terça-feira, 2 de agosto de 2022

As brasas – Sándor Márai

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  

 


858 (15-07-2022) – As brasas – Sándor Márai

           Li a versão traduzida do italiano para o português, mas antes o livro foi vertido do húngaro para o italiano. O romance preserva a imagem do leste europeu do fim do Século XIX descrita por Tolstoi, Gogol, Sienkiewicz entre outros.  A história dessa novela está amarrada à caçada ocorrida no dia dois de julho de 1899 quando Konrad, o melhor amigo de Henrik, às suas costas, apontou a arma para matar seu maior amigo, mas esposo da mulher que ele amava.  Henrik sentiu o gesto, não o viu, mas percebeu quando o ex-amigo desistiu de matá-lo e retornou com o fuzil para a posição de espera, apontando-o para o chão.  No dia seguinte Henrik e Krisztina, sua esposa, chegam separados, com pequena diferença de tempo, à casa de Konrad e ficam sabendo que ele viajou para o sudeste asiático em missão militar. Krisztina diz saindo:

– Era mesmo um covarde!

Esta exclamação referia-se a sua falta de coragem para matar o amigo, ou para levá-la consigo para o Oriente?  Henrik refugiou-se no pavilhão de caça e nunca mais falou com Krisztina que continuou vivendo no castelo até sua morte doze anos depois.

            Quarenta e um anos após a fuga de Konrad, Henrik recebe um bilhete dele solicitando dialogarem.  Henrik o recebe na ala nobre do castelo com a cortesia devida a um visitante ilustre. Após o jantar, Henrik quer respostas para suas dúvidas e avança até a madrugada em um monólogo em que reflete e filosofa sobre a amizade, a fidelidade e a traição. Também recorda a infância e a juventude com o amigo na escola militar de Viena, o casamento e a viagem de um ano pelo mundo e sua vida até esse último encontro com Konrad.  Seu interlocutor apenas concorda, pois os argumentos do amigo abarcam todas as possíveis respostas. Henrik apenas repete os argumentos que durante quarenta e um anos ocuparam seus pensamentos e lhe oferecem todas as explicações.  A vingança verbal pela qual esperou por tão largo tempo, Henrik a desfaz concluindo que ele e Konrad traíram Krisztina, mais do que ela a eles. Konrad por abandoná-la e aos seus sonhos, e ele, Henrik, por não a buscar para ouvir seus argumentos nos doze anos anteriores a sua morte.

            Muito bom livro! 

Memórias de um pesquisador no cárcere – Pery Francisco Assis Shikida

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  

 


859 (27-07-2022) – Memórias de um pesquisador no cárcere – Pery Francisco Assis Shikida

        Pery Shikida, economista e professor da Unioeste-Toledo, PR e seu grupo de pesquisadores: orientandos da pós-graduação, advogados, e outros profissionais entrevistam presidiários condenados por crimes econômicos em vários cárceres nas regiões do país. Esse é um mundo pouco conhecido até para os pesquisadores no início dos trabalhos. Pery coleciona os casos engraçados e dramáticos ocorridos durante as entrevistas e os publica na forma de contos pequenos no seu livro que é muito esclarecedor e muito bom de ler.