quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A Guerra do Paraguai – Luiz Otávio de Lima


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


    
804 (11-12-2017) – A Guerra do Paraguai – Luiz Otávio de Lima
            Publicado em 2016, esse livro, muito bem documentado, apresenta os fatos históricos limpando-os de ideologias e de revisionismos favoráveis ou contrários aos militares, aos paraguaios, aos brasileiros.  O autor narra a história da amante de Francisco Solano Lopes, Elisa Lynch, sem inibição, naturalmente, em bom texto literário.  O autor considera todas as circunstâncias antecedendo o conflito, como a invasão do Uruguai pelo Brasil, apoiando o movimento de oposição liderado por Venâncio Flores; as disputas territoriais envolvendo o Brasil, a Argentina e o Paraguai; o interesse pela livre navegação nos rios da Prata, Paraná e Paraguai; e o desejo do Paraguai por fronteiras amplas e definitivas. Mas, credita aos pedidos de socorro do governante uruguaio, Atanásio Aguirre, ao Paraguai, contra a invasão brasileira, um dos principais motivos para o ditador Solano Lopes declarar guerra ao Brasil em 13 de dezembro de 1864 e invadir o país pelo Mato Grosso em 27 de dezembro de 1864 e por Uruguaiana em 1865; a Argentina, por Corrientes, em 18 de março; e o Uruguai, agora sob o comando de Flores e contrário aos paraguaios, no mesmo ano.  A guerra só terminou em primeiro de março de 1870 com a morte de Solano Lopes em Cerro Corá.  O autor informa que no conflito morreram 150.000 pessoas entre civis e militares nos quatro países.
            É um livro muito bom de ler e indispensável para conhecer os feitos dos militares e dos civis, os antecedentes e as consequências desse conflito. 

Amor, Crime e Castigo – Wantuelfer Gonçalves


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


803 (11-12-2017) – Amor, Crime e Castigo – Wantuelfer Gonçalves

            Wantuelfer Gonçalves conta essa história num poema em estilo de cordel com rimas e métrica muito bem dispostas tornando o texto muito agradável de ler.  A arte inigualável do autor faz os versos parecerem fáceis e as estrofes, muito elegantes, a ponto de o leitor não se dar conta da mágica artística.
            A história de amor entre Antônio Martins e Manuela Bitencourt acontece em fins da primeira metade do Século XX na região de Araponga.   Antônio era comerciante ambulante transportando as mercadorias nos burros de sua tropa pelas estradas de São Miguel, Ervália, Araponga, São Vicente do Grama, Estouro, Fervedouro, São Bento e Pedra do Anta; era casado e pai de filhos.  Nas suas viagens dormia sob o telhado de algum curral ou ao relento, se o tempo era firme.  Seu Neco, fazendeiro grande e bondoso, tinha fazenda na Serra do Brigadeiro. Reconhecendo o esforço e a honestidade de Antônio, convidou-o a se hospedar na sede da fazenda sempre que passasse nas vizinhanças.  Manuela era filha do seu Neco, e se encantou com a conversa do comerciante e com os casos contados por ele. Os olhares furtivos levaram aos beijos ocultos, aos encontros escusos, e à migração, no meio da noite, entre os quartos.  Manuela engravidou e esperou com ansiedade o retorno de Antônio.  Ele era a única pessoa a quem ela poderia contar e somente ele poderia encontrar a solução.  Combinaram que ele a resgataria na próxima semana.  Antônio apareceu numa noite de muita chuva e fugiram serra acima.  A escapada foi descoberta ainda pela manhã, quando Manuela não fez o café; os rastros de dois cavalos denunciaram a fuga e o malfeitor.  Seu Neco chamou seus homens de confiança e ordenou que trouxessem a moça e matassem o sedutor que abusou de sua confiança fazendo mal a sua filha.  Os dois foram encontrados numa clareira, quase na vertente da serra.  Manuela foi atada à sela de um dos animais e trazida para a fazenda, enquanto os outros jagunços torturaram o homem que desrespeitou a filha do fazendeiro que lhe deu guarida, pouso e confiança.  Antônio foi encontrado por amigos, morto com os braços quebrados, com furos de faca na bexiga e na barriga, sem as orelhas e com várias perfurações a bala.  Os amigos o sepultaram em local esconso e, anos depois, em 1952, seus restos mortais foram transferidos para a capela, hoje em ruínas, que se destaca no alto da Serra do Brigadeiro.  A capela é conhecida como a Ermida do Martins e atrai romeiros solicitando a intervenção do Antônio para ajudar-lhes em seus casos de amor.  Muitos alcançam a graça solicitada como atestam as velas de agradecimento nas reentrâncias da construção.  

A Queda - Diogo Mainardi

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


802 (10-12-2017) – A Queda – Diogo Mainardi

            O primeiro período do livro é: “Tito tem uma paralisia cerebral”.  Tito é filho do autor.  Ele apresentou essa deficiência devido a um erro médico no parto causado pela obstetra dottoressa F., no Hospital de Veneza que fora instalado no prédio da Scuola Grande di San Marco em 1808.  Esse erro gerou uma ação judicial que condenou o hospital a pagar uma indenização de três milhões de euros a Tito.
             O autor vai narrando os progressos e quedas do filho e aproveita para denunciar o charlatanismo na ciência médica exemplificado por Tommaso Rangone, a maior autoridade da Scuola Grande di San Marco, na época, que publicou em 1550 o manual médico “Como o Homem Pode Viver Mais de 120 Anos”.  Esse manual continha orientações nutricionais absurdamente estúpidas. Depois o autor comenta, maravilhado, os arquitetos e a arte dos monumentos venezianos; descreve os pintores e os escritores desde o renascimento até os dias atuais; e se revolta contra algumas ideias europeias envoltas em auras de filosofia e ciência, como as que difundiram as práticas da limpeza étnica que teria condenado Tito à execução.

            É um livro muito interessante e de leitura agradável.