A solução para o sol
inclemente e escaldante foi construir uma grande marquise para onde a população
de desabrigados foi transferida sem alimentos, em espaço exíguo de tal forma a
reduzir a sua expectativa de vida para semanas ou poucos meses e abrir espaço para
outras levas de gente. O país foi dividido e vendido a diversos países para
instalarem sua indústria poluidora e automatizada ao ponto de não empregarem
ninguém da região. A população vivia em circunscrições vigiadas. A divisão do país e as regiões isoladas
geraram um congestionamento insolúvel e os carros foram abandonados nas autopistas
que se tornaram inúteis.
A
estória do livro principia com o Sousa e a Adelaide comentando sobre os
barulhos de sirenes contra incêndio durante a noite. Sousa sai para o trabalho e descobre um furo
na mão por onde passava a luz marcando o solo. E monologa sobre como o país se
transformou nesse desastre ecológico, social e humano. Discute as mudanças
climáticas, o aquecimento global e a falta de água gerados pelo descuido
ambiental de décadas. O desastre foi tão
grave que as famílias como a de Sousa e Adelaide e todas as outras optaram por
entregar os filhos em grandes navios para serem criados em outros países com
melhores condições. Mas como nunca
receberam cartas deles, a princípio desconfiaram e depois se conscientizaram de
que os navios foram afundados com os milhares de passageiros. Essa foi mais uma obra social propagandeada
por muito tempo até que as famílias a aceitaram.
Não
é um livro bom de ler devido ao monólogo insistente e pessimista sobre o destino do
país. Mas é brilhante em prever os desastres políticos, ecológicos, humanos e
sociais decorrentes de governantes e políticos corruptos, incompetentes e
gananciosos.