Crimeia nos duzentos anos anteriores.  No mesmo período, outros 2,5 milhões de escravos brancos foram comercializados pelos otomanos no mediterrâneo.
1530 até meados do Século XIX - O Brasil foi o país que mais recebeu escravos nas Américas. Quatro em cada dez negros que cruzaram o Atlântico até a segunda metade do século 19 tiveram como destino nosso país – um total de 4,8 milhões de africanos.
1455 - 10% da população de Lisboa era negra – Estima-se em 12,5 milhões os africanos escravizados entre o Século XV e meados do Século XIX.

quarta-feira, 22 de abril de 2020

Go Tell it on the Mountain – James Baldwin

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor

831 (21-04-2020) – Go Tell it on the Mountain – James Baldwin
            Esse livro publicado em 1952 pelo famoso escritor negro James Baldwin chamou minha atenção.  É muito bem escrito e os pensamentos do autor fluem claramente.  John, o filho mais velho da família Grimes, recorda as manhãs ensolaradas dos domingos em que ele, o irmão Roy, a irmã Sarah, a neném Ruth, sua mãe e seu pai atravessavam as ruas do Harlem indo à igreja pentecostal, Templo do Fogo Batizado.
            John, seu irmão Roy e o pai deles são os personagens em evidência. Vivem acossados sob o peso de pecados e da esperada punição divina. Sermões e pregações são apresentados páginas após páginas até que o filho pródigo retorna à casa.
            A família americana negra, pobre, religiosa é muito bem descrita; o inglês dos negros é muito bem apresentado tornando os diálogos muito vívidos.
            Um leitor mais religioso apreciaria esse livro com mais gosto do que eu.