quarta-feira, 31 de março de 2021

Monte Castelo – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


842 (27-03-2021) – Monte Castelo – Wantuelfer Gonçalves

             É a primeira peça de Wantuelfer Gonçalves que leio, mas dada sua versatilidade literária deve haver outras.

O autor diz na Apresentação do livro: “Esta não é uma peça para mera diversão.  Ela objetiva... a formação de grupos de conscientização para minorar problemas sociais observados no dia a dia de nossos jovens e adolescentes, como, por exemplo, o álcool e as drogas mais pesadas, muitas vezes em decorrência da falta de atividades que os mantenham ocupados”.  

A peça é dedicada ao irmão do autor Carlito [Lito] Filho que, creio, não por coincidência, é um personagem descrito como líder comunitário que trabalhou muito com a população do Bairro Monte Castelo, em Juiz de Fora, em atividades políticas e culturais.

Os ensinamentos de Saint Germain, contidos no “O Livro Alquímico de Saint Germain”, publicado no início do Século XX, são a base teórica para a organização dos grupos de conscientização. A terapia ocupacional preconizada é, dentre outras, o teatro. Mais informações sobre Saint Germain, seus ensinamentos e o livro encontram-se nas páginas 69,70,71 e 72 da peça.

Os grupos de jovens, os grupos de ação social e os movimentos religiosos voltados para a recuperação de jovens devem atentar para essa obra.


sexta-feira, 26 de março de 2021

Hai Kais – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 



841 (23-03-2021) – Hai Kais – Wantuelfer Gonçalves

            “Ufa! Cá estamos no quinto volume de haicais. Como de costume, eles estão formatados no clássico 575, com rimas alternadas nas redondilhas menores e com rimas lineares dentro da redondilha maior, no meu preferido modelo Guilhermino”. Esta apresentação teórica permitiu-me aprender que as redondilhas menor e maior são, respectivamente, versos de cinco e sete sílabas.

            É impressionante o vasto campo de reflexões do autor sobre os temas: religião, músicas, cidades, política, sexo, natureza, mulheres, amor, humor, e filosofia. Sobre cada item ele escreve mais de dez haicais no seu estilo leve, fácil, engraçado, compacto, sintético, e direto observando uma técnica precisa de fazer poesia.  Suas reflexões são maduras e definitivas.

            Apresento abaixo, como ilustração, alguns haicais do livro.

CATEQUESE

Vem cá meu bem,

Não reclama. Jesus te ama

E eu também.

 

AMNÉSIA

Sexo me apraz,

Concordo, mas nem me recordo

Como é que se faz.

 

FEMINISMO 

Fêmina malícia,

Parece, sempre acontece

Vencer a estultícia.

 

A CURA 

A sua agrura

Tem jeito. Um amor desfeito?

Um outro cura.

 

O DUPLO

O meu des(a)tino,

Querido, creia, está contido

                                                                    No meu des(a)tino.

terça-feira, 23 de março de 2021

The Evening and the Morning – Ken Follett

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  



840 (21-03-2021) – The Evening and the Morning – Ken Follett

            Edgar, aos dezoito anos, filho de uma família de construtores de barcos, acordou de madrugada, desatracou a embarcação montada, peça por peça, por ele e viaja à Combe, visível do outro lado da baía, para se encontrar com Sunni, uma mulher que odiava o marido, e por quem se apaixonara. Haviam combinado partir do atracadouro e singrar para bem longe na costa oeste da Inglaterra até encontrar o lugar que lhe oferecera emprego, onde viveriam seu grande amor.

            Era uma quinta-feira, dezessete de junho de 997 d.C.. Edgar aproveitara uma onda para prender seu barco na areia enquanto aguardava Sunni. A alvorada destacou no horizonte a esquadra de predadores viquingues avançando para saquear o povoado. Ele correu ao convento e ajudou a alertar a população tocando os sinos. Mal armados e sem defesa organizada a vila foi arrasada, Sunni morreu em sua casa, quando se preparava para fugir, agredida por um viquingue, do qual Edgar se apossou do machado, após matá-lo. O convento e todos os bens valiosos do vilarejo foram pilhados. Quando Edgar retorna a sua casa a pé, pois seu barco fora queimado, sabe da morte de seu pai e do incêndio que destruiu o pequeno estaleiro da família e todo seu custoso estoque de madeira. O bispo Wistan oferece à família, à mãe e aos três irmãos, um pedaço de terra em Dreng`s Ferry para cultivar e sobreviver em troca de alguns animais criados por eles.

            Edgar se transforma em construtor qualificado e só esquece Sunni após conhecer Ragna, uma nobre da Normandia que vinha casar-se com o poderoso senhor feudal do distrito.

            As aventuras prosseguem, ano a ano, por dez anos até 1007.  Nesse período, o autor desvenda as injustiças do sistema feudal, a corrupção entre os nobres e o clero, mantendo o leitor em sobressalto.  As artimanhas, as perseguições, os crimes e a história são muito bem construídos.  O livro terminou, é ótimo de ler, e já estou procurando outro da série King`s Bridge.


terça-feira, 9 de março de 2021

A Dureza do Espelho – Omar Gilson de Moura Luz

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


839 (02-03-2021) – A Dureza do Espelho – Omar Gilson de Moura Luz

   

 

            O manuscrito que li em 2017 transformou-se em livro publicado pela Chiado Books.   Iniciei a leitura sorrindo: um sujeito “enfiado no ridículo conjuntinho safári... e que não se divorcia dos fingidos jeitos e trejeitos” chega a uma sala grande, onde o narrador em posição privilegiada identifica os visitantes.  “...veja como se pavoneia, ...  apesar dos rapapés, não tira os olhos das curvas de Aurora”. Continua o narrador enciumado, também tarado pela Aurora, tanto que escalou o muro da casa dela para vencer o portão trancado e visitá-la. Outros conhecidos vão chegando e o narrador, revela-lhes a vida usando técnicas literárias invejáveis pela clareza, graça e fluência do texto. As palavras do vocabulário amplo do autor são dispostas nos períodos com precisão tal que não é possível substituí-las. Mas se isso não bastasse, as reflexões do autor sobre a morte, a vida pós morte, a busca por mais um pouco de vida na terra, existência da alma, Deus e os poderes de Deus, a doutrina espírita, na forma como são apresentadas, engrandecem o livro.    As estórias são várias e diversas, a maioria refere-se a mulheres. Por exemplo: “Houve outra que era do mesmo feitio dessa daí. Era uma mulher marmórea”.  Que permite ao autor o seguinte diálogo: - “Você diz que gosta, mas não demonstra, não emite um único murmúrio. Essa frieza, essa falta de prazer, é só comigo?” - “Não, com todos os que tive.” - “E quantos foram? -  perguntei” – “Não sei, perdi a conta”.

Surpreendeu-me alegremente o desfecho do livro, mas vou deixá-lo aos curiosos. O romance é muito bom e impressiona pela criatividade literária do autor.