Wantuelfer
Gonçalves criou os fotopoemas como forma de expressão poética ilustrada por
fotografias. As fotos oferecem uma visão
da realidade exaltada pelos versos. O
momento atual é habitado por reis absolutistas que o autor insiste em
mostrá-los como simples mortais, corruptos, ladrões e quadrilheiros. Outros são denunciados como incompetentes, apologistas
de ideologias ultrapassadas e criminosas.
O livro apresenta esse tempo, também, como propício a boas risadas
provocadas pelas atitudes extravagantes desses reizinhos que insistem em viver
num passado de impunidade e falcatruas ocultas.
Vale a pena ler o livro. Os poemas têm a marca do Wantuelfer: alta
qualidade poética, técnica apurada, incrível capacidade de síntese, e muito bom
humor. Os poemas abaixo, mesmo não acompanhados
das fotos, atestam o descrito acima.
TALE E QUALE
Os
da casa de papel,
Casacos
vermelho-rubi,
Têm
olhos arregalados
Como
os de Salvador Dali.
Assim
também de vermelho
Os
do PT, a gentalha,
Têm
olhos arregalados
Pra
fiscalizar quem trabalha.
O
que, além do vermelho,
Caracteriza
a petralhada
São
os olhos arregalados
E
uma mente fechada.
ESTOPIM
CURTO
(Foto
de Romero Jucá)
O
pessoal lá de casa,
Com
muita preocupação,
Acha
que eu estou nervoso
Por
ter perdido a eleição
E
receitaram para mim
Muito
chá de camomila:
Pessoas
nervosas – disseram,
Com
ele ficam tranquilas.
Posso
até tomar o chá
Pra
ficar despreocupado,
Mas
minha decepção
É
com o meu eleitorado.
Fiquem
tranquilos – eu disse,
Que
não vou tocar rebu;
Quanto
ao meu eleitorado,
Eu
quero que tomem caju!