quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Los ojos del tuareg - Alberto Vásquez-Figueiroa

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


      827 (15-11-2019) – Los ojos del tuareg – Alberto Vásquez-Figueiroa
            Gacel Sayah, o filho mais velho de Gacel Sayah, o personagem espetacular do ótimo livro Tuareg, lidera sua família, vivendo em tendas, no mais inóspito e recôndito espaço do deserto do Saara. Fugiam das perseguições e discriminações provocadas pelo feito de seu pai.   Ele e sua família construíram com grande dificuldade, tempo e trabalho, no meio do nada, um poço que produzia água suficiente para eles e para os animais: umas poucas cabras e camelos.  Era o que tinham de mais valioso.
            Uma competição, no estilo Paris-Dacar, mas partindo do oeste africano, atravessando todo o deserto do Saara até Cairo, teve parte de seu percurso mal traçado levando os carros a passar pelo acampamento tuareg de Gacel Sayah.  O primeiro grupo de carros perdidos solicitou a água escassa do poço encheu os cantis e lavou os parabrisas dos carros com ela.  O segundo grupo de veículos queria água para os radiadores e não obteve. Nervoso um dos motoristas, Marc Milosevic, encheu um galão de óleo e atirou-o no poço tornando sua água imprópria para beber e condenando o acampamento à morte ou a migrar para aonde não imaginava Gacel.
            Pela tradição tuareg a hospitalidade solicitada era uma garantia de hospedagem e proteção, mas esse grupo não a solicitou, ao contrário, apontou armas para os beduínos e acelerou para o próximo ponto de encontro. Mais três carros chegaram ao acampamento e foram feitos reféns, para garantir que Marc Milosevic retornaria para cumprir a lei tuareg, ter uma das mãos decepada.
            O autor escreveu esse livro para denunciar os crimes cometidos contra a população tuareg: invasão do acampamento pelas polícias do país em que se encontravam, forçando sua migração; desrespeito às suas tradições; perseguições motivadas pela discriminação racial, destruição de seus bens por grupos diversos sob pretexto de competições, ou por considerar o deserto como terra de ninguém.  É bom de ler, mas não se aproxima do outro romance “Tuareg”.