sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Maquinações - Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

772 (22-01-2016) – Maquinações – Wantuelfer Gonçalves
            Este é um livro filosófico escrito na forma de poema utilizando-se de estrofes no formato de sextilhas e de versos heptassilábicos.  Rimam entre si os versos primeiro, terceiro e último; o segundo é um verso branco; e o quarto e quinto fazem uma rima paralela no formato geral AXABBA.  O autor tenta convencer o leitor, e consegue nos temas trabalhados, que o homem não criou ou inventou nada, ele usou a inteligência, as habilidades e os conhecimentos para observar, adaptar e aperfeiçoar ou até mesmo estragar, mas não inventou.  O grande inventor ou criador foi aquele que criou ou inventou a partir do não existente ou não observável.  Assim ele passa por máquinas, instrumentos, engenharias e elementos comportamentais.  Mas sua conclusão na última estrofe é magnífica, deveras reflexiva e muito inteligente.  Seguem-se algumas estrofes do prefácio, no livro, intitulado “Argumentações” nas páginas 186, 185 e 184; é assim mesmos, pois o livro é numerado ao contrário, da página 194 até a página 0.
Neste argumento nenhum
Menosprezo pelo homem;
Isto de jeito algum!
Na arte, cultura e ciência,
Inconteste é a inteligência
E isto é senso comum.
.
.
Em tudo há muita beleza
Quando ele capta e copia;
Vai assim, com esperteza,
Modelos adaptando:
Às vezes do corpo humano,
Às vezes da natureza.
.
.
Este é, pois, meu intento:
Tentar encontrar respostas
Para alguns questionamentos.
Se o homem só copiou,
Pressupõe-se um que criou.
Esse é meu argumento.


Não espere encontrar religião no texto, mas filosofia ou como diz o autor pseudofilosofia.  E, talvez, seja bom seguir seu conselho: “...que o texto não seja levado demasiadamente a sério: ele não passa de uma grande brincadeira”, mas poeticamente filosófica.

Catamarã – Omar Gilson de Moura Luz

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


659 (17-01-2011) – Catamarã – Omar Gilson de Moura Luz

            A estória é contada por José Aparecido Antão de Oliveira, grande fazendeiro em Goiás, misto de descrente e desconfiado que só se dá a conhecer nas páginas finais do livro.  Mostra a sua vida pobre num distrito rural de Goiás, até se encontrar com a Crente e partem para uma nova vida, para encontrar o oceano.  A estória é mais uma obra-prima do autor que a constrói colocando dúvidas no leitor.  Joaquim Curvo, o jangadeiro, e a crente eram amantes? Eles morreram no catamarã? Quem seria o pai de Joaquim Curvo? A Crente teve um caso com aquele rapaz das bodas de ouro do padrinho de José Aparecido?  Livro muito bem escrito, mais fácil de ler do que Vila-nias, mas em que o autor maneja habilmente sua literatura para colocar as dúvidas do José Aparecido na cabeça do leitor.  Grande literatura, muito bom de ler.

A Janela da Casa ao Lado - Anchieta Rocha


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

660 (17-01-2011) – A Janela da Casa ao Lado – Anchieta Rocha

            Anchieta faz uma literatura magnífica de toda uma geração e que pode ser um grande sucesso nacional.  Até janeiro de 2016, o livro não havia sido publicado.  O título da versão que li era “O Sumiço das Estrelas” que foi muito bem alterado.  Ele conta a estória de um garoto de 12 a 13 anos, office-boy num escritório de contabilidade, que evolui da leitura das revistas de sacanagem para os passeios e conversas com os grupos de amigos.  Vive os conflitos entre a paixão e o amor platônico, tem as primeiras namoradas, a primeira mulher, o grande amor de sua vida, as relações inconsequentes, e supera as consequências dos atos do amor e da paixão.  É a estória de uma geração de jovens dos anos 60 em BH.  É a estória de uma geração de jovens em qualquer parte do mundo escrita de forma brilhante. 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Vila-nias - Omar Gilson de Moura Luz

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

715 (05-07-2013) – Vila-nias – Omar Gilson de Moura Luz
            Lido pela segunda vez.  Está registrado sob o número 644 no último caderno de anotações.  A impressão é a mesma: um romance de um grande escritor, escrito em vernáculo erudito, isto é, com a aplicação de um vocabulário extensíssimo, mas muito apropriado; escrito com a qualidade literária de uma obra prima; repleto de reflexões muito bem inseridas no texto sobre a maldade, sobre a omissão da igreja, sobre a fome, a bondade, sobre a justiça.  As conversas do Zé de Onofre com o Alípio, na viagem de volta do seminário em Salvador para Vila das Almas, são maravilhosas.  Por exemplo, deixo apenas indicado o texto marcado no livro que está entre as páginas 146 e 148.
            Comentários sobre a primeira leitura, 644 (22-10-2010).  Esse é um livro muito bom de um escritor de grande qualidade, apesar de ser seu primeiro ou segundo livro.  As reflexões sobre a religião muçulmana e a católica, sobre Deus, os ensinamentos do Anuar sobre como fazer riqueza são excelentes.

            O livro começa com a caminhada do tabelião pela cidade durante a madrugada. A partir daí o autor vai ao passado e conta a estória do cangaceiro Possidônio, avô do tabelião, que transmite a maldade ao filho e ao neto.  Outros habitantes de Vila das Almas, que mais tarde passa a cidade de Várzea das Flores, são descritos magnificamente.  O fecho do livro foi muito bem planejado.  Após a morte de Alípio, o representante da bondade, a cidade é destruída por um terremoto que a limpa de todo o mal, não deixando qualquer vestígio de pessoas, casas ou documentos.

Mistura Fina (trovas) - Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


764 (03-07-2015) – Mistura Fina (trovas) – Wantuelfer Gonçalves

            É o melhor dos livros do Wantuelfer! A clareza das ideias, dos pensamentos, do que se quer dizer, a concisão, a beleza das rimas e a precisão da métrica estão em cada trova.  Pode ser que eu ache esse o melhor livro porque é o último que li; e isso não é incomum com os livros do Wantuelfer, mas esse é engraçado, é romântico, tem cacofonia, tem filosofia e naturalismo.  As trovas, uma em cada página, tornam o livro fácil e rápido de ler, mas elas, mesmo separadas em temas, aparecem misturadas numa mistura fina de trovas tradicionais e trovas com rimas encadeadas. Tive grande satisfação em ler esse livro e fica uma grande admiração pelo autor.