segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Malditas Fronteiras - João Batista Melo

Malditas Fronteiras. Romance de João Batista Melo Prêmio Nacional Cidade de Belo Horizonte

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


769 (22-12-2015) – Malditas Fronteiras – João Batista Melo

            O livro aborda várias fronteiras, isto é, separações: jovens e idosos, marido e esposa, vida e morte, brancos e negros, judeus e os outros; mas destaca as que isolam os brasileiros e os alemães vivendo no Brasil antes e depois da Segunda Guerra.  No início, Erika e seu filho Hans chegam às costas brasileiras no navio Buena Esperanza fugindo de uma Alemanha nazista que assassinara seu marido judeu após destruir sua loja de livros.   O navio só consegue ancorar após separar os judeus, que não poderiam desembarcar, dos outros passageiros que finalmente seriam admitidos.  Erika decide não ir para o sul, mas para Belo Horizonte.  Erika deixou a estação e caminhou pelas ruas desconhecidas da cidade, carregando o filho num braço e arrastando uma mala pelo outro, até encontrar um menino, Valentino, e uma garota loura, Sophie que lhe informam o endereço do velho cervejeiro Konrad Petersen.  Ele era avô de Sophie, uma menina linda, loura e cega.  Erika, mais tarde, se casa com o pai de Sophie, filho de Konrad, Hermann, viúvo desde o nascimento da garota.  Também, mais tarde, com os afundamentos dos navios brasileiros pelos submarinos alemães e com a agitação promovida por grupos de alemães pró-nazistas em algumas cidades brasileiras, a cervejaria de Konrad é destruída por brasileiros revoltados, inúmeras outras lojas de alemães são saqueadas, os alemães são aprisionados, alguns em campos de concentração, como o instalado no que é hoje conhecido como o presídio de Neves.  Hermann ficou preso em Neves e saiu de lá tuberculoso e poucos meses depois morreu. Erika, seu filho Hans e Sophie foram para Santa Catarina; Konrad retornou à Alemanha e juntou-se ao irmão para lutar na resistência contra os nazistas.  Sabe-se ao final do livro que ele morreu no campo de concentração de Buchenwald, que como o de Dachau, não foi criado para receber judeus, o que só ocorreu mais tarde.  Por isso, nessa época aprisionava os oponentes políticos do governo nazista.   Valentino encontrou Sophie, nos primeiros anos do século XXI, como pianista de uma famosa orquestra alemã, por acaso, ao ler o livreto de um concerto que fora assistir.  Depois desse concerto foram a Füssen e de lá a Ettal visitar o convento por onde passara Konrad para entregar o livro antigo roubado pelo irmão de Herman, Ferdinand.  De lá retornaram ao Brasil para nunca mais se separarem.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

SUGESTÃO PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI

SUGESTÃO PARA EXTERMINAR COM O AEDES AEGYPTI  
Erly Cardoso Teixeira[1]

Aedes aegypti.jpg

"Aedes aegypti" by Muhammad Mahdi Karim (www.micro2macro.net) Facebook Youtube - Own work. Licensed under GFDL 1.2 via Commons - https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aedes_aegypti.jpg#/media/File:Aedes_aegypti.jpg
           
   A incompetência no combate à Dengue é evidente nas estatísticas crescentes da incidência da doença, no número de cidades em que a doença se tornou endêmica e no número de mortos pela doença. O número de casos de dengue, no Brasil, no primeiro trimestre de 2015 cresceu 240,1%, chegando a 460,5 mil casos.  Já o número de mortos pela doença, no mesmo país e período cresceu 29,0%, isto é, morreram 132 pessoas. Os dados são em relação ao primeiro trimestre do ano anterior (Ministério da Saúde). A incompetência é alarmante pela ausência de medidas eficazes de combate ao Aedes Aegypti transmissor da dengue, da febre amarela urbana, da chicungunha e da febre zika relacionada aos casos de microcefalia.  Durante décadas combate-se a dengue no Brasil com panfletos, colheres de pó em ralos e vasos de planta e, ocasionalmente, em alguma cidade, com o fumacê. Será que não houve tempo suficiente para se perceber que esta estratégia não é suficiente ou não está correta? As práticas tradicionais de combate à dengue são úteis nos estágios iniciais da doença ou quando a praga do mosquito está controlada.  Mas, na maior parte das vezes, apenas servem ao poder público para culpar as vítimas da dengue pela doença que elas contraíram.  Servem também como uma boa desculpa para não se inovar no combate ao mosquito e acabar com a doença.
  
Especialistas da área afirmam, ora, que o Aedes Aegypti tem hábito doméstico, ora, que prefere os espaços abertos.  Portanto, é preciso atacá-lo nos dois espaços.   Os aspersores encontrados nos supermercados, devidamente recomendados pelos agentes da saúde, são importantes para eliminar os mosquitos dentro das casas.


Mas o que fazer com os mosquitos que vivem nos espaços abertos e botam seus ovos em pneus, calhas, garrafas, lixões, depósitos de ferro velho, piscinas abandonadas, e poças de água?  Para esses, os agricultores já nos ensinaram há muito que a pulverização aérea resolve o problema.  Aí está a sugestão que este artigo disponibiliza como alternativa para exterminar com o Aedes Aegypti e até mesmo com o mosquito Anopheles causador da malária.  Esses mosquitos, nos espaços abertos, estarão expostos ao inseticida lançado pelos aviões e serão eliminados.  E quanto às larvas que estão dentro da água?  Elas têm um ciclo de vida, considerando as fases de ovo, larva e pupa, de 9 a 13 dias.  Portanto, bastam três aplicações aéreas, uma por semana, na primeira fase de combate nas cidades ou bairros em que a doença se encontra em fase epidêmica para controlar ou exterminar o mosquito da dengue.  É bom saber que o ciclo de vida do mosquito do ovo até o final de sua vida é de 35 a 50 dias. É evidente que a periodicidade das aplicações, altitude do lançamento do inseticida, velocidade da aeronave, tipo e dosagem do inseticida serão informações, recomendadas e exigidas pelos técnicos do Ministério da Saúde.  


Após essa primeira fase de pulverizações aéreas nas cidades em situação epidêmica, deve-se se estender esse programa às outras cidades com índices elevados dessas doenças até sua completa extinção.   Não se está pretendendo nada de extraordinário.   Está-se apenas sugerindo a aviação para substituir o “exército de mata mosquitos” de Oswaldo Cruz que no início do século XX erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e em grande parte do Brasil.


Deve-se ficar claro que nas cidades em que a doença não atingiu patamares alarmantes, os métodos modernos de controle biológico, o saneamento e os métodos tradicionais de combate ao mosquito devem ser incentivados.

       Inúmeras desculpas existem para não se usar a aviação para acabar com a dengue, a febre amarela urbana, a chicungunha, a febre zika e a malária.  Uma delas é a da resistência adquirida pelos mosquitos.  Mas, sabe-se que mosquito morto não apresenta resistência.  Outra desculpa é a do custo da aplicação, mas se um fazendeiro consegue fazer aplicações periódicas para acabar com uma praga ou doença, uma prefeitura também pode fazê-lo.  Todas essas desculpas e outras não mencionadas, ante uma situação de epidemia em que pessoas estão morrendo em número alarmante e crescente e outras tantas sendo acometidas pela microcefalia são apenas demonstrações de
incompetência administrativa e descaso com a saúde da população. 



[1] Professor Titular voluntário da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

O ENSINO DO PRIMEIRO E SEGUNDO GRAUS TEM SOLUÇÃO

O ENSINO DO PRIMEIRO E SEGUNDO GRAUS TEM SOLUÇÃO
Erly Cardoso Teixeira[1]

            Todo o gasto público com a educação de primeiro e segundo graus no Brasil só faz os alunos aprenderem vinte por cento do que lhes é ensinado.  Oitenta por cento dos recursos aplicados e do tempo dos professores e alunos dedicado ao aprendizado é perdido.  Isto acontece porque tudo que os alunos aprendem lhes é ensinado no quadro negro; não têm aulas práticas, não têm equipamentos ou laboratórios.  Eles aprendem apenas ouvindo o professor.  Os alunos do primeiro e segundo graus não veem, não manipulam, não trabalham os conceitos, e por isso, retêm muito pouco do que lhes é ensinado. 
O artigo premiado publicado por Mark E. Campbell, professor do Department of Aeronautics and Astronautics, da University of Washington, em 1999, no  Journal of Engineering Education com o título “Oh, now I get it!” às páginas 380-383 confirma uma parte do que foi afirmado acima quando reporta o seguinte resultado: alunos submetidos a aulas apenas expositivas apreendem apenas vinte por cento do conteúdo oferecido e o que aprendem retêm por muito pouco tempo. Por exemplo, o que lembramos do conceito de eletricidade que nos foi oferecido no quadro negro nas aulas de física do segundo grau? Muito pouco ou nada.   Já os alunos, que tiveram aulas práticas ou a oportunidade de ver o conceito acontecendo, isto é, no caso do nosso exemplo, o processo de geração e armazenamento de eletricidade via pequeno gerador e bateria, acumulam mais 30 por cento de conhecimento sobre eletricidade e retêm esse conhecimento por muito mais tempo.  Mas, se ao aluno for oferecida a oportunidade de discutir e trabalhar com o conceito, isto é, de realizar experimentos e fazer o relatório sobre o fenômeno ou conceito, ele aprende mais 40 por cento e o recorda pelo resto da vida.  E o melhor, pode aplicá-lo em exames de acesso ao terceiro grau, em atividades profissionais e em inventos.  Mas os estudantes brasileiros do primeiro e segundo graus recebem apenas aulas expositivas, aprendem apenas por ouvir o que lhes é ensinado no quadro negro.
A outra parte da afirmação oferecida no primeiro parágrafo é confirmada pelo experimento que apresento a seguir.  Nos últimos dez anos, na minha classe de 40 alunos de graduação, nos dez minutos finais de uma das aulas do semestre, faço sempre as mesmas duas perguntas.  A primeira, quem teve no segundo grau, aulas práticas semanais nas disciplinas: física, química, matemática, biologia e geografia?  A melhor resposta que tive foi de um aluno em 40; na maioria dos anos nenhum estudante levantou a mão.  A segunda pergunta, quem teve no segundo grau, aulas práticas semanais em, pelo menos, uma das disciplinas: física, química, matemática, biologia e geografia? Apenas uma vez em dez anos, cinco alunos levantaram a mão; nos outros anos, eu ficava feliz quando dois alunos diziam ter tido demonstrações práticas em uma ou outra disciplina.   Esses resultados evidenciam que os alunos de primeiro e segundo graus recebem apenas aulas expositivas e aprendem apenas vinte por cento de tudo que lhes é ensinado.  Para mim é decepcionante e lamentável confirmar a cada ano que os problemas no ensino do segundo grau, que eu cursei na década de 1960, continuam os mesmos quase cinquenta anos depois.  Esse experimento explica também os medíocres resultados obtidos por nossos alunos nos testes do Program for International Student Assessment (PISA), da OECD, quando entre 65 países (sistemas de ensino), os estudantes brasileiros são classificados entre os últimos sexagésimos; melhor apenas que os alunos de dois ou três países reconhecidamente com péssimo sistema educacional.  Esses resultados explicam também o alto grau de evasão ou a demora na conclusão dos cursos.  Aprender apenas via aulas expositivas é cansativo, dispersivo e frustrante.
A solução para a questão descrita acima está em oferecer aos alunos a oportunidade de ver e trabalhar os conceitos em aulas práticas.  Isto requer escolas em tempo integral; adaptação do currículo escolar; treinamento de professores; adaptação e, até mesmo, construção de salas de aula e\ou laboratórios para aulas práticas; construção de novas escolas e remuneração de professores condizente com o maior tempo dedicado ao ensino.
     O ensino de segundo grau tem outro defeito grave, o de preparar os alunos exclusivamente para fazerem as provas do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) ou dos vestibulares de acesso aos cursos superiores.  O aluno, que não consegue acesso a um curso superior, vê-se constrangido a enfrentar o mercado de trabalho com o pouco que aprendeu em aulas expositivas sobre português, matemática, química, física, biologia, geografia e história.  Mas, o mercado de trabalho está interessado em profissionais com treinamento em informática, em instalação elétrica, em instalação hidráulica, em construção civil, em técnicas siderúrgicas, metalúrgicas e agrícolas. 
Tem-se, portando, um conflito.  Os egressos do segundo grau não estão preparados para atender as demandas do mercado de trabalho e o mercado de trabalho demanda muito pouco do conhecimento adquirido pelos estudantes que concluíram o segundo grau.
A solução para esse problema está em transformar todas as escolas de segundo grau em escolas que ofereçam o ensino médio científico simultaneamente com o ensino profissionalizante.  O que essa mudança requer?  Primeiro, escolas de ensino médio em tempo integral com adequação dos programas analíticos; segundo, treinamento de professores; terceiro, as comunidades próximas às escolas de ensino médio, escolhem uma ou mais profissões para serem ensinadas; quarto, construção de laboratórios, salas de aulas práticas e oficinas para treinamento dos futuros profissionais; quinto, aquisição de equipamentos; e sexto, contratação de professores com a qualificação adequada. 
Aplicadas as duas soluções apontadas acima, melhores estudantes do primeiro grau chegarão ao segundo, e melhores estudantes do ensino médio irão cursar o terceiro grau.   Aqueles estudantes do segundo grau que não conseguirem acesso a um curso superior ou que não queiram continuar estudando para obterem um diploma de curso superior terão maiores oportunidades no mercado de trabalho.
A aplicação dessas duas soluções requer investimento, coordenação e decisão administrativa e política, mas protelar a sua aplicação é de todo indesejável.  A sociedade brasileira não suporta mais o argumento de que se investe muito em educação, quando é do conhecimento geral que se gasta mal. É preciso conclamar a população para um novo programa de ensino para o país e enfrentar a questão da educação. Ou se faz isso agora, ou iremos, no futuro, lamentar décadas perdidas por omissão e falta de iniciativa para resolver um problema cuja solução é conhecida.




[1] Professor Titular Voluntário da Universidade Federal de Viçosa

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

SUGESTÃO PARA ACABAR COM A DENGUE, A FEBRE ZIKA, A CHICUNGUNHA E A FEBRE AMARELA URBANA

SUGESTÃO PARA ACABAR COM A DENGUE, A FEBRE ZIKA, A CHICUNGUNHA E A FEBRE AMARELA URBANA
                                                                                    Erly Cardoso Teixeira[1]
            A incompetência no combate à Dengue é evidente nas estatísticas crescentes da incidência da doença, no número de cidades em que a doença se tornou endêmica e no número de mortos pela doença. O número de casos de dengue, no Brasil, no primeiro trimestre de 2015 cresceu 240,1%, chegando a 460,5 mil casos.  Já o número de mortos pela doença, no mesmo país e período cresceu 29,0%, isto é, morreram 132 pessoas. Os dados são em relação ao primeiro trimestre do ano anterior (Ministério da Saúde).    A incompetência é alarmante pela ausência de medidas eficazes de combate ao Aedes Aegypti transmissor da dengue, da febre amarela urbana, da chicungunha e da febre zika relacionada aos casos de microcefalia.  Durante décadas combate-se a dengue no Brasil com panfletos, colheres de pó em ralos e vasos de planta e, ocasionalmente, em alguma cidade, com o fumacê. Será que não houve tempo suficiente para se perceber que esta estratégia não é suficiente ou não está correta? As práticas tradicionais de combate à dengue são úteis nos estágios iniciais da doença ou quando a praga do mosquito está controlada.  Mas, na maior parte das vezes, apenas servem ao poder público para culpar as vítimas da dengue pela doença que elas contraíram.  Servem também como uma boa desculpa para não se inovar no combate ao mosquito e acabar com a doença.  
            Especialistas da área afirmam, ora, que o Aedes Aegypti tem hábito doméstico, ora, que prefere os espaços abertos.  Portanto, é preciso atacá-lo nos dois espaços.   Os aspersores encontrados nos supermercados, devidamente recomendados pelos agentes da saúde, são importantes para eliminar os mosquitos dentro das casas.
Mas o que fazer com os mosquitos que vivem nos espaços abertos e botam seus ovos em pneus, calhas, garrafas, lixões, depósitos de ferro velho, piscinas abandonadas, e poças de água?  Para esses, os agricultores já nos ensinaram há muito que a pulverização aérea resolve o problema.  Aí está a sugestão que este artigo disponibiliza como alternativa para exterminar com o Aedes Aegypti e até mesmo com o mosquito Anopheles causador da malária.  Esses mosquitos, nos espaços abertos, estarão expostos ao inseticida lançado pelos aviões e serão eliminados.  E quanto às larvas que estão dentro da água?  Elas têm um ciclo de vida, considerando as fases de ovo, larva e pupa, de 9 a 13 dias.  Portanto, bastam três aplicações aéreas, uma por semana, na primeira fase de combate nas cidades ou bairros em que a doença se encontra em fase epidêmica para controlar ou exterminar o mosquito da dengue.  É bom saber que o ciclo de vida do mosquito do ovo até o final de sua vida é de 35 a 50 dias. É evidente que a periodicidade das aplicações, altitude do lançamento do inseticida, velocidade da aeronave, tipo e dosagem do inseticida serão informações, recomendadas e exigidas pelos técnicos do Ministério da Saúde.  
Após essa primeira fase de pulverizações aéreas nas cidades em situação epidêmica, deve-se se estender esse programa às outras cidades com índices elevados dessas doenças até sua completa extinção.   Não se está pretendendo nada de extraordinário.   Está-se apenas sugerindo a aviação para substituir o “exército de mata mosquitos” de Oswaldo Cruz que no início do século XX erradicou a febre amarela no Rio de Janeiro e em grande parte do Brasil.
Deve-se ficar claro que nas cidades em que a doença não atingiu patamares alarmantes, os métodos modernos de controle biológico, o saneamento e os métodos tradicionais de combate ao mosquito devem ser incentivados.
Inúmeras desculpas existem para não se usar a aviação para acabar com a dengue, a febre amarela urbana, a chicungunha, a febre zika e a malária.  Uma delas é a da resistência adquirida pelos mosquitos.  Mas, sabe-se que mosquito morto não apresenta resistência.  Outra desculpa é a do custo da aplicação, mas se um fazendeiro consegue fazer aplicações periódicas para acabar com uma praga ou doença, uma prefeitura também pode fazê-lo.  Todas essas desculpas e outras não mencionadas, ante uma situação de epidemia em que pessoas estão morrendo em número alarmante e crescente e outras tantas sendo acometidas pela microcefalia são apenas demonstrações de incompetência administrativa e descaso com a saúde da população. 




[1] Professor Titular voluntário da Universidade Federal de Viçosa (UFV)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

O homem que amava os cachorros – Leonardo Padura

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

768 (28-11-2015) – O homem que amava os cachorros – Leonardo Padura

            Inicio essa resenha com os comentários de Frei Betto apresentados no início do livro.  “Essa premiadíssima obra do cubano Leonardo Padura, traduzida para vários idiomas, é e não é uma ficção. Aborda um fato real: após cumprir pena pelo assassinato de Leon Trotski na Cidade do México, Ramón Mercader refugia-se em Cuba.
            Padura narra a trejetória do homem que nunca falou e que, como militante comunista, recebeu a tarefa de eliminar Trotski.  Descreve sua adesão ao Partito Comunista espanhol, o treinamento em Moscou, as mudanças de identidade e os artifícios para ser aceito na intimidade do líder soviético.
            Este romance é como um espelho retrovisor que permite ao leitor mirar, com olhos críticos, as contradições do socialismo e porque a morte de Trotski, decidida por Joseph Stalin, contribuiu para a queda do Muro de Berlim e o desaparecimento da União Soviética.
            Mesmo para quem não se interessa pelos fatos históricos, subjacentes à narrativa de Padura, sua escrita impele a uma tensão permanente em torno dos preparativos para a realização de um crime de repercussão mundial.  São três histórias que se entrecruzam e têm como cenário União Soviética, Espanha, Turquia, França, México e Cuba.  O homem que amava os cachorros é uma primorosa obra literária, impactante, que retrata as contradições das utopias libertárias que moveram o século XX e expõe os dilemas do mundo em que vivemos”.
            Agora apresento o meu resumo.  O livro se inicia na Havana de 2004 com as palavras “Descanse em paz” no enterro de Ana, esposa de Ivan que morreria três anos depois quando o teto de seu quarto lhe caiu em cima, na sua deteriorada residência nessa mesma Havana.   Ivan deixa de herança, para seu amigo Daniel, os originais de um livro escrito a partir das revelações de um velho que ele encontrara na praia se divertindo com seus dois cães de raça russa.  Esse encontro propiciou outros encontros durante os quais esse senhor foi narrando a Ivan a estória de um amigo já falecido, mas que, pelos detalhes, Ivan reconhece que pertenciam a esse mesmo velho.  Aos poucos, sabe-se que esse velho era Ramón Mercader, o homem que amava os cachorros, mas que em 21 de agosto de 1940 acertara a cabeça de Trotski com uma picareta que o levou à morte no dia seguinte.  A partir dessa narrativa e pesquisas em diversas fontes, Ivan faz anotações que se transformam no livro que ele deixa ao amigo Daniel.  Mas a estória e a história narradas nesse livro começam em 1905, quando Trotski e Lênin construíam a revolução bolchevique de 1917.   Com todas as dificuldades, devido à pressão dos exércitos americanos, ingleses, franceses e japoneses que não queriam a vitória dos revolucionários russos, os bolcheviques, a revolução avançava a partir das vitórias do exército vermelho criado e comandado por Trotski.  Mas Lênin morre em 1924 e assume o poder Joseph Stalin.  Discordâncias internas de um Trotski que via o futuro da revolução na sua internacionalização e do governo que centrava sua atenção no governo doméstico, mais fácil de concentrar esforços e poder, causaram a destituição de Trotski de todos os poderes e de seu exílio, inicialmente para o Cazaquistão, depois para a Turquia, para a Noruega e finalmente para o México, onde seria assassinado.  Ao longo da narrativa e do desenrolar das tramas como o do Julgamento de Moscou, do apoio da União Soviética à Guerra Civil espanhola, da vida em Cuba e da influência de Moscou na esquerda internacional, o que mais se destaca são as mentiras, os falsos apoios, as prisões injustificadas, as torturas para que o torturado revele o que o torturador lhe obriga a confessar, as decisões de quem deve viver sob o terror do medo ou deve morrer.  Stalin teria matado mais de 20 milhões de russos nas prisões geladas do arquipélago Gulag na Sibéria, nos paredões de fuzilamento, nas salas de tortura e por encomenda como a morte de Trotski e tantos outros como seus dois filhos e inúmeros amigos e simpatizantes de suas ideias. 

            Fica-me a impressão de que o exposto nesse livro deve cobrir de vergonha todos os que acreditaram, em alguma medida, no comunismo e no socialismo russos. Pior para os que creram no comunismo e no socialismo exportados pela União Soviética.  E o arrependimento irremediável dos que prenderam, torturaram, mataram, roubaram e lutaram em nome da falsidade comunista ou socialista e da ilusão propagandeada pelo regime soviético?  Esse livro não deixa pedra sobre pedra dessas ruínas que foram a União Soviética e o comunismo propalado por ela.

The Physician – Noah Gordon


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

637 (26-09-2009) The Physician – Noah Gordon

              Rob J. Cole brincava na rua dos Carpinteiros em Londres e cuidava de seus oito irmãos em 1021.  Sua mãe morreu dando à luz seu oitavo irmão, seu pai faleceu pouco depois e seus irmãos foram distribuídos às famílias amigas.  Rob encontrou a Barber (barbeiro), um tipo de médico prático, e viajou boa parte da Inglaterra aprendendo medicina prática.  Alguns anos depois viajou à Pérsia para estudar medicina na melhor universidade da época em Ispahan.  Na viagem, encontrou Mary Cole que seria sua esposa.  Estudou medicina com Ibn Sina e Al Juzani.  O xá foi seu amigo, mas fez um filho em Mary, que o permitiu para salvar a vida de Rob.  Rob passava por judeu para ser aceito na Madrassa, a escola, lugar onde os cristãos não eram aceitos.  Após a morte do xá e a invasão da Pérsia e de Ispahan, Rob, sua esposa e seus dois filhos retornaram a Londres.  Ele começava a fazer sucesso como médico quando foi reconhecido como judeu por alguém que o havia encontrado em Ispahan.  Teve que fugir de Londres perseguido pela inquisição e pela acusação de ser judeu.