Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
882 (08-09-2024)
– Escravidão III: da independência do Brasil à Lei Áurea. Laurentino Gomes, Globo
Livros, Rio de Janeiro, 2022. 592 p.
Uma lei aprovada no parlamento
brasileiro em 1831 proibia o tráfico de escravos, mas a lei “não pegou”, isto é,
não foi cumprida e passaria para a história com o apelido de “lei para inglês
ver”. Posteriormente aprovaram-se, em
1850, a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu, com sucesso, a importação de
escravos; a Lei do Ventre Livre, em 1871; a Lei dos Sexagenários, de 1885; e a
Lei Áurea, em 1888.
A abolição da escravatura ocorreu
após muita luta dos escravos, como a Revolta dos Malês na madrugada do dia 25
de janeiro de 1835 que mobilizou 600 africanos nas ruas de Salvador, deixando
ao final dos combates mais de 70 mortos e centenas de feridos. Anteriormente, O
Quilombo dos Palmares (1692 – 1694) foi um centro de resistência que teria
reunido mais de 20 mil cativos foragidos, na Serra da Barriga, PE. Foi
destruído pelo bandeirante Domingos Jorge Velho e sua tropa formada por
milhares de homens. Zumbi dos Palmares, o último líder do quilombo, após a
derrota, foi caçado e morto em 1695.
Os abolicionistas reunidos em
organizações, partidos, ou sozinhos, no exercício de sua profissão de advogados,
poetas e jornalistas foram muito relevantes. Assim, tem-se Luiz Gama, vendido
pelo pai como escravo. Tornou-se rábula e usando como argumento a Lei de 1831,
calcula-se que tenha ajudado a libertar cerca de 500 pessoas; Joaquim Nabuco,
cosmopolita reformador em um país de analfabetos; José do Patrocínio, filho de
um padre, tornou-se farmacêutico e jornalista; André Rebouças, que se descobriu
negro tardiamente quando já era engenheiro e havia construído a estrada de
ferro ligando Curitiba ao porto de Paranaguá. As ideias de Rebouças incluíam
não apenas o fim da escravidão, mas o acesso à terra e a direitos para que os
ex-escravos fossem integrados à sociedade; Castro Alves, o autor do poema “Navio
Negreiro”; Maria Tomásia Figueira Lima, primeira presidente da Sociedade das
Cearenses Libertadoras; Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, que em
1881, comandou em Fortaleza uma greve de jangadeiros que transportavam escravos
para navios que os levariam para outros estados do Nordeste e do Sul do Brasil;
entre outros. Entre as formas de resistência à escravidão, estavam grandes
embates parlamentares, manifestações artísticas, revoltas e fugas massivas de
escravos.
Proibido o tráfico internacional,
persistiu o contrabando interno, entre as províncias, dos escravos. Em estados
do Norte e Nordeste o plantel de cativos reduziu-se ao ponto de o Ceará e o Amazonas
abolir a escravidão quatro anos antes da Lei Áurea, em 1884.
Nos estados do Sudeste, em que
floresciam as grandes fazendas de café, a dependência da mão de obra escrava impôs
grande resistência política, policial e comercial à abolição. A família
imperial, sendo abolicionista, via-se entanguida pelo suporte recebido dos
grandes fazendeiros, e demorou até o dia 13 de maio de 1888 para assinar a Lei Áurea.
Um ano depois, abandonada pelos fazendeiros poderosos, foi exilada do Brasil e
a república, proclamada.
Muito bom livro de agradável
leitura, farto de informações e registros pouco conhecidos.
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