segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Cordel Missionário – Wantuelfer Gonçalves


 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

891 (23-12-2024) – Cordel Missionário – Wantuelfer Gonçalves. Viçosa, MG: O Autor, 2023. 252p.

            Este livro é um presente de Natal que o Wantuelfer trouxe para mim. Sou-lhe muito agradecido. É sempre muito bom admirar a grandeza da qualidade literária do autor, especialmente neste livro em que um texto em prosa é vertido para poemas de cordel.

            A apresentação do livro traz informações relevantes sobre a obra e por essa razão transcrevo-a abaixo.

            “Esta obra é uma cordelização do pensamento do Papa Francisco, exposto na sua Exortação apostólica, publicada em 2013, primeiro ano de seu pontificado. Lá, o Papa defende uma evangelização praticada com alegria e não por mera obrigação. Discorre sobre a evangelização e sobre o caráter missionário da Igreja na divulgação do Evangelho. Aqui, o autor reescreve a obra em estrofes características da literatura de cordel, trabalho realizado como forma de fixação do conteúdo lido. Desta forma, este trabalho deverá ser considerado tão somente como um mero exercício de versificação.”

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quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Alguns versos tristes tisnados de gracejos – Marcelo R. L. Oliveira

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


889 (04-12-2024) – Alguns versos tristes tisnados de gracejos – Marcelo R. L. Oliveira. Caravana Grupo Editorial, Ouro Preto, 2024. 71 p.

            É um livro de poesias intrigantes! Deve ser lido verso por verso, com atenção, para captar toda a arte poética do autor. Os poemas merecem leitura cuidadosa para apreender os sentidos e as nuances filosóficas, imagéticas e sentimentais expostos em cada estrofe. Cada poema esconde uma surpresa, algumas literárias, outras não, e são tristes, alegres e capciosas.

            A nota de Branca Maria de Paula, na orelha da capa, só é compreensível após a leitura do livro, mas é estimulante e, por isso, transcrevo-a abaixo.

            “A poesia de Marcelo Oliveira, soberana, está no Olimpo, está no brejo onde o poeta, à espreita, apropria-se das onomatopeias para compor seu quadro enigmático. Leitor anfíbio, rasteja ele entre termos sombrios... feito um sapo cego que ouve a mosca e lança a esmo a língua grossa, logrando acidentalmente captá-la, rendido ao prazer. Em “O lado de cá” uma paisagem perfeita se revela no sonho, mas o negrume da noite de repente se impõe, cristalizando-se em poesia. Um “hipercubo” furta-cor cruza o espaço-tempo enquanto a Lua ia cheia, levando o leitor a seguir a trajetória não euclidiana do poema. Uma vez disparado, não se pode saber a quem atingirá. Mas o poeta, cioso da decadência e da velhice que ele precocemente ressalta, incita: sigam em frente, meus genes, conquistem o que não conquistei, inventem uma nova história. E lembrem-se: se não fosse o cê-cedilha, (eu) trabalharia na roca e viveria da caca.”

            Muito bom livro!

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domingo, 1 de dezembro de 2024

Fabián e o caos – Pedro Juan Gutiérrez

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


888 (29-11-2024) – Fabián e o caos – Pedro Juan Gutiérrez. Editora Schwarcz, Rio de Janeiro, 2016. 195 p.

            Pedro Juan Gutiérrez, no seu estilo direto e objetivo, tem uma visão escatológica da vida em Cuba. Seus personagens convivem com a miséria, casas em ruínas, ambiente de trabalho corrompido e degradante, e vida sexual abjeta.

            Lucía e Felipe, em busca de um futuro rico, vieram de Madri para Matanzas em 1926. Felipe trabalhando arduamente tornou-se dono da loja o tio e abriu a camisaria Cugat. Estava rico aos cinquenta e cinco anos. Lucía descobriu-se grávida aos quarenta e quatro anos, e em 1950 nasceu Fabián. Ele ouvia a mãe ensaiando e tocando piano na escola fundamental quando ainda estava no útero e depois em sua companhia. Após a chegada dos revoltosos de Sierra Maestra à capital, Havana, em 1959, Fabián continuou seus estudos de música no conservatório até ser considerado, devido a sua homossexualidade, inadequado para a arte musical e foi enviado à fábrica de enlatados. Trabalhou na área de produção, carregando panelas quentes e lavando o chão, mais tarde foi transferido para a seção de abate, mas fazia vômito sobre as carcaças enlameada de fezes dos porcos e novamente foi deslocado, agora para a área de cortes. Um dia um colega mais alto e mais pesado que ele o convidou para uma escapada. Fabián não resistiu e o acompanhou até o espaço onde as entranhas dos animais aguardavam o caminhão para retirá-las. O cheiro era nauseabundo, alguns casais faziam sexo no chão, aproveitando a folga do almoço. Fabian teve apenas que se inclinar e apoiar as mãos, com os braços encolhidos, na parede, mas não conseguiu evitar alguns choques de sua cabeça no muro.

            Felipe viu seu dinheiro, depositado nos bancos americanos, esvanecer quando eles foram estatizados. Mas ele guardava em casa a sua fortuna, mais de quinhentos mil pesos, com a qual pretendia comprar um terreno na Espanha. Mas, no dia 4 de agosto de 1961, uma sexta-feira, o governo anunciou a mudança de moeda. Cada pessoa podia trocar duzentos pesos em dinheiro e depositar até dez mil pesos no banco e fazer saques de no máximo cem pesos por mês. Produzia-se a equalização da miséria. Mais do que isso estava perdido. Todo seu trabalho e a sua fortuna estavam arruinados. Quando as lojas de Felipe foram nacionalizadas e fechadas, ele chegou em casa antes do almoço. Não dormiu à noite e amanheceu com o lado direito paralisado e perda de memória. A casa grande e bem construída resistiu inteira até que um tufão jogou o pé de abacate do vizinho sobre a cozinha. A ruína avançava gradativamente.

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quinta-feira, 7 de novembro de 2024

Haicais: oitavo volume – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


887 (31-10-2024) – Haicais: oitavo volume – Wantuelfer Gonçalves. Viçosa, MG: O Autor, 2024. 241 p.

            Wantuelfer Gonçalves é um dos melhores poetas brasileiros, é proficiente e, talvez, o mais fértil, com cento e poucos livros, principalmente de poesias, publicados.

Impressiona a capacidade do autor de escrever poemas claros, com pensamento completo dentro de uma moldura restritiva: tercetos em que o primeiro e o terceiro versos são pentassílabos e o segundo tem sete sílabas poéticas, o primeiro verso rima com o terceiro, e no segundo a primeira palavra rima com a última. Os haicais são classificados em dez seções e todos são titulados.

O resultado do trabalho do autor é uma leitura atraente e agradável e a impressão de que fazer haicais é muito fácil, mas ela só resiste à primeira tentativa. Vejam abaixo alguns haicais.

HUMM!

Monoteísmo?!

Humm! Se há três em um

É politeísmo.

 

SOBRA

O mar de manhã

Se revoltou. Só sobrou

Um catamarã.

 

NA LATA

Ave Eva, meu

Amorzão! Ave Adão!

Ela respondeu.

 

DEDUÇÃO

Pois eu já dei conta

Maninho: todo espinho

Já nasce de ponta.

 

SEM FÉ

Lá estava eu,

Assim, pr’ela dar fé de mim.

Ela nem fé deu!

 

FINALMENTE

Valeu a espera,

Gente, pois finalmente

É primavera.


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segunda-feira, 28 de outubro de 2024

Cinéfilo 2 – Roberto D`Arte

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


886 (25-10-2024) – Cinéfilo 2 – Roberto D`Arte, Editora Cajuína, SP, 2023. 83 p.

             As “Entrelinhas filosóficas em obras cinematográficas”, subtítulo do livro, enriquecem as resenhas dos filmes com um elemento intelectual de grande relevância.

            Na crônica sobre o filme “A vila”, Roberto D’Arte convoca o filósofo inglês Thomas Hobbes (1588 – 1679) para dizer que “o ser humano não nasce com o instinto de sociabilidade”. Por isso torna-se importante a existência de uma sociedade política organizada para que ele se interaja e contribua para o bem comum.

            A resenha do filme “Expresso do Amanhã”, um trem com 1001 vagões transportando cerca de três mil seres humanos em busca de um lugar para sobreviver no planeta pós-apocalíptico, é muito bem escrita. O autor busca nos filósofos Jean-Paul Sartre (1905-1980) e Schopenhauer (1788-1860) o tom pessimista quanto ao futuro da humanidade, representado pela terra destruída e pelo trem viajando sem destino. O autor conclui a resenha com uma reflexão otimista e política: “O trem ... é a prova de que nenhuma catástrofe ... será capaz de fazer a humanidade se construir em torno da igualdade de classes e de uma divisão justa das condições matérias necessárias a uma sobrevivência digna.”

            Nessas crônicas há muitos temas capazes de proporcionar boas discussões.

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domingo, 20 de outubro de 2024

Cinéfilo – Roberto D`Arte

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


885 (18-10-2024) – Cinéfilo – Roberto D`Arte, Editora Cajuína, SP., 2018. 122 p.

             O subtítulo “Entrelinhas filosóficas em obras cinematográficas” explica muito do conteúdo. As crônicas, ilustradas com cenas de filmes, são muito bem escritas. Algumas narrativas flutuam sobre os filmes, incluindo a ficha técnica deles, e daí extraem elementos filosóficos de autores famosos. Os leitores, que assistiram aos filmes recordam maravilhados as passagens e se surpreendem com os conceitos filosóficos aos quais estão associados. É uma incitação a rever filmes como Spartacus, Matrix, A paixão de Cristo, O ano em que meus pais saíram de férias, e ver alguns menos destacados como Por um fio, O Curioso caso de Benjamin Button, Encontro marcado... Outras crônicas partem de uma mensagem filosófica e desaguam num filme que a ilustra perfeitamente, é o caso de Um dia de fúria.

            Lendo Cinéfilo, o leitor se diverte recordando filmes vistos, ao tempo que aguça sua memória com elementos filosóficos muito atraentes. O certo é que Roberto D`Arte, numa roda de discussão de cinema, literatura e filosofia, sempre será o centro de convergência dos debates.

            Foi muito bom ler Cinéfilo! 

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sábado, 12 de outubro de 2024

O Grito Amarelo - José Vecchi de Carvalho

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


884 (11-10-2024) – O Grito Amarelo - José Vecchi de Carvalho, Editora Ipêamarelo, Itajaí, 2024. 126 p.

            São quatorze contos diferentes e não têm mais que dez páginas. Os temas são encantadores, muito bem escritos no estilo claro, conciso, e preciso do autor. São engraçados, tristes ou saudosos. Todos conduzem o leitor ao amor platônico da adolescência, à primeira namorada, à querida professora do ensino fundamental ou médio, às peladas nos campos empoeirados, às brigas com um ou outro colega, aos amigos do futebol, do cinema e de uma ou outra traquinagem, à tristeza das separações, às vivências diferentes como a da namoradinha com quem ia de mãos dadas para a escola, e que, adulta, é induzida à prostituição pela mãe.

            Todos os contos têm grande relevância admiravelmente construída pela arte literária do autor, e são emocionantes. Vale a pena conferir.


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