Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
893 (20-02-2025) – Bambino a Roma – Chico Buarque. Companhia das Letras, São Paulo, 2024. 168p.
O livro conta a história da família
e principalmente do Chico Buarque no período de um ano em que viveram em Roma na
década de 1950. Nesse tempo o pai do Chico ministrou aulas numa universidade
italiana.
O romance é uma autobiografia arredondada
com ficção, é muito bem escrito, engraçado e gostoso de ler. Os trechos a
seguir são uma demonstração disso. A família parte do Rio de Janeiro e o autor
narra: “Eu não olhava a baía, mas sim a espuma que o transatlântico fazia no
mar, como que desarranjando o caminho de volta.” “Havia muita festa a bordo e
jogos no tombadilho, mas se me perguntarem do que mais me lembro, direi
francamente que só me lembro de um mar de vômito.”
Chico
Buarque descreve o apartamento em que moraram, a bicicleta niquelada com pneus
brancos com que ele percorreu boa parte de Roma, o amigo Amadeo, filho do
verdureiro, com quem jogava futebol gol a gol. Conta da falta que sentiu do
arroz com feijão e como rapidamente tomou gosto pelas massas que a cozinheira
servia todo dia no almoço.
“Foi
na escola americana, em Roma, que mister Welsh passou a mão na minha bunda.”
Isso acontecia todas as vezes que levava suas redações para serem corrigidas.
Parou de buscar a ajuda do professor.
O
livro é curto, 168 páginas, mas o último capítulo parece uma inserção para
aumentar a grossura da obra. Mas talvez seja uma construção para mostrar o
gosto do autor por Roma, ou pelo tempo que lá viveu.
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