segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

A Grande Virada – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


828 (28-12-2019) – A Grande Virada – Wantuelfer Gonçalves
Wantuelfer Gonçalves criou os fotopoemas como forma de expressão poética ilustrada por fotografias.  As fotos oferecem uma visão da realidade exaltada pelos versos.  O momento atual é habitado por reis absolutistas que o autor insiste em mostrá-los como simples mortais, corruptos, ladrões e quadrilheiros.  Outros são denunciados como incompetentes, apologistas de ideologias ultrapassadas e criminosas.  O livro apresenta esse tempo, também, como propício a boas risadas provocadas pelas atitudes extravagantes desses reizinhos que insistem em viver num passado de impunidade e falcatruas ocultas.  Vale a pena ler o livro. Os poemas têm a marca do Wantuelfer: alta qualidade poética, técnica apurada, incrível capacidade de síntese, e muito bom humor.  Os poemas abaixo, mesmo não acompanhados das fotos, atestam o descrito acima.





TALE E QUALE

Os da casa de papel,
Casacos vermelho-rubi,
Têm olhos arregalados
Como os de Salvador Dali.

Assim também de vermelho
Os do PT, a gentalha,
Têm olhos arregalados
Pra fiscalizar quem trabalha.

O que, além do vermelho,
Caracteriza a petralhada
São os olhos arregalados
E uma mente fechada.


ESTOPIM CURTO
(Foto de Romero Jucá)

O pessoal lá de casa,
Com muita preocupação,
Acha que eu estou nervoso
Por ter perdido a eleição
E receitaram para mim
Muito chá de camomila:
Pessoas nervosas – disseram,
Com ele ficam tranquilas.

Posso até tomar o chá
Pra ficar despreocupado,
Mas minha decepção
É com o meu eleitorado.
Fiquem tranquilos – eu disse,
Que não vou tocar rebu;
Quanto ao meu eleitorado,
Eu quero que tomem caju!


quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Los ojos del tuareg - Alberto Vásquez-Figueiroa

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


      827 (15-11-2019) – Los ojos del tuareg – Alberto Vásquez-Figueiroa
            Gacel Sayah, o filho mais velho de Gacel Sayah, o personagem espetacular do ótimo livro Tuareg, lidera sua família, vivendo em tendas, no mais inóspito e recôndito espaço do deserto do Saara. Fugiam das perseguições e discriminações provocadas pelo feito de seu pai.   Ele e sua família construíram com grande dificuldade, tempo e trabalho, no meio do nada, um poço que produzia água suficiente para eles e para os animais: umas poucas cabras e camelos.  Era o que tinham de mais valioso.
            Uma competição, no estilo Paris-Dacar, mas partindo do oeste africano, atravessando todo o deserto do Saara até Cairo, teve parte de seu percurso mal traçado levando os carros a passar pelo acampamento tuareg de Gacel Sayah.  O primeiro grupo de carros perdidos solicitou a água escassa do poço encheu os cantis e lavou os parabrisas dos carros com ela.  O segundo grupo de veículos queria água para os radiadores e não obteve. Nervoso um dos motoristas, Marc Milosevic, encheu um galão de óleo e atirou-o no poço tornando sua água imprópria para beber e condenando o acampamento à morte ou a migrar para aonde não imaginava Gacel.
            Pela tradição tuareg a hospitalidade solicitada era uma garantia de hospedagem e proteção, mas esse grupo não a solicitou, ao contrário, apontou armas para os beduínos e acelerou para o próximo ponto de encontro. Mais três carros chegaram ao acampamento e foram feitos reféns, para garantir que Marc Milosevic retornaria para cumprir a lei tuareg, ter uma das mãos decepada.
            O autor escreveu esse livro para denunciar os crimes cometidos contra a população tuareg: invasão do acampamento pelas polícias do país em que se encontravam, forçando sua migração; desrespeito às suas tradições; perseguições motivadas pela discriminação racial, destruição de seus bens por grupos diversos sob pretexto de competições, ou por considerar o deserto como terra de ninguém.  É bom de ler, mas não se aproxima do outro romance “Tuareg”.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Monte Celeste – Erly Teixeira


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

                                                         
                                                         826 (28-08-2019) – Monte Celeste - Erly Teixeira

            Eu li esse livro inúmeras vezes, revisando-o. Portanto, creio que ele merece estar na minha lista de Livros Lidos.
 Pedro é tocaiado antes de chegar a Monte Celeste levando o dinheiro para pagar as apanhadeiras de café.  Chega a sua propriedade, conversa com o gerente, faz os pagamentos e, enquanto examinava a área que seria colhida na próxima semana, é surpreendido por Eliana que aparece no meio do cafezal para lhe mostrar o vestido que ele lhe dera de presente.  As histórias prosseguem narrando o início da colonização do Presídio, de São Geraldo e de Monte Celeste.  Luiz Flauzino teve apenas uma noite de núpcias, as outras ele passou na cadeia chorando a mulher amada. Zezinho matou de medo e morreu de medo.  Tonhão levava um vestido bonito para a esposa quando foi emboscado e morto na Serra de São Geraldo.  Evandro escapou das carícias da namorada americana e retornou ao Brasil. Torna-se diretor da Escola Estadual Ministro Aloísio Costa, em Monte Celeste, implanta o sistema integral e novo método de ensino para suplantar o caos do ensino fundamental e médio.  Apoiado por Pedro e pelos líderes locais cria quatro cursos de ensino médio técnico e profissionalizante. Monte Celeste cresce em população e em investimentos, o número de alunos triplica e tem suas ruas asfaltadas. Os pais de Pedro morrem contaminados pelo Aedes aegypti nas inúmeras epidemias de verão que ceifam vidas sem nenhum combate público competente e decidido.
O Coronel Tião fechou o “Quiprocó”, a zona de São Geraldo, por uma noite, para ele e seis trabalhadores ou companheiros de baderna. Maria Batista, a cafetina chefe, animou a festa cantando uma quadrilha apropriada para a ocasião.   Pedro viaja para a Ilha de Marajó com Jussara e vive um amor equatorial que durou pouco, não resistiu a um convite que fizeram a ela para esquiar em Bariloche. Mas, sua aluna Amanda é um caso diferente. Há muitas travessuras em um só capítulo, para conhecê-las creio que vale a pena ler o livro. Monte Celeste tem muitas histórias!

sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Intimidades – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



825 (27-08-2019) – Intimidades – Wantuelfer Gonçalves
            Nesse livro, os poemas fazem rir, preservando a técnica primorosa do autor que torna sonetos difíceis em poesia simples, natural.  Wantuelfer divide a obra em Intimidades Conjugais, Intimidades Concretas, Intimidades Aldrávicas, Intimidades Formais, Intimidades não Formais e Intimidades Livres.  As intimidades conjugais são sonetos excitantes enquanto as outras intimidades se relacionam mais com a proximidade do autor com a técnica poética. O livro é muito bom de ler. Copio abaixo um soneto da seção Intimidades Conjugais.

DISSIMULAÇÕES
Na hora do casal ir se deitar
O que é mais complicado vá por mim,
É saber se o outro está a fim
De fazer sexo ou de descansar.


Cada qual vai tentando adivinhar
Por dissimulações assim, assim,
Como se virar pro canto ou, enfim,
Ao desejo do outro se entregar.

Mas ela resolveu nosso problema
Sendo direta, objetiva e franca,
Num bem elaborado estratagema:

Quando o meu ímpeto não se controla
Noto, acariciando-lhe as ancas,
Não haver nada sob a camisola.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Até breve, mamãe – Anchieta Rocha

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


824 (15-06-2019) – Até breve, mamãe – Anchieta Rocha
            A primeira versão resumida e menos elaborada desse livro intitulava-se “Meus Amores”.  Eu o li em 2009. Nessa versão, recém-publicada, muito bem impressa, com capa bonita e ampliada com cartas do estudante da UFV para a mãe, a irmã, um amigo e para a tia; e deles para o rapaz, lutando para sobreviver em Viçosa, o autor traça a vivência de uma família pobre, abandonada pelo pai, residindo em Serra Morena, dois dias de viagem distante, e do aluno pobre na UFV. As histórias são contadas pelas cartas. O estudante reside no alojamento, antigamente disponível para os pós-graduandos, é motoboy de uma lanchonete à noite.  Nas cartas ele conta a história de uma cliente da lanchonete de quem só conhece as lindas mãos que recebem o pedido. Ela se escondia atrás de uma abertura do tipo alçapão que só se abria por dentro, ao lado da porta. Teria sido uma atriz famosa desfigurada por um acidente.  Conta o caso do pai de um colega da universidade que, um dia, passa por ele dirigindo seu carro coberto de flores por ter sido guardado debaixo de um flamboyant florido.  Poucas horas depois o amigo lhe solicita ir ao local do acidente com o pai. Lá estava o carro numa larga valeta a alguns metros abaixo da estrada com as rodas no chão, coberto de flores, como um túmulo.  As cartas revelam que Selminha, sua irmã, se engravida e torna-se mãe solteira, a mãe adoece sem que ele possa visitá-la, o amigo é preso por tráfico de droga.  Chega o dia de sua formatura, participa apenas da colação de grau, e sente a futura perda dos amigos e colegas da universidade e da lanchonete.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Mensagens do Vento – Aldo Saettone

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

626 (13-01-2009) – Mensagens do Vento – Aldo Saettone
            É muito bom de ler. Faz uma revisão bibliográfica da história e da cultura angolana muito esclarecedora e agradável de ler.  Mas, Esse livro é um romance e, portanto uma obra de ficção. Angola foi descoberta pelo comandante Diogo Cão e apossada por Portugal em 1482.  A história do livro começa em 1969 quando um jornalista brasileiro é enviado pelo seu jornal para cobrir a Guerra de Independência de Angola (1961-74).  Angola ficou independente de Portugal e teve empossado seu primeiro presidente Agostinho Neto em 11-11-1975.  Lá estavam o jornalista brasileiro e as delegações de Portugal, Brasil, Rússia, Cuba e África do Sul.  Cuba e Rússia apoiavam o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido do presidente Agostinho Neto.  A África do Sul, financiada em parte pelos Estados Unidos, apoiava a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), liderada por Jonas Savimbi. Outro grupo relevante na luta pela independência foi a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Os três grupos buscando o poder se desentenderam e promoveram a Guerra Civil Angolana (1975-2002), saindo vencedor o MPLA.
            O jornalista brasileiro mudou-se de Luanda para Huambo e conta a história de Lupe, a enfermeira portuguesa, e dos médicos cubanos Andrês e Ciboney.  Lupe, trabalhando num hospital do governo, portanto do partido MPLA, por ajudar a dois foragidos da UNITA, foi aprisionada e estuprada pelo assessor do comandante do MPLA.  Os médicos Andrês e Ciboney para vingar Lupe criaram uma forte infecção no ânus e na genitália do assessor.  O general assessor descobriu a trama, depois de recuperado, e organizou um estratagema para ter a médica cubana em suas mãos, e a estuprou. Ciboney morreu no campo de batalha ao ser abandonada pelo general assessor a quem ela teve que atender com leve ferimento. O general, devido ao seu leve ferimento, foi internado no hospital em que o médico Andrês era o cirurgião chefe. Por coincidência ou planejado por Andrês, o leve ferimento do general estuprador infeccionou e os médicos Andrês e Isaque amputaram sua perna, após o que anestesiaram sua língua e amarraram-no à cama e comunicaram-lhe que ele iria morrer.  Ele se esganou tentando gritar e mexer sem consegui-lo e debateu-se até morrer. Outras histórias são relatadas até que a Guerra Civil termine em 2002.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A Transparência do Tempo – Leonardo Padura

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


823 (10-06-2019) – A Transparência do Tempo – Leonardo Padura
            Leonardo Padura é um autor cubano nascido em 1955.  Sua obra prima é “O Homem que Amava os Cachorros”, um romance realmente espetacular. Ele ficou conhecido pelos romances policiais. “A Transparência do Tempo” é um romance policial histórico publicado em 2018.  O amigo Bobby contrata o ex-policial, atualmente detetive particular, Mario Conde para encontrar uma imagem de Nossa Senhora negra carregando um menino Jesus também negro furtada de sua casa de marchand rico. O enredo do livro se desenvolve em torno da imagem que teria sido levada da África para a Catalunha no Século XIII pelos cruzados ou pelos cavaleiros templários.  Num vilarejo da Catalunha a imagem opera milagres, mas as guerras entre senhores feudais destroem o povoado e a imagem é resguardada pelos cavaleiros templários e aparece na cidade de São João de Acre, ou apenas Acre, onde os cruzados, remanescentes de derrotas sofridas em Jerusalém, são exterminados pelos muçulmanos convocados pelo sultão Khalil al-Ashraf em 18 de maio de 1291.  A imagem protegida pelo templário Antoni Barral chega ao mar e o ajuda a flutuar até o navio do grão-capitão Roger de Flor e retorna a Espanha.  Séculos depois a imagem chega a Cuba e é apropriada por Bobby, amigo de Conde desde o pré-universitário, hoje um rico marchand. Aí entra a parte policial e o detetive Mario Conde.  Esses capítulos são pouco agradáveis, mas são interessantes porque os personagens percorrem as favelas de Havana e os quase palácios de uns poucos ricaços.  É impressionante pelos diálogos e comentários criticando o desastre social e econômico de Cuba sob o governo comunista.  A impressão que se tem é que o autor residiria fora de Cuba, mas não, como se pode observar no trecho da entrevista a Emiliano Urbim do jornal O Globo apresentado abaixo:
Em seus livros, artigos e entrevistas, Padura não omite as contradições do regime de Raúl Castro; em troca, o governo faz o que pode para atrapalhá-lo — o que, no caso de Cuba, é bastante. As editoras (todas estatais) evitam reimprimir suas obras; as universidades (todas públicas) o ignoram; a imprensa (100% oficial) não o procura.
— Em Cuba, sou invisível — resume.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Guia Prático de Criação Literária – Moacir C. Lopes

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



822 (14-05-2019) – Guia Prático de Criação Literária - Moacir C. Lopes
            É um livro do qual se podem extrair bons ensinamentos e informações literárias.  A primeira página que marquei revela os textos literários primitivos como a “Epopeia de Gilgamesh” escrita três mil anos a.C.. Posteriormente, dobrei as quinas das páginas descrevendo os gêneros literários e as escolas literárias.  Marquei as páginas com os títulos dos gêneros: crônica, conto, romance, poesia, e roteiros. O autor se detém mais no gênero romance e destaca capítulos para personagem, narração, descrição, diálogo, e espaço versus tempo.  Discute virtudes e vícios de linguagem, figuras de linguagem como: símile, metáfora, alegoria, hipérbole etc. Descrevendo sobre a poesia, o autor destaca: versos e estrofes, métrica, rimas e um vocabulário de termos poéticos.  Há um capítulo para “Literatura versus Cinema” em que se discute um pouco sobre roteiros, mas pareceu-me insuficiente. Muito pouco se discute no livro sobre a literatura para o teatro.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Rob Roy – Walter Scott


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

                                                       
                                                       821 (20-04-2019) – Rob Roy – Walter Scott

            Frank Osbaldistone gostaria de ser poeta contra a vontade do pai que o desejava administrador de sua grande empresa. Frank é enviado à fazenda de seu tio, próxima à fronteira norte da Inglaterra com a Escócia, para se encontrar com um primo instruído, Rashleigh Osbaldistone, para substituí-lo na gerência dos negócios de seu pai. O primo viaja para Londres, inicia suas atividades de administrador na firma e, em pouco tempo, obtém a confiança do empresário que parte para a Holanda onde pretende fazer grandes negócios. Chegando à fazenda, Frank se encontra com Diana Vernon, jovem agregada, cujo pai, um perseguido pela justiça por sua rebeldia política, era protegido pelo tio de Frank.  Os dois se apaixonam para logo se separarem, pois Frank tem que atravessar a fronteira com a Escócia em direção a Glasgow, pois era perseguido pelos credores de seu pai.  Rashleigh, aproveitando a ausência do tio, põe em falência a grande empresa, transferindo os ativos para ele.
            Em Glasgow, Frank encontra-se com Rob Roy sendo libertado da prisão por chefiar um grupo armado contra as injustiças do rei inglês contra seu povo.  O pai de Frank retorna e tenta recuperar seus bens, mas é Frank, auxiliado por Rob Roy, Diana Vernon e o pai dela que o conseguem. Rashleigh é destituído de tudo.
O livro, inicialmente, é escrito numa sequência admirável, mas ao final o autor se torna apressado, a narrativa é picada e difícil de acompanhar.  Somam-se a isso os longos diálogos no sotaque escocês, misturando o gaélico escocês com o inglês.

quinta-feira, 7 de março de 2019

Arcanos do Tarô – Wantuelfer Gonçalves


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


820 (05-03-2019) – Arcanos do Tarô – Wantuelfer Gonçalves
            Wantuelfer surpreendeu-me escrevendo sobre o Tarô, um jogo de baralho, e suas cartas, os arcanos menores e maiores.  Surpreendeu-me novamente fazendo Haikais, assim, com H maiúsculo, inspirados nos arcanos maiores. O livro é muito bem construído e escrito apresentando cada carta, com sua história, sua representação e seu simbolismo, acompanhada dos Haikais que sugestionou.  Vale a pena ler essa obra prima do Wantuelfer Gonçalves.  Apresento abaixo alguns Haikais extraídos do livro.

De médico não,
Nem um pouco, mas de louco
Eu tenho um montão.

Os arrazoados
Somem da razão do homem
Quando enamorado.

Puta ou santa?
Em suma, escolher uma
Quando há tantas.

Meu corpo, divino
Jarro, que adianta um carro
Se não há destino?

A contradição
É forte; vida após a morte
É consolação.

Criando o farol
Deus recua, e faz da lua
O espelho do sol.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO TEM SOLUÇÃO


O ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO TEM SOLUÇÃO
Erly Cardoso Teixeira
Professor Titular da Universidade Federal de Viçosa, e-mail:  teixeira@ufv.br

            Todo o gasto público com o ensino fundamental e médio no Brasil só faz os alunos aprender, no máximo, 10% do que lhes é ensinado.  Noventa por cento (90%) dos recursos aplicados e do tempo dos professores e alunos dedicado ao aprendizado são perdidos. Isto acontece porque, na quase totalidade das escolas, tudo o que os alunos aprendem lhes é ensinado no quadro negro: eles não têm aulas práticas e não há equipamentos ou laboratórios.  Eles aprendem apenas ouvindo o professor.  Os alunos da educação básica não veem, não manipulam, não trabalham os conceitos, portanto, retêm muito pouco do que lhes é ensinado. 
Isto é o que se depreende quando se lê as publicações da literatura sobre a “Pirâmide de Retenção do Aprendizado”.  Os artigos publicados, tratando do tema aprendizado nas escolas, informam que: alunos submetidos a aulas apenas expositivas aprendem, quando muito, 10% do conteúdo oferecido e o que aprendem, eles retêm por muito pouco tempo. Já os alunos, que tiveram aulas práticas ou a oportunidade de ver o conceito acontecendo, acumulam 30% de conhecimento e retêm esse conhecimento por muito mais tempo. Mas, se ao aluno for oferecida a oportunidade de discutir e trabalhar com o conceito, isto é, de realizar experimentos, ele aprende 75% do conteúdo, e o recorda pelo resto da vida. E o melhor, pode aplicá-lo em exames de acesso ao ensino superior, em atividades profissionais e em inovações.
Nos últimos dez anos, na minha classe de 40 alunos de graduação, nos dez minutos finais de uma das aulas do semestre, faço sempre as mesmas duas perguntas.  A primeira: quem teve, no segundo grau, aulas práticas semanais no conjunto das disciplinas - física, química, matemática, biologia e geografia?  A melhor resposta que tive foi somente de um aluno entre os 40. A segunda pergunta é: quem teve, no segundo grau, aulas práticas semanais em, pelo menos, uma das disciplinas - física, química, matemática, biologia e geografia?  Apenas uma vez, em dez anos, cinco alunos levantaram a mão. Nos outros anos, eu ficava feliz quando dois alunos diziam ter tido demonstrações práticas em uma ou outra disciplina. 
É decepcionante e lamentável confirmar, a cada ano, que os problemas no ensino médio, que eu vivenciei na década de 1960, continuam os mesmos quase cinquenta anos depois. Essa constatação explica também os medíocres resultados obtidos por nossos alunos nos testes do Program for International Student Assessment (PISA), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Entre 65 países (sistemas de ensino), os estudantes brasileiros são classificados entre os últimos quinquagésimos, melhor apenas que os alunos de uns poucos países reconhecidamente com péssimo sistema educacional. Na classificação publicada pelo the Economist Intelligence Unit, entre 40 países, o Brasil ficou em 38o lugar.  Esses resultados explicam também o alto grau de evasão ou a demora na conclusão dos cursos. Aprender apenas via aulas expositivas é cansativo, dispersivo e frustrante.
A solução proposta está em oferecer aos alunos a oportunidade de ver e trabalhar os conceitos em aulas práticas. Isto requer escolas em tempo integral; adaptação do currículo escolar; treinamento de professores; adaptação e, até mesmo, construção de salas de aula e\ou laboratórios para aulas práticas; construção de novas escolas e remuneração de professores condizente com o maior tempo dedicado ao ensino.
O ensino médio tem outro defeito grave: o de preparar os alunos exclusivamente para fazer as provas do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ou dos vestibulares de acesso aos cursos superiores.  O aluno que não consegue acesso a um curso superior vê-se constrangido a enfrentar o mercado de trabalho com o pouco que aprendeu em aulas expositivas. Mas o mercado de trabalho está interessado em profissionais com treinamento em informática, em instalação elétrica, em instalação hidráulica, em construção civil, em técnicas siderúrgicas, metalúrgicas e agrícolas, entre outras. 
Tem-se, portanto, um conflito. Os egressos do ensino médio não estão preparados para atender as demandas do mercado de trabalho.  Por sua vez, o mercado de trabalho demanda muito pouco do conhecimento teórico e de baixa aplicabilidade adquirido pelos estudantes que concluíram o ensino médio.
A solução para esse problema está em fazer com que todas as escolas de segundo grau ofereçam o ensino médio científico simultaneamente com o ensino profissionalizante. O que essa mudança requer?  Primeiro, escolas de ensino médio em tempo integral com adequação dos programas analíticos; segundo, treinamento de professores; terceiro, as comunidades próximas às escolas de ensino médio escolherem uma ou mais profissões para serem ensinadas; quarto, construção de laboratórios, salas de aulas práticas e oficinas para treinamento dos futuros profissionais; quinto, aquisição de equipamentos; e sexto, contratação de professores com a qualificação adequada. 
Aplicadas as duas soluções apontadas acima: a) aulas práticas e b) segundo grau científico e profissionalizante, melhores estudantes do ensino fundamental chegarão ao ensino médio, e melhores estudantes do ensino médio irão cursar o terceiro grau.   Aqueles estudantes do ensino médio que não conseguirem acesso a um curso superior ou que não queiram continuar estudando terão, contudo, maiores oportunidades no mercado de trabalho.

A aplicação das duas soluções sugeridas requer investimento, coordenação e decisão administrativa e política.   Mas isto deve servir como estímulo e não de desculpa para protelar a aplicação de medidas que realmente melhorem a educação no Brasil. A sociedade brasileira vê, inconformada, o Ministério da Educação e as Secretarias Estaduais de Educação receberem os resultados humilhantes do péssimo desempenho da educação no Brasil, e não se posicionarem lançando e executando um programa inovador que resolva os problemas dos ensinos fundamental e médio.  Ou se faz isso agora, ou iremos, no futuro, lamentar décadas perdidas por omissão e falta de iniciativa para resolver um problema cuja solução é conhecida.

PULVERIZAÇÃO AÉREA DE LARVICIDA PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI


                                                             PULVERIZAÇÃO AÉREA DE LARVICIDA 
PARA EXTERMINAR 
COM O AEDES AEGYPTI
                                                                                          Erly Cardoso Teixeira[1]

            A incompetência no combate à Dengue é evidente nas estatísticas crescentes da incidência da doença, no número de cidades em que a doença se tornou endêmica e no número de mortos pela doença. O número de casos de dengue, no Brasil, no primeiro trimestre de 2015 cresceu 240,1%, chegando a 460,5 mil casos.  Já o número de mortos pela doença, no mesmo país e período cresceu 29,0%, isto é, morreram 132 pessoas. Os dados são em relação ao primeiro trimestre do ano anterior (Ministério da Saúde).    A incompetência é alarmante pela ausência de medidas eficazes de combate ao Aedes Aegypti transmissor da dengue, da febre amarela urbana, da chicungunha e da febre zika relacionada aos casos de microcefalia.  Durante décadas combate-se a dengue no Brasil com panfletos, colheres de pó em ralos e vasos de planta e, ocasionalmente, em alguma cidade, com o fumacê. Será que não houve tempo suficiente para se perceber que esta estratégia não é suficiente ou não está correta? As práticas tradicionais de combate à dengue são úteis nos estágios iniciais da doença ou quando a praga do mosquito está controlada.  Mas, na maior parte das vezes, apenas servem ao poder público para culpar as vítimas da dengue pela doença que elas contraíram.  Servem também como uma boa desculpa para não se inovar no combate ao mosquito e acabar com a doença.  
            Especialistas da área afirmam, ora, que o Aedes Aegypti tem hábito doméstico, ora, que prefere os espaços abertos.  Portanto, é preciso atacá-lo nos dois espaços.   Os aspersores encontrados nos supermercados, devidamente recomendados pelos agentes da saúde, são importantes para eliminar os mosquitos dentro das casas.
Mas o que fazer com os mosquitos que vivem nos espaços abertos e geram suas larvas em pântanos, charcos, brejos, pneus, calhas, garrafas, lixões, depósitos de ferro velho, piscinas abandonadas, poças de água?  Para esses, os agricultores já nos ensinaram há muito que a pulverização aérea com aviões ou drones resolve o problema.  Aí está a sugestão que este artigo disponibiliza como alternativa para exterminar com o Aedes Aegypti e até mesmo com o mosquito Anopheles causador da malária: a pulverização aérea via aplicação de larvicida, como é feito na Flórida, nos Estados Unidos, ou inseticida apropriado, como o já aplicado via fumacê ou outro indicado pelos técnicos competentes.  Seria utilizado em situação de emergência, em municípios em que as doenças se tornaram epidêmicas. Os mosquitos, nos espaços abertos, estarão expostos ao inseticida lançado pelos aviões ou drones e serão eliminados.  E quanto às larvas que estão dentro da água?  Elas serão eliminadas pela aplicação de larvicidas via aviões pulverizadores ou drones.  É evidente que a periodicidade das aplicações, altitude do lançamento, velocidade da aeronave, tipo e dosagem do inseticida ou larvicida serão informações, recomendadas e exigidas pelos técnicos do Ministério da Saúde.  
Como a pulverização do inseticida ou larvicida seria efetivada?   O Ministério da Saúde autorizaria e disponibilizaria recursos para as prefeituras contratarem as empresas de aviação agrícola ou outra com a capacitação adequada na realização de pulverização aérea de inseticida e larvicida.
Após essa primeira fase de pulverizações aéreas nas cidades em situação epidêmica, deve-se estender esse programa aos outros municípios com índices elevados dessas doenças até sua completa extinção.   Não se está pretendendo nada de extraordinário.   Está-se apenas sugerindo a aviação para substituir o “exército de mata mosquitos” de Oswaldo Cruz que no início do século XX erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e em grande parte do Brasil.
Deve-se ficar claro que nos municípios em que a doença não atingiu patamares alarmantes, os métodos modernos de controle biológico, o saneamento e os métodos tradicionais de combate ao mosquito devem ser incentivados.
Inúmeras desculpas existem para não se usar a aviação para acabar com a dengue, a febre amarela urbana, a chicungunha, a febre zika e a malária.  Uma delas é a da resistência adquirida pelos mosquitos.  Mas, sabe-se que mosquito morto não apresenta resistência.  Outra desculpa é a do custo da aplicação, mas se um fazendeiro consegue fazer aplicações periódicas para acabar com uma praga ou doença, uma prefeitura também pode fazê-lo.  Todas essas desculpas e outras não mencionadas, ante uma situação de epidemia em que pessoas estão morrendo em número alarmante e crescente e outras tantas sendo acometidas pela microcefalia são apenas demonstrações de incompetência administrativa e descaso com a saúde da população. 



[1] Professor Titular voluntário da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

sábado, 9 de fevereiro de 2019

A Última Peça – Karina Heid


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


819 (06-02-2019) – A Última Peça – Karina Heid
            Esse é um livro muito bom de ler, bem escrito, numa linguagem original.  A história de amor de um casal de adolescentes, Bia e João Pedro, dura seis anos até que Beatriz trai seu namorado, um rapaz perfeito, com seu chefe, editor da revista da qual ela era colunista. Ela se engravida e procura João para ajudá-la.  Mas ele, apesar de apaixonado, tocava sua vida com outra namorada.  Beatriz os vê juntos e, desesperada, dirige descuidada pensando na perda que se causara. Sofre um acidente e, após várias semanas hospitalizada, retorna à vida, amnésica em relação aos últimos seis anos.   Descobre que suas fotos íntimas de amor com João foram postadas na internet e tem de mudar de Vitória.   Muda para São Paulo e vai se entrevistar na Editora Alpina com Pedro Lima.  Ele a reconhece, mas ela amnésica, não.  O resto é uma história recheada de elementos psicológicos e de uma belíssima discussão sobre o amor.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

The Black Orchestra – JJ Toner

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

818 (20-01-2019) – The Black Orchestra – JJ Toner
             Nas primeiras horas do dia 14 de outubro de 1939, a inexpugnável defesa da base naval inglesa de Scapa Flow no arquipélago Orkney foi quebrada pelo submarino alemão U47.  Navegando com grande competência, a tripulação do submarino torpedeou e afundou o gigante destroier Royal Oak e o cruzador Repulse. O U47 retornou a sua base no mar mediterrâneo sem ter sido detectado.
            O resto do livro trata da rede de contra espionagem denominada The Black Orchestra, que se iniciou como uma confraria de colegas jogadores de xadrez na universidade.  Após a universidade, todos trabalhando em altos escalões do governo, não aceitando as atitudes do Terceiro Reich, decidiram se organizar para salvar a Alemanha e destruir o governo nazista. 
            A história começa em março de 1940 no gabinete de Kurt Müller, da Abwehr, que traduzia para o alemão as mensagens enviadas via código Enigma pelos espiões alemães espalhados na Inglaterra e Irlanda entre outros destinos. O principal boicote feito pela agremiação foi não divulgar para o Reich que os ingleses haviam quebrado o código Enigma.  Assim, os alemães continuaram utilizando o código, o que facilitava aos ingleses identificar as posições dos submarinos e navios de guerra alemães. Somente a partir da quebra do código Enigma, os ingleses perderam menos navios do que conseguiam fabricar.

            O romance de Kurt e Gudrum amarra a história, mas não me estimulou a ler os outros três livros do autor sobre o mesmo tema.

                                                        
                                                                         

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Visconde do Rio Branco-Notas para sua história – Oiliam José

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


817 (11-01-2019) – Visconde do Rio Branco-Notas para sua história – Oiliam José
            D. Irene, esposa de João Primo, emprestou-me esse livro publicado em 1952, encadernado e muito bem conservado.  Eu estava visitando a família, em Monte Celeste, em decorrência do falecimento do Sr. João Crispim Teixeira, o João Primo, meu amigo. Entre um assunto e outro, eu disse que estava escrevendo um livro cujo título seria “Monte Celeste”, onde tive um sítio por mais de trinta anos.  D. Irene, após oferecer-me algumas informações sobre o distrito, trouxe-me esse compêndio que tem sido de grande ajuda na construção histórica de lugares, paisagens e fatos.
                O primeiro capítulo trata dos primitivos habitantes da região da poaia ou ipeca, uma planta medicinal importante no tratamento de doenças das vias respiratórias. Essa área abrangia desde a Aldeia do Chopotó, hoje Visconde do Rio Branco, o alto da Serra de São Geraldo e arredores. Os exploradores, bandeirantes ou colonizadores, segundo capítulo, buscavam ouro, pedras preciosas, mas se contentaram com o comércio da poaia. Trocavam a ipeca colhida pelos índios Coroados, Coropós, Puris e Caetés por cachaça ou missangas. O primeiro desbravador da região foi o Capitão Francisco Pires Farinho que chegou à Aldeia do Chopotó em 1752. Novas levas de colonizadores invadiram a região em busca da poaia, trazendo doenças, crimes, maltrato aos índios e exploração. Os Caetés se rebelaram. Os que sobreviveram à escaramuça foram presos em uma paliçada posteriormente transformada em presídio para malfeitores, exilados políticos, e índios.  O local ficou conhecido como Arraial do Presídio por muitas décadas até ser declarado cidade com o nome de Visconde do Rio Branco.  Outro colonizador importante foi Guido Thomas de Malière, um francês que chegou ao Brasil com a corte de D. João VI, em 1808, e algum tempo depois se encontrava com a esposa no Arraial do Presídio.  Foi nomeado Diretor Geral dos Índios de Minas Gerais em 1824 com a função de apaziguar os bravios Botocudos, do vale do Rio Doce.  Faleceu em sua fazenda na Serra do Onça.  Várias histórias são narradas, completando as informações, o que torna o livro uma importante fonte de conhecimento, de leitura muito agradável.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Céu Azul - Júlio Paixão

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


816 (25-12-2018) – Céu Azul – Júlio Paixão
            É um livro de trinta e três ótimos contos e um prefácio muito bom sobre como escrever contos, de Wantuelfer Gonçalves. Os contos são tão bons que me fizeram parar a leitura de “The Black Orchestra”, de JJ Toner, que é muito bom de ler, e só retomá-la ao final de “Céu Azul”.  Na verdade são trinta e quatro contos, mas o último, exatamente o que dá título ao livro, pareceu-me fora de época: o cenário não é atual e os diálogos são pouco convincentes.  O tema retrata o ciúme respeitoso do irmão, André, dois anos mais novo, pela noiva e futura esposa do irmão, Rafael.  O casamento rico é muito bem descrito, mas transcorre sem nenhuma turbulência.  Até a Mercedes-Benz presenteada ao noivo parece natural nesse matrimônio. O fecho do conto é interessante. O buquê jogado pela noiva cai no colo de André, distraído, sentado próximo ao palco.  Ele o retém, aceitando a gozação dos amigos.  Aparece a linda Silvinha e lhe pede um ramo de flores para obter um pouco de sua sorte, lhe diz com um olhar e um sorriso que lhe parecem os de sua futura esposa.  Será?  O autor não revela.  Mesmo esse conto, visto com boa vontade, é bom; mas os outros são realmente muito melhores, sem defeito, são ótimos.