Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
860 (27-08-2022) – Araritaguaba: o Porto Feliz – Jonas Soares de Souza (org.)
As monções, grandes expedições com
oitocentas ou até mais de mil pessoas, partiam de Araritaguaba, lugar onde as
araras comem areia, hoje Porto Feliz-SP, para consolidar a fronteira brasileira
no Forte Iguatemi, próximo à cidade de Iguatemi-MS, ou em busca de ouro na
região de Cuiabá-MT. As embarcações eram principalmente grandes canoas
escavadas em um tronco de peroba, tinham 16,5 metros de comprimento e 2,80 m de
largura no centro. Transportavam 5.840 kg de carga, mantimento para oito
tripulantes e até passageiros. As
expedições iniciavam as viagens pelo Rio Tietê, se estivesse cheio, transpunham
apenas dois saltos, depois navegavam pelo Rio Paraná até o afluente Rio
Iguatemi, à direita, que subiam até o forte do mesmo nome localizado na
fronteira do Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai, em viagem de dois a três
meses. Se o destino da viagem era a região de Cuiabá (3.500 km), as
dificuldades e o tempo de navegação eram maiores. Desciam o Rio Tietê, se
estivesse vazio, transpunham dezenas de corredeiras, diversas cachoeiras,
continuavam rio abaixo no Paraná, mais largo e sujeito a perigosas tempestades,
subiam o Rio Pardo, afluente à direita e ao norte do Iguatemi, até o varadouro
de Camapuã de 15 km em que as embarcações e as cargas eram transportadas por
terra para deixarem a vertente do Paraná e entrarem na do Rio Paraguai. O
primeiro afluente do Rio Paraguai, o Rio Camapuã era raso e as canoas eram
puxadas em grande parte roçando as pedras ou o lodo do rio até próximo a sua
foz, desaguando no Rio Coxim. Desciam o Rio Coxim, difícil pelas inúmeras
corredeiras, entravam no Rio Taquari descendo-o, evitando se perderem no
pantanal mato-grossense, até atingirem o Rio Paraguai. Subir este rio era difícil, pois as zingas,
varas que empurravam as canoas, na época das chuvas não atingiam o fundo do rio
e era necessário remar com denodado esforço. As margens dos rios Taquari e
Paraguai eram infestadas pelos temidos guerreiros Guaicurus que atacavam com
seus cavalos, nas paragens das tardes, antes de anoitecer. Deixando o Rio
Paraguai, subiam o Rio Porrudos em cuja margem habitavam os Paiaguás, ferozes
guerreiros das águas, e depois pelo Rio Cuiabá até a vila do mesmo nome.
O livro relatas diversas expedições
que fracassaram por insurgência na tripulação; desastres ao enfrentar saltos e
corredeiras que destruíam as canoas; doenças que acometiam a monção; e por
ataques dos índios Guaicurus e Paiaguás. Descreve também a chegada a
Araritaguaba de expedições com muito ouro, movimentando a economia da vila.
Assim, parte da história de Porto Feliz e do Brasil está amalgamada às
aventuras das monções.
