Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
869 (15-04-2023) – O Filho de Osum – Decio Zylbersztajn. São Paulo, Editora Roformatório, 2019. 192 p.
Preta Lina é confirmada como filha
de Osum no candomblé do Bom Retiro em 1893. A Ialorixá lhe diz que irá
encontrar “no caminho alguém que gosta de se mirar no espelho e se encher de riquezas”.
Anna Lea, judia, tinha 18 anos, em
1938, quando é enviada ao Brasil para fugir dos horrores da guerra que se
aproximava. Amigos dos pais dela aceitam a colaboração de Jos para organizar
sua viagem e para acompanhá-la de Wageningen, na Holanda, até a estação central
de Amsterdam, não sabendo que Jos é um traficante de mulheres e contrabandista.
Ela seguirá sozinha de trem até Paris e de lá até Marselha, onde tomará um
vapor para o porto de Gênova. Nessa cidade, ela embarca no Bahia Blanca, um cargueiro
decrépito argentino com algumas cabines coletivas para hospedes, após receber
os documentos para entrar no Brasil pelo porto de Santos.
Anna Lea encontra outras quatros
moças assustadas na cabine 18, a sua. Na segunda noite, um tripulante, com
uniforme roto e manchado, cheirando a álcool, abre a porta do compartimento e
chama por Miriam. Ela é levada e estuprada. Na noite seguinte, o mesmo
marinheiro e um companheiro arrastam Anna Lea e Guita para suas cabines. O mesmo
drama vivem as outras duas jovens nas noites seguintes e, todas elas, durante o
tempo que dura a viagem.
Cornelius e Jos, em 1941, ajudam a
resistência, levando informações e recebendo instruções do comando em Antuérpia,
na Bélgica, navegando pelo Rio Schelde no barco Veza até que a guerra termina
em 1945. Jos vê oportunidades de negócios no Brasil e vai residir em São Paulo
na casa do prostíbulo da cafetina Anna Lea. Ela o recebe como se ignorasse sua
atuação no tráfico de mulheres, e trama com Déborah, marchand no Rio de
Janeiro, outra que viveu a tragédia negociada por Jos, sua destruição.
Jos traficando pedras semipreciosas
para Antuérpia se enriquece. Preta Lina o encontra na casa de Anna Lea e lhe
mostra o abismo que se abre a sua frente. Anna e Deborah cumprem o planejado, a
polícia descobre seu crime e ele tem que fugir do Brasil tão pobre como chegou.
O prostíbulo de Anna Lea é fechado,
o bairro cresce e se desenvolve, ela monta uma bela livraria na sua casa. Déborah
retorna a Antuérpia e comercializa pedras semipreciosas e obras de arte.
Neste livro, Décio Sylbersztajn
navega no drama da guerra vivido nos países invadidos, e se aprofunda na tragédia
dos judeus e outros migrantes forçados a se aventurarem mundo afora.
