terça-feira, 18 de junho de 2019

Até breve, mamãe – Anchieta Rocha

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


824 (15-06-2019) – Até breve, mamãe – Anchieta Rocha
            A primeira versão resumida e menos elaborada desse livro intitulava-se “Meus Amores”.  Eu o li em 2009. Nessa versão, recém-publicada, muito bem impressa, com capa bonita e ampliada com cartas do estudante da UFV para a mãe, a irmã, um amigo e para a tia; e deles para o rapaz, lutando para sobreviver em Viçosa, o autor traça a vivência de uma família pobre, abandonada pelo pai, residindo em Serra Morena, dois dias de viagem distante, e do aluno pobre na UFV. As histórias são contadas pelas cartas. O estudante reside no alojamento, antigamente disponível para os pós-graduandos, é motoboy de uma lanchonete à noite.  Nas cartas ele conta a história de uma cliente da lanchonete de quem só conhece as lindas mãos que recebem o pedido. Ela se escondia atrás de uma abertura do tipo alçapão que só se abria por dentro, ao lado da porta. Teria sido uma atriz famosa desfigurada por um acidente.  Conta o caso do pai de um colega da universidade que, um dia, passa por ele dirigindo seu carro coberto de flores por ter sido guardado debaixo de um flamboyant florido.  Poucas horas depois o amigo lhe solicita ir ao local do acidente com o pai. Lá estava o carro numa larga valeta a alguns metros abaixo da estrada com as rodas no chão, coberto de flores, como um túmulo.  As cartas revelam que Selminha, sua irmã, se engravida e torna-se mãe solteira, a mãe adoece sem que ele possa visitá-la, o amigo é preso por tráfico de droga.  Chega o dia de sua formatura, participa apenas da colação de grau, e sente a futura perda dos amigos e colegas da universidade e da lanchonete.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Mensagens do Vento – Aldo Saettone

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

626 (13-01-2009) – Mensagens do Vento – Aldo Saettone
            É muito bom de ler. Faz uma revisão bibliográfica da história e da cultura angolana muito esclarecedora e agradável de ler.  Mas, Esse livro é um romance e, portanto uma obra de ficção. Angola foi descoberta pelo comandante Diogo Cão e apossada por Portugal em 1482.  A história do livro começa em 1969 quando um jornalista brasileiro é enviado pelo seu jornal para cobrir a Guerra de Independência de Angola (1961-74).  Angola ficou independente de Portugal e teve empossado seu primeiro presidente Agostinho Neto em 11-11-1975.  Lá estavam o jornalista brasileiro e as delegações de Portugal, Brasil, Rússia, Cuba e África do Sul.  Cuba e Rússia apoiavam o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), partido do presidente Agostinho Neto.  A África do Sul, financiada em parte pelos Estados Unidos, apoiava a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), liderada por Jonas Savimbi. Outro grupo relevante na luta pela independência foi a Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA). Os três grupos buscando o poder se desentenderam e promoveram a Guerra Civil Angolana (1975-2002), saindo vencedor o MPLA.
            O jornalista brasileiro mudou-se de Luanda para Huambo e conta a história de Lupe, a enfermeira portuguesa, e dos médicos cubanos Andrês e Ciboney.  Lupe, trabalhando num hospital do governo, portanto do partido MPLA, por ajudar a dois foragidos da UNITA, foi aprisionada e estuprada pelo assessor do comandante do MPLA.  Os médicos Andrês e Ciboney para vingar Lupe criaram uma forte infecção no ânus e na genitália do assessor.  O general assessor descobriu a trama, depois de recuperado, e organizou um estratagema para ter a médica cubana em suas mãos, e a estuprou. Ciboney morreu no campo de batalha ao ser abandonada pelo general assessor a quem ela teve que atender com leve ferimento. O general, devido ao seu leve ferimento, foi internado no hospital em que o médico Andrês era o cirurgião chefe. Por coincidência ou planejado por Andrês, o leve ferimento do general estuprador infeccionou e os médicos Andrês e Isaque amputaram sua perna, após o que anestesiaram sua língua e amarraram-no à cama e comunicaram-lhe que ele iria morrer.  Ele se esganou tentando gritar e mexer sem consegui-lo e debateu-se até morrer. Outras histórias são relatadas até que a Guerra Civil termine em 2002.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

A Transparência do Tempo – Leonardo Padura

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


823 (10-06-2019) – A Transparência do Tempo – Leonardo Padura
            Leonardo Padura é um autor cubano nascido em 1955.  Sua obra prima é “O Homem que Amava os Cachorros”, um romance realmente espetacular. Ele ficou conhecido pelos romances policiais. “A Transparência do Tempo” é um romance policial histórico publicado em 2018.  O amigo Bobby contrata o ex-policial, atualmente detetive particular, Mario Conde para encontrar uma imagem de Nossa Senhora negra carregando um menino Jesus também negro furtada de sua casa de marchand rico. O enredo do livro se desenvolve em torno da imagem que teria sido levada da África para a Catalunha no Século XIII pelos cruzados ou pelos cavaleiros templários.  Num vilarejo da Catalunha a imagem opera milagres, mas as guerras entre senhores feudais destroem o povoado e a imagem é resguardada pelos cavaleiros templários e aparece na cidade de São João de Acre, ou apenas Acre, onde os cruzados, remanescentes de derrotas sofridas em Jerusalém, são exterminados pelos muçulmanos convocados pelo sultão Khalil al-Ashraf em 18 de maio de 1291.  A imagem protegida pelo templário Antoni Barral chega ao mar e o ajuda a flutuar até o navio do grão-capitão Roger de Flor e retorna a Espanha.  Séculos depois a imagem chega a Cuba e é apropriada por Bobby, amigo de Conde desde o pré-universitário, hoje um rico marchand. Aí entra a parte policial e o detetive Mario Conde.  Esses capítulos são pouco agradáveis, mas são interessantes porque os personagens percorrem as favelas de Havana e os quase palácios de uns poucos ricaços.  É impressionante pelos diálogos e comentários criticando o desastre social e econômico de Cuba sob o governo comunista.  A impressão que se tem é que o autor residiria fora de Cuba, mas não, como se pode observar no trecho da entrevista a Emiliano Urbim do jornal O Globo apresentado abaixo:
Em seus livros, artigos e entrevistas, Padura não omite as contradições do regime de Raúl Castro; em troca, o governo faz o que pode para atrapalhá-lo — o que, no caso de Cuba, é bastante. As editoras (todas estatais) evitam reimprimir suas obras; as universidades (todas públicas) o ignoram; a imprensa (100% oficial) não o procura.
— Em Cuba, sou invisível — resume.