quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Não Verás País Nenhum - Ignácio de Loyola Brandão

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

786 (08-11-2016) – Não Verás País Nenhum – Ignácio de Loyola Brandão

Esse Esse livro foi escrito em 1981 e mostra como o Brasil foi transformado em um grande deserto por governos corruptos e população mal informada, apática e reprimida por forças policiais elevadas à segunda mais alta classe social do país.  A propaganda governamental enganosa revelava grandes projetos e utilizava os meios de comunicação para insuflar a população de mentiras grandiosas que repetidas tornavam-se aceitáveis.  Assim as florestas foram destruídas e o solo transformado em deserto para atrair turistas para o grande deserto do Brasil.  Os rios secaram e as hidrelétricas foram substituídas pelas termoelétricas, as chuvas quando caiam eram ácidas.  A população foi confinada: os miseráveis em grandes lixões, os pobres em barracos, os funcionários públicos em apartamentos pequenos e a elite em condomínios fechados de luxo. 
           A solução para o sol inclemente e escaldante foi construir uma grande marquise para onde a população de desabrigados foi transferida sem alimentos, em espaço exíguo de tal forma a reduzir a sua expectativa de vida para semanas ou poucos meses e abrir espaço para outras levas de gente. O país foi dividido e vendido a diversos países para instalarem sua indústria poluidora e automatizada ao ponto de não empregarem ninguém da região. A população vivia em circunscrições vigiadas.  A divisão do país e as regiões isoladas geraram um congestionamento insolúvel e os carros foram abandonados nas autopistas que se tornaram inúteis.
 
           A estória do livro principia com o Sousa e a Adelaide comentando sobre os barulhos de sirenes contra incêndio durante a noite.  Sousa sai para o trabalho e descobre um furo na mão por onde passava a luz marcando o solo. E monologa sobre como o país se transformou nesse desastre ecológico, social e humano. Discute as mudanças climáticas, o aquecimento global e a falta de água gerados pelo descuido ambiental de décadas.  O desastre foi tão grave que as famílias como a de Sousa e Adelaide e todas as outras optaram por entregar os filhos em grandes navios para serem criados em outros países com melhores condições.  Mas como nunca receberam cartas deles, a princípio desconfiaram e depois se conscientizaram de que os navios foram afundados com os milhares de passageiros.  Essa foi mais uma obra social propagandeada por muito tempo até que as famílias a aceitaram. 

          Não é um livro bom de ler devido ao monólogo insistente e pessimista sobre o destino do país. Mas é brilhante em prever os desastres políticos, ecológicos, humanos e sociais decorrentes de governantes e políticos corruptos, incompetentes e gananciosos. 

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hereges - Leonardo Padura

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


(eBook) HEREGES            784 (30-09-2016) – Hereges – Leonardo Padura


            A estória do livro começa em Havana em 1939.  O tio de Daniel Kaminsky, Joseph, o acordou para irem ao porto receber o navio em que chegariam da Alemanha seu pai, mãe e irmã, judeus, fugindo do nazismo. A corrupção gananciosa dos oficiais da alfândega em Havana impediu que o navio aportasse.  Como os judeus não conseguiram outros países que os aceitassem, retornaram à Alemanha para morrerem nos campos de concentração nazistas. Os próximos capítulos se passam na Holanda dos anos de 1640 e descrevem as liberdades concedidas aos judeus, que lhes permitia trabalhar e enriquecer.  Por outro lado, narra como a congregação dos rabinos limitava essas liberdades.  Por exemplo, um judeu não poderia ser um pintor, mesmo trabalhando na prestigiosa escola de Rembrandt. Isso obrigou o jovem e muito promissor pintor, Elias Ambrosius, a fugir da Holanda para a Polônia, onde presenciou os grandes massacres de judeus pelos rebeldes cossacos e tártaros.  Esses rebeldes desejavam o poder dos senhores feudais e príncipes que eram aliados, por suas dívidas, aos judeus. Os judeus, por sua vez, eram odiados pelos servos por serem cobradores dessas dívidas.  Atar as pontas da estória exigiu do autor retornar à Cuba dos anos 2000 e descrever em detalhes, que me pareceram prolixos, as sociedades dos emo e freak. Mas o livro termina com uma carta escrita por Elias Ambrosius, assinada apenas por EA, para seu mestre Rembrandt, descrevendo os horrores dos pogroms poloneses contra os judeus.  Elias viajava para a região da Criméia de onde pretendia embarcar para a Palestina ao encontro de um religioso que se autoproclamava messias. 
 Os pontos positivos do livro estão na redação abrangente que vai do nazismo à rejeição dos judeus nos portos americanos, à descrição da vida dos judeus na Holanda liberal dos anos de 1640 e de como os rabinos ortodoxos holandeses reprimem a arte praticada pelos judeus, e à frustrante viagem em busca dos autoproclamados messias que em pouco tempo se revelam uma fraude.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Equador – Miguel Sousa Tavares


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



Equador
574 (2005) Equador – Miguel Sousa Tavares
               Esse é um dos cinco melhores livros que já li.  É muito bom de ler, traz informações históricas muito relevantes sobre o período final do reinado em Portugal, mostra o envolvimento diplomático para coibir a escravidão em São Tomé e Príncipe, o sistema administrativo das colônias portuguesas e a capacidade administrativa dos portugueses.  Após a leitura desse livro, não sobrará nenhum dos estereótipos criados pelos brasileiros sobre os portugueses.  Infelizmente fiz poucas anotações, mas recomendo enfaticamente a leitura desse livro.

            Luiz Bernardo viaja a Vila Viçosa para encontrar-se com o rei D. Carlos, de Portugal, que o convida para ser o governador das ilhas de São Tomé e Príncipe.  A sua tarefa seria antecipar-se à chegada do cônsul inglês, que iria verificar se o tratamento aos trabalhadores nas fazendas de cacau cumpria com os acordos internacionais. Portanto, ele deveria conseguir que os administradores das fazendas corrigissem o tratamento aos trabalhadores nas roças de cacau para que não parecesse e não fosse escravagista.  Mas não recebe apoio do governo português, seu trabalho é boicotado por funcionários do governo fora de sua influência, e é enganado pela sua amante, a mulher do cônsul inglês, com o trabalhador salvo por ele dos maus-tratos sofridos na ilha do Príncipe.  Sente-se fracassado, humilhado, e perdido num processo administrativo irresponsável; e se mata.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Espião que Saiu do Frio – John Le Carré


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

782 (13-07-2016) – O Espião que Saiu do Frio – John Le Carré
            Li esse livro, escrito em 1963, pretendendo conhecer mais sobre a “guerra fria”.  Acrescentou muito pouco ao que aprendi lendo “A Ponte dos Espiões”.  Até mesmo sobre os serviços de espionagem inglês, o Circo da Piccadilly e da Alemanha Oriental, a Abteilung, que são apresentados detalhadamente no livro, fica-se em dúvida sobre o que é realidade e o que é ficção.  Fica-me a impressão de que tudo é ficção e muito longe da realidade. Sobra, portanto, a estória do livro muito bem tramada.  No inicio tem-se Leamas, o chefe dos espiões ingleses na Alemanha, num posto de controle, na Berlim ocidental, aguardando a saída de um alemão que espionava para os ingleses. O espião chega ao posto de bicicleta, à noite, passa pela alfândega alemã e outros controles e pedala para atravessar a fronteira.  Ouvem-se ordens gritadas, ele pedala freneticamente,  os refletores o apanham, os fuzis disparam e ele cai morto já na Berlim livre. Esse e vários outros alemães ou ingleses espionando para a Inglaterra foram presos e mortos recentemente pelo chefe da Abteilung, Mundt.  Era preciso eliminá-lo.  Leamas é preparado para se tornar o homem que iria eliminar Mundt.  Ele é atraído por Fiedler, subchefe da Abteilung e, portanto, subordinado de Mundt, e convencido, a troco de muito dinheiro a delatar o Circo de Londres. O que faz com grande sucesso para o subchefe da Abteilung.  Mas toda essa estória fora planejada para que Leamas oferecesse a Mundt, o mais importante colaborador inglês na Alemanha Oriental, o seu subchefe que havia descoberto que Mundt espionava para os ingleses. Ao final Fiedler é preso e morto por Mundt; e Leamas e sua amante Liz seriam libertados.  Mas Liz, uma judia, é morta escalando o muro de Berlim quando era puxada por Leamas. Leamas volta para salvá-la e também é assassinado.

            É um livro de boa leitura, mas não o recomendo.  A tradução não é boa, falta-lhe conteúdo histórico e contato com a realidade.  

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Ribamar - José Castello


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


781 (02-07-2016) – Ribamar – José Castello
            É uma obra de ficção tratando da relação entre pai e filho, no caso, do autor José com seu pai Ribamar. Fios literários ligam o primeiro relacionamento à relação de Franz Kafka com seu pai Hermann.  Há várias referências às obras de Kafka, mas especificamente à “Carta ao Pai”.  O livro tem uma literatura muito boa, que me parece difícil de fazer, porque se constitui de um conjunto de reflexões abstratas.  Eu o classifico entre alguns livros da literatura europeia das décadas de 1960 a 1980 em que autores como Sartre em “A Idade da Razão” e Hermann Hesse em “O Lobo da Estepe”, por ausência do que narrar, criam além do alcoolismo, problemas psicológicos em seus personagens.  A partir daí oferecem ao leitor uma sequência de reflexões abstratas, que repito, parecem-me difíceis de construir, mas que eu não gosto de ler.  Essas reflexões baseiam-se na realidade, mas não melhoram o seu entendimento nem são profundas.  São reflexões repetitivas sobre muito pouca coisa.
            A estória do livro “Ribamar” inicia-se com a presença do filho no hospital em que o pai moribundo resiste a tomar banho.  O pai falece poucos dias depois. A partir daí, o filho, que sempre se sentiu oprimido pelo pai, reflete sobre as causas desse sentimento. Ele tenta descobrir se foi a opressão do pai que o fez inseguro e gago, ou se foi a sua insegurança e seu mutismo que tornaram seu pai um opressor.  Viaja à Parnaíba, onde o pai trabalhou e ele viveu, à procura de informações para escrever o livro sobre o pai ou sobre sua relação com ele. O livro termina com a volta do autor, ou do filho José, à cidade de onde partiu.  Antes de iniciar a viagem de volta escreve uma carta ao pai, Ribamar, e a entrega à atendente do correio sem endereço.
            Esse livro ganhou o Prêmio Jabuti de melhor romance do ano em 2011.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Coisas de Cinema – Wantuelfer Gonçalves


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



779 (04-06-2016) – Coisas de Cinema – Wantuelfer Gonçalves
            Esse é mais um foto-poema do Wantuelfer em que a rima, a métrica e as fotos se unem à linguagem clara, objetiva e sintética para construir poesias de protesto contra a política e os políticos nacionais.  Os poemas são cômicos, pejorativos, hilários para descrever com maestria as coisas de cinema que se veem na política brasileira atual. Nos poemas abaixo tem-se uma ideia da arte grandiosa de Wantuelfer Gonçalves.

A VOLTA DO CIPÓ
Quem és tu, pobre perdido,
Versificador de tamancos,
Querer criticar meu partido?

Recolhe, pois, tuas rimas
Que não atingirão nosso povo.
Seremos fortes de novo,
Daremos a volta por cima.

Isto é o que sinto e acho
Seu bosta, metido a poeta.
E volta aqui seu pateta
Qu`eu não terminei o esculacho!

(Poema ilustrado com foto do Eduardo Suplicy gesticulando nervoso)

PSSST!
Este em cima de mim,
Com seu cabelo loirinho,
É o famoso Peter Thrash.
E eu estou falando baixinho,
Pois ninguém pode saber.

Quem sou eu? Sou a P. B.
E eu não sou regateira.
Não, não é P de Paloma
Nem é B de bonitona.
Sou a população brasileira.

(Ilustrado por foto de uma linda mulher em relação sexual com o Peter Thrash)

The Revenant – Michael Punke


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


780 (28-06-2016) – The Revenant – Michael Punke
            Esse livro foi a base para o roteiro do filme “O Regresso”.  O roteiro do filme pareceu-me bem elaborado por incluir o filho de Hugh Glass, que não existe no livro.  O filho de Glass é morto por John Fitzgerald, que tentava abandonar seu pai Hugh Glass, muito ferido por um urso.  No filme, esse é o elemento que justifica a vingança tramada por Hugh Glass. Também, o final do filme é mais dramático.  O filme se utiliza de algumas passagens do livro, do ambiente: o inverno na rota do Yellowstone, e do tema: a abertura do comércio de peles no oeste americano via rio Missouri chegando até o Yellowstone.  Portanto, pode-se ler o livro e ver o filme como duas obras diferentes e muito boas de ler e ver.
            O início do livro narra as fugas de John Fitzgerald e de Jim Bridger da missão que lhes foi atribuída de cuidar de Hugh Glass até sua morte e de enterrá-lo conforme os preceitos cristãos.  Para se desincumbirem dessa tarefa perigosa, cada um receberia US$ 70,00 do comandante da equipe de caçadores da Rocky Mountain Fur Companhy que se dirigiam ao Fort Talbot.  Mas, após quatro dias cuidando de Glass, que fora gravemente ferido por um urso, sem que ele tivesse morrido, Fitzgerald convence Bridger da morte de Glass, que apenas desmaiara de febre e falta de alimentação, e assusta Bridger com a informação de que os índios Arikara, inimigos dos caçadores, estavam se aproximando. Os dois fogem abandonando Glass muito ferido, após roubarem sua arma, sua faca, pólvora e instrumentos de fazer fogo.  Isso se passa em setembro, outono, de 1823, numa região próxima ao rio Grand, um tributário do rio Missouri, cuja nascente fica ao norte, mas ainda a mais de 200 milhas da confluência dos rios Yellowstone e Big Horn.  O resto do livro trata do esforço e das lutas de Glass para sobreviver e se vingar de Bridger e de Fitzgerald.  Ele inicialmente engatinha quilômetros para chegar ao forte Brazeau passando fome e frio por não ter arma para caçar ou instrumento para fazer fogo. Aos poucos ele melhora e caminha mancando, passa por uma aldeia Arikara que fora atacada e destruída pelos índios Sioux.  No encontro com esses índios ele é levado ao pajé da tribo que o trata dos ferimentos ainda mal cicatrizados e do enxame de bernes que se alojaram nos ferimentos. Finalmente chega ao forte Brazeau. Posteriormente ele embarca, como caçador, com um grupo de franceses que pretendem atingir a região do Yellowstone subindo o rio Missouri e seus afluentes.  Ele chega sozinho ao Forte Talbot na noite da passagem de ano, enfrentando forte nevasca; encontra Bridger e lhe aplica uma surra, deixando-o desmaiado, mas não o mata.  Posteriormente o comandante do forte solicita-lhe levar uma mensagem a Saint Louis dizendo do sucesso na área de caça.  No caminho, ele encontra Fitzgerald no forte Atkinson e o denuncia ao comandante do forte por roubo de sua arma e faca e por desertar do forte Talbot roubando boa quantidade de peles.  Ele é julgado e condenado com uma punição pequena que irritou Glass.  Na sala do tribunal do forte, ao final do julgamento, Glass atira em Fitzgerald, mas o atinge apenas no ombro. Glass foi preso e depois liberado.

            É um livro muito bom de ler.  Ele ilustra magnificamente a colonização do noroeste americano, via abertura do comércio de peles, pelos caçadores, enfrentando o rigoroso inverno nas regiões do Yellowstone e das Montanhas Rochosas.  Peca por não mostrar a destruição da fauna, dos índios e das florestas causada por essa colonização desordenada motivada pela busca da riqueza.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

The Lost City of Z - David Grann


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

778 (27-05-2016) – The Lost City of Z – David Grann
            Em 1925, o Coronel Percy Harrison Fawcett, seu filho Jack e o melhor amigo do filho, Raleigh Rimell, partiram de Cuiabá para descobrirem a cidade perdida de Z.  Antes viajaram de Hoboken, Nova Jersey, até o Rio de Janeiro no navio SS Vauban e de trem até Corumbá e novamente de navio até Cuiabá.  As paisagens, já conhecidas pelo experiente explorador, maravilhavam seu filho e o amigo.  Em Cuiabá são comprados animais para carregar os equipamentos, utensílios e mantimentos para uma longa viagem.  Penetraram na selva, atingiram a região do Xingu, avançaram até a taba da tribo Kuikuro e partiram para encontrar a cidade perdida de Z, que deveria estar próxima, mas nunca retornaram.  Inúmeras expedições foram organizadas para encontrar os exploradores vivos ou mortos, mas não tiveram sucesso.
            Em 2008, o autor desse livro, David Grann, um jornalista, nova-iorquino, entusiasmou-se com a ideia de encontrar os restos mortais dos exploradores e a cidade perdida de Z.  Faz uma extensa pesquisa sobre os exploradores e suas explorações na Amazônia, desde Colombo, e as descreve detendo-se nas grandes populações indígenas existentes, conforme registros dos aventureiros, no período que se estende do final do século XV ao séclo XV e que foram dizimadas pela proximidade com os colonizadores europeus.  O eldorado nunca foi encontrado e nem as construções que permitiram a sobrevivência de tão grande população.  Também os exploradores vitorianos do século XIX, como Speke, que em 1858 descobriu a origem do Nilo e David Livingstone, famoso por suas explorações na África são bem documentadas no livro. 

David Grann contratou como guia um experiente explorador, Paolo Pinage, e partiram seguindo o traçado da última exploração Fawcett. Estiveram no, hoje, Parque Nacional do Xingu, e chegaram até as tabas dos Kuikuros e dos Xinguanos.  Entre os Kuikuros encontrou o arqueólogo Heckenberger, da Universidade da Flórida, que pesquisava as antigas civilizações indígenas há décadas.  Explorando nos arredores, Heckenberger mostrou ao autor e Paolo as ruínas ou construções como fossos, muralhas, estradas, passadiços elevados, e elevações que serviram de cabeças de grandes pontes.  Após dizimadas as populações, as construções viraram ruínas  que com o tempo se ocultaram sob a vegetação ou pelo efeito das inundações.    Ali estava a cidade perdida de Z, ligada por estradas e passadiços e pontes a outras cidades perdidas, tão grandes quanto Z. 
Comentário: É um livro muito bom de se ler, muito bem documentado e contendo informações muito relevante sobre as explorações arqueológicas na Amazônia.  Vale a pena ler.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Bridge of Spies – Giles Whittell


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


777 (30-04-2016) – Bridge of Spies – Giles Whittell

            O livro detalha os bastidores, os episódios pouco conhecidos, e os envolvidos na Guerra Fria que iniciou após a Segunda Guerra Mundial e avançou até a implosão da União Soviética em 1991.  Os principais líderes mundiais nesse período foram Nikita  Khrushchev, Dwight Eisenhower and John F. Kennedy. Nikita  Khrushchev foi o primeiro ministro soviético no período de 1958 a 1964 que abandonou, em 1960, em Paris, a reunião de Cúpula dos Países mais Poderosos, quando soube que foi derrubado em território soviético, no dia primeiro de maio de 1960, o avião espião U2 pilotado pelo americano Gary Powers.  Dwight Eisenhower foi o presidente dos Estados Unidos entre 1953 a 1961 que autorizou o programa de espionagem com os aviões U-2. Os personagens principais nesses fatos foram: Rudolf Abel, ou Willian Fisher, ou Agente Mark, um coronel da KGB tido como o mais experiente dos espiões soviéticos nos Estados Unidos entre 1948 e 1957.  Outro personagem importante foi Francis Gary Powers, piloto do avião U-2, empregado pela CIA e derrubado no dia primeiro de maio de 1960 sobrevoando e fotografando posições estratégicas sobre a Rússia Soviética.  Outro personagem destacado foi Frederic Pryor, estudante de doutorado da Yale University escrevendo sua tese na Free Universiy of West Berlin. Sua tese pesquisava a formação dos preços na Alemanha Oriental e ele para obter seus dados entrevistava os diretores das “empresas” ou instituições comunistas nessa região.  Após a construção do muro de Berlin, em 13 de agosto de 1961, ele foi preso como espião americano e libertado para seus pais no Checkpoint Charlie no mesmo instante em que na Ponte Glienicke eram trocados Rudolf Abel por Gary Powers em 10 de fevereiro de 1962.  William Tompkins foi o promotor designado para acusar Rudolf Abel no julgamento em 1957.  James Donovan foi o defensor de Rudolf Abel nesse julgamento e, posteriormente, o negociador no processo que culminou na troca dos espiões na Glienicke Bridge e no Checkpoint Charlie.

domingo, 24 de abril de 2016

AZTEC – Gary Jennings

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

654 (20-09-2010) AZTEC – Gary Jennings

                Um ótimo romance que conta a história e apresenta a cultura e a vida dos Mexica, desde sua origem como povo de AZTLAN, isto é, como povo Asteca, até 1531. A história, recheada pela ficção e por estórias nos períodos e eventos obscuros, é narrada por Mixtli ao bispo de Nova Espanha, no México, Frei Juan de Zumárraga.  O rei da Espanha Carlos V solicita ao bispo do México em Nova Espanha que encontre alguém para contar a história dos Astecas antes e depois dos colonizadores.  O bispo tem grande dificuldade, em 1530, de encontrar alguém que tenha sobrevivido à invasão de Fernão Cortez, em 1519, com tal conhecimento.  Isso porque a maioria da população teria morrido na guerra defendendo a cidade, ou pelas doenças como: varíola, hanseníase, cólera e tifo trazidas pelos espanhóis.  Mixtli conta a história desde que ele era criança, até seu encontro com Zyanya, o grande amor de sua vida.  Conta estórias de suas viagens passando pelo território Maya, cuja civilização já havia desaparecido.  Ele fala dos sacrifícios humanos e de como apesar de os cristãos condenarem esses sacrifícios, fazem o mesmo na inquisição promovendo a morte pelo fogo de maneira mais cruel.  Na última carta do bispo ao rei Carlos V, ele conta que Mixtli, ou como foi batizado, Juan Damasceno, morreu garroteado pela corrente de âncora e depois queimado pela inquisição.  Esse é um livro imperdível para os interessados pela história do povo Asteca e é um romance muito bom para todos os que gostam de boa literatura.

Realm of the Incas – Victor W. Von Hagen

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



569 (2005) Realm of the Incas – Victor W. Von Hagen

                As partes principais do livro são os antecedentes históricos e geográficos; os povos andinos; o Inca; e as conquistas obtidas na construção de estradas e pontes, na administração e na guerra.  Os mistérios continuam sem explicação: como trabalharam as pedras imensas com tamanha perfeição, isto é, como as cortavam e as justapunham; a escrita ou outra forma de descrever fatos e notícias existiu ou não.  O quipu, uma corda com nós, trançada em cores diferentes, seria essa forma alternativa de arquivar informações e descrever fatos e notícias?  Há até estrofes de poesias registradas pelos quipus, mas perderam-se os intérpretes e hoje não se consegue mais traduzi-los.  Atahualpa, após derrotar seu irmão Huáscar, em 1532, na guerra sucessória que se travou, e no comando de um exército de 50.000 a 80.000 homens, vai ao encontro de Francisco Pizarro, aceitando o seu convite para visitar os espanhóis ali mesmo em Cajamarca onde o sapa Atahualpa se encontrava.  Descreve-se a prisão de Atahualpa em decorrência de seu excesso de confiança ante o diminuto exército de 130 espanhóis a pé e 40 montados que o convidava.  Ele vai ao encontro do conquistador Francisco Pizarro acompanhado apenas de sua guarda pessoal desarmada.  Conta-se que após ser recebido por um sacerdote que o convida a aceitar o cristianismo e entrega-lhe uma bíblia; sem que entendesse a conversa e o livro, joga a bíblia no chão. Ante tamanho desrespeito os espanhóis avançam sobre ele e o sequestram.  Tido como Deus pelos seus súditos, o sapa ou rei dos Incas não podia ser tocado nem mesmo pela sua guarda ou por seus soldados.  Não podendo ser tocado, não havia como tirá-lo das mãos dos sequestradores que ameaçavam matá-lo e assim perdeu-se o império.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Despojos: a festa da morte na corte – Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


699 (17-11-2012) – Despojos: a festa da morte na corte – Benito Barreto
            Este é o último livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  A primeira parte desse livro descreve “A Batalha do Breu” que ocorreu entre as tropas do Vice-rei ou do Visconde de Barbacena e os garimpeiros, em torno de 300, chefiados pelo Montanha, João Costa e Zé Basílio.  Essa batalha ocorreu ainda em 1789, após a prisão de Tiradentes e dos demais inconfidentes, nas proximidades do Lago do Sumidouro, Passo da Cinza, e Cânion do Travessão.  Izidora morre nessa batalha após um tiro de canhão destruir sua posição na encosta da garganta do Travessão e fechá-la.   Os garimpeiros se dispersam e retornam aos garimpos e os soldados sem poder persegui-los retornam de mão vazias aos quartéis em Vila Rica.  Enquanto isto o padre Rolim, escondido na casa de seu irmão, que estava preso por seu parentesco com o padre inconfidente, passava os dias e as noites apaixonado pela cunhada La Tosca.  O padre era esperado pelos garimpeiros para liderá-los e dar sentido a sua luta, mas ele não apareceu, escondido como estava na cama da cunhada de quem não queria se separar.  Algum tempo depois ele também foi preso e transladado do Tejuco para Vila-Rica.   As outras partes do livro tratam do julgamento dos inconfidentes e como todos eles se humilham e pedem perdão à rainha louca.   Tiradentes, muito diferente, chama para si toda a culpa e tenta convencer os juízes de que os outros acusados são inocentes.  Apenas Tiradentes é condenado à morte na forca e a ter seus membros decepados e espalhados pelo Caminho Novo.  Os outros inconfidentes foram condenados ao degredo na África.  Essas duas partes do livro são contadas pelo padre Inácio, quem sob tortura, denunciou a casa onde Tiradentes estava hospedado no Rio de Janeiro.   O padre Inácio e o frei Lourenço, fundador do Convento do Caraça, acompanharam a execução de Tiradentes no dia 21 de abril de 1792, e a disposição de sua perna esquerda no alto da Serra do Mar no lugar conhecido como Sítio das Cebolas.   Frei Lourenço acompanha o cortejo até Vila-Rica onde a cabeça de Tiradentes é exposta no pelourinho.
            Benito Barreto recria magnificamente toda a época, a vida nas cidades do Tejuco, Vila Rica e Rio de Janeiro, as batalhas, os amores, as prisões, o processo judicial, e a execução de Tiradentes.  O texto nesses quatro livros é construído na linguagem do século XVIII e se apresenta muito convincente. 

Toque de Silêncio em Vila Rica - Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


671 (15-10-2011) – Toque de Silêncio em Vila Rica – Benito Barreto

Este é o terceiro livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  Como os anteriores, muito bem feito com o mapa da Estrada Real mostrando o Caminho Novo e o Caminho Velho por onde o ouro e o diamante das Minas Gerais eram escoados para Portugal.  As ilustrações de Januário são muito apropriadas, muito bonitas e muito bem feitas.  O livro começa tendo por título do primeiro capítulo a fala do Montanha, chefe de grande quadrilha que assolava os caminhos de Minas, preso por Tiradentes quando esse era alferes do governo de Minas, mas libertado pelo próprio Tiradentes sob promessa de   parar com os assaltos após essas frases: “...vencido estava e se rendia, mas não se queria em meu lugar... eu prendia um ladrão pequeno, para deixar livre o caminho para os ladrões do Rei passar”.   Como no segundo livro, há muita reflexão sobre a culpa e o medo da punição; a culpa e a motivação do governo para a punição; o tamanho da culpa desproporcional à punição; a culpa dos inconfidentes, o poder absoluto do Visconde de Barbacena, governador das Minas Gerais, a corrupção da polícia, a tortura ,e a morte consentida por esganadura seguida pelo enforcamento do grande poeta e inconfidente Cláudio Manoel da Costa no vão de escada da casa do contratador Rodrigues de Macedo.   O autor destaca nesse livro as viúvas, porque assim se vestem, acusando o Visconde de Barbacena pela prisão e provável morte dos maridos: Bárbara Heliodora, a ex Dorothéia e agora Marília de Dirceu e Hipólita.  Destaca o poeta Cláudio Manoel da Costa sabedor de que o Visconde de Barbacena havia abraçado a causa dos inconfidentes no início do movimento e poderia denunciá-lo aos agentes da Devassa que estavam chegando a Vila Rica.  Sabia também que o Sargento Parada havia matado sua filha e a família dela e os escravos para não ser denunciado pelo roubo na fazenda do poeta em Mariana do ouro dos inconfidentes.  Por essas duas razões foi o poeta Cláudio Manoel da Costa assassinado antes que os agentes da Devassa chegassem em Minas. 

Bardos e Viúvas – Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

656 (13-11-2011) – Bardos e Viúvas – Benito Barreto

Este é o segundo livro da tetralogia “Saga do Caminho Novo”.  O autor se detém na reflexão dos aterrorizados inconfidentes ante a repressão violenta do Visconde de Barbacena.  O padre Rolim e o líder dos garimpeiros de diamantes João Costa organizam uma resistência de mais de mil homens, mas não encontrando quem planejasse os ataques e os motivasse para o combate se dispersam.   O padre Rolim era a liderança esperada pelos garimpeiros, mas perde tempo precioso, mais de mês, trancado num quarto, fornicando com a esposa de seu irmão, à guisa de se proteger da repressão.  Os inconfidentes Cláudio Manoel da Costa, Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga, após sessões de tortura e no ambiente pestilento de suas celas foram a julgamento, mas acometidos de medo, renegaram seus sonhos de independência e acusaram Tiradentes de influência conspiratória.  As mulheres dos inconfidentes: Marília de Dirceu, Bárbara Heliodora e Hipólita Jacinta são as heroínas que desafiam as autoridades acusando-as nas praças e ruas de Ouro Preto pela prisão e morte dos maridos.  Vitórias em batalhas memoráveis, como a do Cerro, entre garimpeiros e o exército enviado para reprimi-los são descritas magistralmente no estilo peculiar de Benito Barreto.  Essas batalhas surpreendem o leitor que só via a inconfidência como uma conspiração que terminou com a prisão de todos e o enforcamento de Tiradentes.  Mas ao contrário, após a prisão dos inconfidentes, houve algumas batalhas vencidas pelos garimpeiros resistentes. O governo do Visconde de Barbacena só não foi derrubado por falta de um líder que motivasse e planejasse a tomada do poder em Minas.  A maioria dos inconfidentes morreu na prisão e os que sobreviveram foram deportados para a África.

terça-feira, 29 de março de 2016

Os Idos de Maio - Benito Barreto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

629 (10-03-2009) Os Idos de Maio – Benito Barreto

                Esse é o primeiro livro da tetralogia: Saga do Caminho Novo.  São romances históricos em que a ficção, no estilo envolvente de Benito Barreto, preenche as lacunas da história da Inconfidência Mineira.   Os fatos históricos são narrados fielmente a partir de longa e extensa pesquisa.  Nesse primeiro volume tem-se a história completa da Inconfidência Mineira narrada de forma concisa, sem muitos dos eventos espetaculares extraídos da história, das estórias e das lendas apresentados nos outros volumes.  Os Idos de Maio descreve principalmente a prisão dos inconfidentes em maio de 1789 e a vida de cada um deles.  Benito Barreto inicia-se por Tiradentes que recorda sua juventude de dentro de um calabouço na prisão da Ilha das Cobras.  Ele se lembra do escravo Isidoro que ganhou aos 15 anos, quando se iniciava na vida de tropeiro, em recompensa por salvar um desconhecido, mas futuro amigo, de uma emboscada. Isidoro era tão jovem quanto ele. Numa noite enluarada e quente de verão, após longa jornada pelas trilhas dos burros nas montanhas de Minas, Tiradentes acorda, levanta-se do couro de boi estendido no chão do pouso e contempla a paisagem, escuta os ruídos e paira os olhos no escravo que deixava à mostra, pela camisa entreaberta, um seio exuberante: não era Isidoro, mas Isidora.  Voltou a deitar-se ao lado dela e naquela mesma noite inicia-se nas artes do amor. A estória de Cláudio Manoel da Costa, poeta, advogado e fazendeiro que guardava na sua fazenda, nas proximidades de Mariana, o ouro dos inconfidentes é trágica.  Esse ouro, doado pelos mineradores para a causa da inconfidência, era parte do quinto sonegado ao governo português, e era guardada para sustentar o novo governo após a independência.  Preso e torturado, Cláudio Manoel da Costa confessa ao policial que o prendera onde estava oculto esse tesouro.  Esse policial vai sozinho à fazenda, prende a família da filha do inconfidente que morava lá com o marido e os filhos e obriga o escravo da família a revelar onde o ouro estava depositado ante a ameaça de incendiar a casa.  O que ele faz, após se apropriar de toda a fortuna e de assassinar o escravo.  Ao narrar a prisão de Tomás Antônio Gonzaga, o autor revela seu romance com Maria Dorotéia, a Marília de seus versos.  Alvarenga Peixoto é preso em sua casa em São João del Rei, às vistas de sua filha e de sua bela esposa Bárbara Heliodora.  O julgamento e o exílio dos inconfidentes que sobreviveram à prisão e o enforcamento de Tiradentes são narrados suscintamente nesse primeiro livro.  No último livro da tetralogia, “Despojos: a festa da morte na corte”, aparecem os detalhes das punições dos inconfidentes.  Esses dois livros, o primeiro e o quarto, são imperdíveis e podem ser lidos independentemente dos outros.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Fim – Fernanda Torres



Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


774 (02-03-2016) – Fim – Fernanda Torres
            O livro narra as estórias de cinco amigos no Rio de Janeiro.  Para eles, o vigor sexual era a maior virtude e as mulheres com quem ficaram, os mais importantes troféus.  Os casamentos deles começaram pela excitação sexual arrebatadora e terminaram devido a essa mesma atração, mas por outras mulheres.   Elas, por sua vez, traiam os maridos e ou ficavam depressivas.   Os cinco amigos prosseguiam unidos e participando de comemorações extravagantes infladas por drogas, excitantes sexuais, bebidas e mulheres enquanto suas vidas se desfaziam.  Nos capítulos finais, o fim de cada um deles é narrado, sendo a morte de Ciro a mais intrigante.  Ele estava acometido de câncer terminal na UTI de um hospital e convence a enfermeira/cuidadora, Maria Clara, uma bela jovem, a subir na cama, sentar-se sobre ele e excitá-lo, ao mesmo tempo, que lhe aplicava no soro um coquetel de medicamentos.  É o que teve a morte menos dramática.  Até a morte do padre Graça, o que encomendava os cadáveres dos amigos e de tantos outros no cemitério São João Batista é contada.  Ele se cansou dessa atividade executada por tantos anos e abandonou a profissão; tornou-se andarilho e chegou a Campo Grande no Mato Grosso do Sul.  Ingressou-se numa ONG que o enviou a Manicoré, no sul do Amazonas; região de conflitos entre índios e madeireiras, índios e fazendeiros, fazendeiros e grileiros e posseiros.  Um dia, após se despedir da esposa, casamento que ele mesmo havia feito com uma índia, e se preparava para visitar uma aldeia, recebeu um tiro fatal.

            Essa resenha não consegue transmitir elementos fundamentais desse livro.  Primeiro, que ele é divertido e até engraçado, mesmo tratando, em algumas partes, de temas depressivos.  Segundo, que ele descreve os costumes de uma geração ou de uma época, mas não é machista ou feminista.  E terceiro, que é um livro literariamente muito bem escrito e muito bom de ler, isto é, a autora é uma grande escritora.  

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

All the Light We Cannot See - Anthony Doerr

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 



773 (21-02-2016) – All the Light We Cannot See – Anthony Doerr

            A estória começa em agosto de 1944 quando os aviões aliados sobrevoam a cidade de Saint-Malo, na Bretanha francesa lançando panfletos conclamando a população a sair da cidade e ir para o campo e outros espaços abertos.  A cidade seria bombardeada para expulsar os últimos alemães que resistiam na cidade cercada por muralhas medievais.  Nessa cidade vivia Marie-Laure LeBlanc, uma jovem cega, muito simpática e inteligente,  de 16 anos, cujo pai fora preso pelos nazistas devido a uma denúncia falsa de um colaboracionista francês. O pai de Marie-Laure fazia medições para construir uma maquete da cidade para a filha se familiarizar com as ruas e poder se mover com mais facilidade, quando foi preso.  Nunca mais retornou, morreu num dos campos de concentração nazista.  Vivia ainda nesse prédio de seis andares o tio-avô Etienne, dono da casa, que possuía um poderoso rádio transmissor que enviava mensagens provenientes da resistência francesa aos aliados.  Talvez seja essa uma das razões porque o edifício, foi um entre poucos, que escapou com pequenos estragos do bombardeio.  O pai de Marie-Laure esculpia as casas de cada rua e ocultou na casa da rue 4 Vauborel o diamante “Sea of Flames” que trazia do Museu Nacional de História Natural, por disposição do diretor, para protegê-lo dos caçadores nazistas de pedras preciosas.  Esse diamante era temido por trazer desgraças a quem estivesse em sua posse. 
            O autor retorna a 1934, a um orfanato, num lugar chamado Zollverein, um complexo de mineração próximo à cidade de Essen, Alemanha, onde vivia Werner Pfenning e sua irmã Jutta.  Werner, aos oito anos, consegue consertar um rádio inutilizado e, estudando em livros de física, consegue entender seu funcionamento.  Passa nos exames para o Instituto Nacional de Política Educacional, em Schulpforta.  Sente a perda de amigos por perseguição dos professores, mas se vê distinguido por trabalhar no laboratório em que se procurava identificar pelo som a localização de um rádio transmissor.  Conseguem. A segunda guerra mundial avança, Werner tinha 16 anos quando alteraram sua idade para 18 e o enviam para identificar radiotransmissores da resistência nos países invadidos, até que chega a Saint-Malo. Descobre o rádio em que Marie-Laure lia trechos do livro Vinte Mil Léguas Submarinas para se ocupar, na ausência do tio-avô.  Werner decide segui-la e se apaixona pela sua simpatia, singeleza e, porque via a guerra perdida pelos alemães, decide poupá-la e a ajuda a fugir de Saint-Malo antes do combate final nessa cidade. Werner se entrega num posto de triagem americano e morre, mais tarde, quando se recuperava de uma doença não identificada, mas ainda fraco, alucinado corre para um campo minado e se explode aos 18 anos.  Jutta, com 15 anos, ao final da guerra, é convocada com mais três colegas e a diretora do orfanato a viajarem a Berlim para ajudar a produzir peças numa fábrica de armas.  Dividiam um mesmo cubículo semidestruído pelas bombas e a minguada ração que lhes era oferecida para enfrentar as dez horas de trabalho.  Um dia chegaram os russos, subiram os degraus até o cômodo, avançam sobre a comida que encontram e estupram as cinco mulheres.

            O livro retrata a guerra pelo lado das vítimas derrotadas ou vitoriosas e mostra como todos perdem irremediavelmente. Recebeu o Prêmio Pulitzer de ficção em 2015. É um livro bom de ler.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

PULVERIZAÇÃO AÉREA DE INSETICIDA PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI

PULVERIZAÇÃO AÉREA DE INSETICIDA PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI
                                                                                    Erly Cardoso Teixeira[1]
            A incompetência no combate à Dengue é evidente nas estatísticas crescentes da incidência da doença, no número de cidades em que a doença se tornou endêmica e no número de mortos pela doença. O número de casos de dengue, no Brasil, no primeiro trimestre de 2015 cresceu 240,1%, chegando a 460,5 mil casos.  Já o número de mortos pela doença, no mesmo país e período cresceu 29,0%, isto é, morreram 132 pessoas. Os dados são em relação ao primeiro trimestre do ano anterior (Ministério da Saúde).    A incompetência é alarmante pela ausência de medidas eficazes de combate ao Aedes Aegypti transmissor da dengue, da febre amarela urbana, da chicungunha e da febre zika relacionada aos casos de microcefalia.  Durante décadas combate-se a dengue no Brasil com panfletos, colheres de pó em ralos e vasos de planta e, ocasionalmente, em alguma cidade, com o fumacê. Será que não houve tempo suficiente para se perceber que esta estratégia não é suficiente ou não está correta? As práticas tradicionais de combate à dengue são úteis nos estágios iniciais da doença ou quando a praga do mosquito está controlada.  Mas, na maior parte das vezes, apenas servem ao poder público para culpar as vítimas da dengue pela doença que elas contraíram.  Servem também como uma boa desculpa para não se inovar no combate ao mosquito e acabar com a doença.  
            Especialistas da área afirmam, ora, que o Aedes Aegypti tem hábito doméstico, ora, que prefere os espaços abertos.  Portanto, é preciso atacá-lo nos dois espaços.   Os aspersores encontrados nos supermercados, devidamente recomendados pelos agentes da saúde, são importantes para eliminar os mosquitos dentro das casas.
Mas o que fazer com os mosquitos que vivem nos espaços abertos e botam seus ovos em pneus, calhas, garrafas, lixões, depósitos de ferro velho, piscinas abandonadas, e poças de água?  Para esses, os agricultores já nos ensinaram há muito que a pulverização aérea resolve o problema.  Aí está a sugestão que este artigo disponibiliza como alternativa para exterminar com o Aedes Aegypti e até mesmo com o mosquito Anopheles causador da malária.  Esses mosquitos, nos espaços abertos, estarão expostos ao inseticida lançado pelos aviões e serão eliminados.  E quanto às larvas que estão dentro da água?  Elas têm um ciclo de vida, considerando as fases de ovo, larva e pupa, de 9 a 13 dias.  Portanto, bastam três aplicações aéreas, uma por semana, na primeira fase de combate nas cidades ou bairros em que a doença se encontra em fase epidêmica para controlar ou exterminar o mosquito da dengue.  É bom saber que o ciclo de vida do mosquito do ovo até o final de sua vida é de 35 a 50 dias. É evidente que a periodicidade das aplicações, altitude do lançamento do inseticida, velocidade da aeronave, tipo e dosagem do inseticida serão informações, recomendadas e exigidas pelos técnicos do Ministério da Saúde.  
Após essa primeira fase de pulverizações aéreas nas cidades em situação epidêmica, deve-se estender esse programa às outras cidades com índices elevados dessas doenças até sua completa extinção.   Não se está pretendendo nada de extraordinário.   Está-se apenas sugerindo a aviação para substituir o “exército de mata mosquitos” de Oswaldo Cruz que no início do século XX erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e em grande parte do Brasil.
Deve-se ficar claro que nas cidades em que a doença não atingiu patamares alarmantes, os métodos modernos de controle biológico, o saneamento e os métodos tradicionais de combate ao mosquito devem ser incentivados.
Inúmeras desculpas existem para não se usar a aviação para acabar com a dengue, a febre amarela urbana, a chicungunha, a febre zika e a malária.  Uma delas é a da resistência adquirida pelos mosquitos.  Mas, sabe-se que mosquito morto não apresenta resistência.  Outra desculpa é a do custo da aplicação, mas se um fazendeiro consegue fazer aplicações periódicas para acabar com uma praga ou doença, uma prefeitura também pode fazê-lo.  Todas essas desculpas e outras não mencionadas, ante uma situação de epidemia em que pessoas estão morrendo em número alarmante e crescente e outras tantas sendo acometidas pela microcefalia são apenas demonstrações de incompetência administrativa e descaso com a saúde da população. 




[1] Professor Titular voluntário da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Maquinações - Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

772 (22-01-2016) – Maquinações – Wantuelfer Gonçalves
            Este é um livro filosófico escrito na forma de poema utilizando-se de estrofes no formato de sextilhas e de versos heptassilábicos.  Rimam entre si os versos primeiro, terceiro e último; o segundo é um verso branco; e o quarto e quinto fazem uma rima paralela no formato geral AXABBA.  O autor tenta convencer o leitor, e consegue nos temas trabalhados, que o homem não criou ou inventou nada, ele usou a inteligência, as habilidades e os conhecimentos para observar, adaptar e aperfeiçoar ou até mesmo estragar, mas não inventou.  O grande inventor ou criador foi aquele que criou ou inventou a partir do não existente ou não observável.  Assim ele passa por máquinas, instrumentos, engenharias e elementos comportamentais.  Mas sua conclusão na última estrofe é magnífica, deveras reflexiva e muito inteligente.  Seguem-se algumas estrofes do prefácio, no livro, intitulado “Argumentações” nas páginas 186, 185 e 184; é assim mesmos, pois o livro é numerado ao contrário, da página 194 até a página 0.
Neste argumento nenhum
Menosprezo pelo homem;
Isto de jeito algum!
Na arte, cultura e ciência,
Inconteste é a inteligência
E isto é senso comum.
.
.
Em tudo há muita beleza
Quando ele capta e copia;
Vai assim, com esperteza,
Modelos adaptando:
Às vezes do corpo humano,
Às vezes da natureza.
.
.
Este é, pois, meu intento:
Tentar encontrar respostas
Para alguns questionamentos.
Se o homem só copiou,
Pressupõe-se um que criou.
Esse é meu argumento.


Não espere encontrar religião no texto, mas filosofia ou como diz o autor pseudofilosofia.  E, talvez, seja bom seguir seu conselho: “...que o texto não seja levado demasiadamente a sério: ele não passa de uma grande brincadeira”, mas poeticamente filosófica.

Catamarã – Omar Gilson de Moura Luz

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


659 (17-01-2011) – Catamarã – Omar Gilson de Moura Luz

            A estória é contada por José Aparecido Antão de Oliveira, grande fazendeiro em Goiás, misto de descrente e desconfiado que só se dá a conhecer nas páginas finais do livro.  Mostra a sua vida pobre num distrito rural de Goiás, até se encontrar com a Crente e partem para uma nova vida, para encontrar o oceano.  A estória é mais uma obra-prima do autor que a constrói colocando dúvidas no leitor.  Joaquim Curvo, o jangadeiro, e a crente eram amantes? Eles morreram no catamarã? Quem seria o pai de Joaquim Curvo? A Crente teve um caso com aquele rapaz das bodas de ouro do padrinho de José Aparecido?  Livro muito bem escrito, mais fácil de ler do que Vila-nias, mas em que o autor maneja habilmente sua literatura para colocar as dúvidas do José Aparecido na cabeça do leitor.  Grande literatura, muito bom de ler.

A Janela da Casa ao Lado - Anchieta Rocha


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

660 (17-01-2011) – A Janela da Casa ao Lado – Anchieta Rocha

            Anchieta faz uma literatura magnífica de toda uma geração e que pode ser um grande sucesso nacional.  Até janeiro de 2016, o livro não havia sido publicado.  O título da versão que li era “O Sumiço das Estrelas” que foi muito bem alterado.  Ele conta a estória de um garoto de 12 a 13 anos, office-boy num escritório de contabilidade, que evolui da leitura das revistas de sacanagem para os passeios e conversas com os grupos de amigos.  Vive os conflitos entre a paixão e o amor platônico, tem as primeiras namoradas, a primeira mulher, o grande amor de sua vida, as relações inconsequentes, e supera as consequências dos atos do amor e da paixão.  É a estória de uma geração de jovens dos anos 60 em BH.  É a estória de uma geração de jovens em qualquer parte do mundo escrita de forma brilhante. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Vila-nias - Omar Gilson de Moura Luz

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

715 (05-07-2013) – Vila-nias – Omar Gilson de Moura Luz
            Lido pela segunda vez.  Está registrado sob o número 644 no último caderno de anotações.  A impressão é a mesma: um romance de um grande escritor, escrito em vernáculo erudito, isto é, com a aplicação de um vocabulário extensíssimo, mas muito apropriado; escrito com a qualidade literária de uma obra prima; repleto de reflexões muito bem inseridas no texto sobre a maldade, sobre a omissão da igreja, sobre a fome, a bondade, sobre a justiça.  As conversas do Zé de Onofre com o Alípio, na viagem de volta do seminário em Salvador para Vila das Almas, são maravilhosas.  Por exemplo, deixo apenas indicado o texto marcado no livro que está entre as páginas 146 e 148.
            Comentários sobre a primeira leitura, 644 (22-10-2010).  Esse é um livro muito bom de um escritor de grande qualidade, apesar de ser seu primeiro ou segundo livro.  As reflexões sobre a religião muçulmana e a católica, sobre Deus, os ensinamentos do Anuar sobre como fazer riqueza são excelentes.

            O livro começa com a caminhada do tabelião pela cidade durante a madrugada. A partir daí o autor vai ao passado e conta a estória do cangaceiro Possidônio, avô do tabelião, que transmite a maldade ao filho e ao neto.  Outros habitantes de Vila das Almas, que mais tarde passa a cidade de Várzea das Flores, são descritos magnificamente.  O fecho do livro foi muito bem planejado.  Após a morte de Alípio, o representante da bondade, a cidade é destruída por um terremoto que a limpa de todo o mal, não deixando qualquer vestígio de pessoas, casas ou documentos.

Mistura Fina (trovas) - Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


764 (03-07-2015) – Mistura Fina (trovas) – Wantuelfer Gonçalves

            É o melhor dos livros do Wantuelfer! A clareza das ideias, dos pensamentos, do que se quer dizer, a concisão, a beleza das rimas e a precisão da métrica estão em cada trova.  Pode ser que eu ache esse o melhor livro porque é o último que li; e isso não é incomum com os livros do Wantuelfer, mas esse é engraçado, é romântico, tem cacofonia, tem filosofia e naturalismo.  As trovas, uma em cada página, tornam o livro fácil e rápido de ler, mas elas, mesmo separadas em temas, aparecem misturadas numa mistura fina de trovas tradicionais e trovas com rimas encadeadas. Tive grande satisfação em ler esse livro e fica uma grande admiração pelo autor.