quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

Matando a charada – Wantuelfer Gonçalves

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


876(26-12-2023) – Matando a charada – Wantuelfer Gonçalves. Edição do autor, Viçosa, MG., 2023. 244p.

            O autor inova neste livro de trovas, propondo diversas charadas enunciadas sob as formas: novíssimas, alexandrinas, aferéticas, apocopadas, invertidas, mesoclíticas e sincopadas. “As trovas estão agrupadas segundo os temas abordados: trovismo, pinguismo, literalismo, religiosidade, politiquismo, romantismo, e ambiguidade”.

            Esta introdução didática facilita a identificação das trovas que mantêm o estilo fácil, leve, divertido mas sobretudo hábil e competente do Wantuelfer Gonçalves. A explicação antes de cada tipo de charada é muito relevante para desafiar o leitor a se aventurar no espaço, para muitos, desconhecido das charadas.

            Abaixo copio algumas trovas:

 

No interior a morar

Ela o mar não conhecia,

Mas num verdor que luzia

Trazia nos olhos o mar.

 

Quando sua lembrança invade

Em profundidade o meu ser,

É quando deixo de viver

E passo a morrer de saudade.

 

Enquanto você faz um auê

Pra viver num paraíso,

Eu por meu lado, conciso,

Só preciso de você.

 

As charadas necessitam do enunciado, deixo ao leitor a oportunidade de aprender a matá-las.

 Este é um livro de trovas muito bom. Lendo-o aprecia-se poesia de grande qualidade, e se diverte matando charadas.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 



875 (15-12-2023) – Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie. Companhia das Letras, São Paulo, 2011.

             Este é o primeiro romance de Chimamanda Adichie, foi publicado em 2003. A metáfora e o subentendido são elementos literários utilizados com frequência para contar três histórias: a da família rica da narradora, a da sua tia professora universitária, e a do caos governamental e político da Nigéria.

            Eugene, o pai de Kambili, a narradora de quinze anos, é dono do jornal Standart, opositor dos militares, atuais governantes do país; é empresário poderoso na indústria de alimentos; ajuda as obras arquitetônicas e religiosas da igreja atendendo ao pedido do pároco, e por isso sua magnanimidade é sempre ressaltada nas missas; e é um ídolo para o povo de sua aldeia onde vai uma vez por ano distribuindo bolsas de estudo e dinheiro. Em família, aplica os métodos de educação sofridos no seminário: bate nos filhos e na esposa e aplica castigos. É católico ortodoxo pregando e rezando antes das refeições, indo à missa todos os dias, com horários rígidos para os filhos estudarem, dormirem e rezarem. Admira os antigos colonizadores ingleses. Mas, deixa o pai na miséria, chamando-o de pagão, por ele observar a religião dos seus ancestrais. O contato de qualquer membro de sua família com seu pai é proibida ou não passa de quinze minutos na visita anual à sua vila. Kambili tem os pés queimados com água quente e jaja, seu irmão, é chicoteado por dormirem na casa da tia Ifeoma, quando seu avô passara lá alguns dias antes de morrer.   

            Tia Ifeoma, professora da Universidade da Nigéria-Nsukka ri, se diverte e discute com os filhos os temas de seu interesse. Kambili e Jaja, sempre que o pai permite, passam as férias com a tia e os primos vivenciando uma realidade alegre, desinibida, livre. E é na casa da tia que Kambili conhece o padre Amadi e se apaixona.

            O editor chefe do Standart é morto por uma bomba enviada pelo correio. Eugene envia os filhos para a casa da irmã.  Eles adoram mesmo enfrentando a crise que se abate sobre a universidade: perseguição de professores, tia Ifeoma foi demitida, falta de eletricidade e de combustível.

             O telefone toca, é a mãe de Kambili informando que Eugene, seu marido, morrera há pouco no seu escritório, na redação do jornal. Em família a mãe de Kambili revela que ela envenenara o marido, mas quando a polícia chega, Jaja se revela o assassino e é preso acusado de envenenar o pai. Kambili e a mãe visitam-no na prisão superlotada, dominada por gangs e pelos mais fortes. Trazem a notícia repetida de que ele será libertado na próxima semana.

            A autora faz dessa história uma leitura muito agradável que não é comprometida pelos defeitos de tradução. Vale a pena ler.


domingo, 12 de novembro de 2023

Mulheres de Cinza – Mia Couto

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


874 (09-11-2023) – Mulheres de Cinza – Mia Couto. Editorial Caminho, SA. / Grupo Leya, Lisboa, Portugal. 2015.

            Este é o primeiro livro da trilogia “As Areias do Imperador” sobre os derradeiros dias do chamado Estado de Gaza, toda a metade sul do território de Moçambique, o segundo maior império da África dirigido por um africano.

            “Chamo-me Imani. Este nome que me deram não é um nome. Na minha língua materna Imani quer dizer quem é? Bate-se a uma porta e, do outro lado, alguém indaga:

– Imani?”

Assim, Mia Couto inicia esse romance leve e suave como cinzas sopradas pelo vento, amplo como a savana, e profundo como o mar.

Imani conta a história de sua família na vila Nkokolani, no interior de Moçambique, entre 1884 e 1895, usando os pensamentos, reflexões e dizeres da cultura do seu povo. “Diz-se em Nkokolani que o mundo é tão grande que nele não cabe dono nenhum.” Mas, sua terra é disputada por dois pretensos proprietários: o imperador do Estado de Gaza, Ngungunyane, e o rei de Portugal, Dom Carlos I, que nenhum africano haveria nunca de conhecer. “Durante meia dúzia de anos saboreámos a Paz pensando que duraria para sempre. Mas a Paz é uma sombra em chão de miséria: basta o acontecer do Tempo para que desapareça.”

O sargento Germano de Melo é destacado para capitanear o posto de Nkokolani fronteiriço com o Estado de Gaza. Imani cresce visitando o quartel, onde seu irmão é guarda e único soldado. Moça, apaixona-se pelo sargento que lhe conta histórias do poderoso exército português que viria defender seu povo. O sargento vê Imani desenvolver-se em linda mulher, gosta de conversar com ela, e, solitário, a retém na alma.

As mentiras do português desterrado são desvendadas por Imani, lendo as cartas fantasiosas do militar, não haveria nenhum soldado para defender seu povo do inimigo.

Mia Couto consegue, neste livro, transportar o leitor para uma pequena vila, rodeada pela savana, e o hospeda na choupana de Imani, convivendo com a imensa cultura das aldeias moçambicanas.

Romance muito bom!

quarta-feira, 6 de setembro de 2023

A Grande Explosão: fragmentos – Marcelo R. L. Oliveira

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


873 (2-09-2023) – A Grande Explosão: fragmentos – Marcelo R. L. Oliveira. Penalux, Guaratinguetá, SP. 2019. 156 p.

            Marcelo Oliveira é um escritor versátil com ótimos textos em prosa e agora surpreendendo-me como brilhante poeta. O autor organiza os poemas, descrevendo a criação do universo, a formação da terra, a origem da vida, da natureza, e do Homo Sapiens. As poesias seguintes tratam da violência, do amor, da velhice, e da morte e encerra o livro com um epílogo magnífico.

            O livro é muito atraente e de leitura agradável, pois o autor apresenta seu conhecimento sobre os temas acima sustentado em conceitos de química quase invisíveis no texto, mas que sei, ele domina muito bem. Assim, as estrofes relatando a origem do universo e da vida e todos os capítulos ganham credibilidade admirável.

            Nas orelhas do livro, o professor Carlos Alberto Filgueira apresenta o seguinte depoimento: “Tenho certeza de que Marcelo compartilha dessa percepção. Seu poema A Grande Explosão é um canto nesse sentido. Nele, o autor busca conciliar as duas culturas em tons poéticos, mostrando a estética inerente à ciência, numa postura que remete a tantos clássicos da antiguidade. O resultado é muito feliz e capaz de deleitar os leitores dispostos a justapor os caminhos da literatura e da ciência”.

            As estâncias a seguir ilustram esta resenha:

 

            “Lá no começo das eras,

             Diz a teoria científica

            Que dia nem noite havia,

            Quando uma pulsão mirífica,

            De Grande Explosão chamada,

            Produziu, talvez de nada,

            Uma paisagem magnífica”.

 

            “O sucesso que engendrou

            O primeiro ser vivente,

            Pode ter sido nos mares,

            Em meio a água fervente

            Das emanações vulcânicas,

            Nas profundas oceânicas,

            Por pura sorte, acidente”.

segunda-feira, 28 de agosto de 2023

The Nightingale – Kristin Hannah

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


872 (27-08-2023) – The Nightingale – Kristin Hannah. St. Martin’s Press, New York, 2015. 585 p. (Amazon Kindle)

            Este romance, muito bem escrito e de leitura agradável, relata o sofrimento e a resistência das mulheres durante a ocupação da França pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial. Vianne, Antoine Mauriac e sua filha Sophie são felizes em sua casa de pedra, herança da família, na chácara Le Jardin até que Antoine é convocado para a guerra. O exército francês é derrotado, Antoine é preso em um campo de trabalho forçado nazista, e a Alemanha invade a França. O governo do marechal Pétain instala-se na cidade de Vichy, uma área temporariamente autônoma, mas para garanti-la, colabora com os nazistas prendendo e enviando judeus franceses para os campos de concentração Alemães. Vianne é obrigada a hospedar um militar alemão e é abusada sexualmente por ele, perde seu emprego na escola, a fome chega à sua família, adota Ari, o filho de uma amiga judia para evitar sua morte nos campos de extermínio e resiste, salvando outras quinze crianças com a ajuda das freiras do convento de Carriveau.

            Isabelle Rossignol, irmã de Vianne, rebela-se contra a vulgaridade da etiqueta imposta aos estudantes do santuário em que seu pai a alojara, após a morte de sua mãe, há dez anos. Ela, aos dezoito anos, é expulsa da escola e vai morar com o pai. Ajuda a criar a resistência francesa, protegendo aviadores ingleses e americanos derrubados sobre a França. Encontra Gaëtan e vivem um grande amor. Izabelle, a Nightingale, atravessa os Pirineus salvando mais de cem pilotos até ser presa pelos alemães. Seu pai a salva da morte, mas não dos campos de concentração.

            O colaboracionismo francês praticado no início da guerra, aos poucos se transforma em revolta ante a opressão nazista. A resistência francesa, incentivada pelo general Charles de Gaulle, é masculina e feminina, está nas frentes de batalha e nas cidades, avoluma-se até que, ajudada pelos aliados, expulsa os alemães da França.

A história não termina aí.  A guerra acabou, mas onde, como estão e o que acontece a Vianne, Izabelle, Antoine, Gaëtan, Sophie, Ari?  O romance tem um fecho emocionante.           

segunda-feira, 12 de junho de 2023

Entre Margarida e Fissuras – Izadora Laner.

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  




871 (12-06-2023) – Entre Margarida e Fissuras – Izadora Laner. Rio de Janeiro: Ases da Literatura 2022. 210 p.

            Este romance ilustra tipos de abuso e violência contra a menina Gabriela, depois adolescente, depois mulher. O narrador da história é denominado “Abuso”, mas atende pela alcunha “Violência” e se lhe aplica bem o apodo “Opressor”. “Abuso” relata a violência sofrida por Gabriela ao ser estapeada no rosto pela mãe, ao sofrer repreensão constante do namorado Guilherme, ao ser desqualificada pelo namorado Otávio até considerar-se inútil, inadequada e incapaz; sem autoestima. Finalmente, Gabriela se desgarra da maldade, espanta os fantasmas, e vai colombina brincar o carnaval e encontra João Vitor, seu pierrô. O romance permite às mulheres identificar, nas suas vivências de filha, irmã e namorada, a presença da opressão. O violador aprende a reconhecer, nas suas atitudes, o sofrimento que causa em suas vítimas.



terça-feira, 16 de maio de 2023

Redemunho – José Vecchi de Carvalho

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


870 (12-05-2023) – Redemunho – José Vecchi de Carvalho. Itjaí, SC, Editora IpêAmarelo LTDA, 2023. 147 p.
        

Esse romance é um monólogo reflexivo, introspectivo, filosófico comparável ao “As brasas”, de Sándor Márai, escritor húngaro. 

Domício, o narrador, atrás de uma janela gradeada repassa sua vida: “... a realidade me devolveu, como prêmio ou punição, o tempo e a possibilidade de flutuar em suas bordas, para observar de longe como eu sempre quis e me dedicar aos meus devaneios e às minhas lucubrações”. Morre Bino num dia que começou todo errado pela longa espera na antessala de um consultório médico e, mais tarde, pela voz de Kelly soluçando ao telefone. É a realidade invadindo seu desejo de solidão, de distanciamento, de se perder em sonhos. Ah! Existe Kelly, dona Áurea, dona Cenira, o senhor Afrânio surgindo nos momentos de contemplação na janela da água-furtada, no sobrado e na casa dos pais. Kelly vendia, na rua, seus quadros e entrou na sua vida aos poucos, mas nunca se instalou pela incapacidade de Domício de assumir a vida a dois, e pelas idas dela mais frequentes que as vindas. Kelly era otimista, decidida; Domício, sorumbático, hesitante. Às vezes, pensava em largar seu trabalho no escritório de contabilidade em que Diana, a linda filha do dono, insistia em seduzi-lo. Mas havia Kelly, os filhos, os sonhos e o salário indispensável. A realidade é cada vez mais acintosa, ocupando seus pensamentos, invadindo seus sonhos, fazendo de sua vida um redemunho.

Enredo muito bem construído, reflexões extraordinárias, grande literatura!


quarta-feira, 19 de abril de 2023

O Filho de Osum – Decio Zylbersztajn

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


869 (15-04-2023) – O Filho de Osum – Decio Zylbersztajn. São Paulo, Editora Roformatório, 2019. 192 p.

            Preta Lina é confirmada como filha de Osum no candomblé do Bom Retiro em 1893. A Ialorixá lhe diz que irá encontrar “no caminho alguém que gosta de se mirar no espelho e se encher de riquezas”.

            Anna Lea, judia, tinha 18 anos, em 1938, quando é enviada ao Brasil para fugir dos horrores da guerra que se aproximava. Amigos dos pais dela aceitam a colaboração de Jos para organizar sua viagem e para acompanhá-la de Wageningen, na Holanda, até a estação central de Amsterdam, não sabendo que Jos é um traficante de mulheres e contrabandista. Ela seguirá sozinha de trem até Paris e de lá até Marselha, onde tomará um vapor para o porto de Gênova. Nessa cidade, ela embarca no Bahia Blanca, um cargueiro decrépito argentino com algumas cabines coletivas para hospedes, após receber os documentos para entrar no Brasil pelo porto de Santos.

            Anna Lea encontra outras quatros moças assustadas na cabine 18, a sua. Na segunda noite, um tripulante, com uniforme roto e manchado, cheirando a álcool, abre a porta do compartimento e chama por Miriam. Ela é levada e estuprada. Na noite seguinte, o mesmo marinheiro e um companheiro arrastam Anna Lea e Guita para suas cabines. O mesmo drama vivem as outras duas jovens nas noites seguintes e, todas elas, durante o tempo que dura a viagem.

            Cornelius e Jos, em 1941, ajudam a resistência, levando informações e recebendo instruções do comando em Antuérpia, na Bélgica, navegando pelo Rio Schelde no barco Veza até que a guerra termina em 1945. Jos vê oportunidades de negócios no Brasil e vai residir em São Paulo na casa do prostíbulo da cafetina Anna Lea. Ela o recebe como se ignorasse sua atuação no tráfico de mulheres, e trama com Déborah, marchand no Rio de Janeiro, outra que viveu a tragédia negociada por Jos, sua destruição.

            Jos traficando pedras semipreciosas para Antuérpia se enriquece. Preta Lina o encontra na casa de Anna Lea e lhe mostra o abismo que se abre a sua frente. Anna e Deborah cumprem o planejado, a polícia descobre seu crime e ele tem que fugir do Brasil tão pobre como chegou.

            O prostíbulo de Anna Lea é fechado, o bairro cresce e se desenvolve, ela monta uma bela livraria na sua casa. Déborah retorna a Antuérpia e comercializa pedras semipreciosas e obras de arte.

            Neste livro, Décio Sylbersztajn navega no drama da guerra vivido nos países invadidos, e se aprofunda na tragédia dos judeus e outros migrantes forçados a se aventurarem mundo afora.

quarta-feira, 22 de março de 2023

A Pós-Graduação no Brasil – Ernane Corrêa Rabelo

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


868(15-03-2023) – A Pós-Graduação no Brasil – Ernane Corrêa Rabelo. Viçosa, MG: Ed.UFV, 2021. 232 p.

            Esse livro traça a história da pós-graduação stricto sensu no Brasil e, mais detalhadamente, na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Prova com documentos e depoimentos inúmeros que a primeira tese de mestrado foi defendida em 19 de dezembro de 1961 na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG), hoje Universidade Federal de Viçosa (UFV), por José de Almeida Soares sob a orientação do Professor Flávio Augusto d’Araújo Couto, na área de agronomia.

            Os primeiros programas de pós-graduação stricto sensu do Brasil, o de agronomia e o de economia rural, foram criados em 1961, na UREMG.  A primeira tese de mestrado em economia rural, hoje Programa de Pós-Graduação em Economia Aplicada, foi defendida em 1962 por Filadelfo Brandão sob a orientação do Professor Wood Thomas.

            Duas informações muito relevantes cabem da próxima edição deste livro. A primeira refere-se ao número de teses de mestrado e doutorado defendidas no Brasil ou, pelo menos, nos últimos períodos de avaliação dos programas de pós-graduação pela Capes.  Essa informação revela a importância da pesquisa gerada pela pós-graduação e pelas universidades para o desenvolvimento tecnológico do país. A segunda informação faltante é a de que a Escola de Pós-Graduação em Economia e Finanças da Fundação Getúlio Vargas (EPGE-FGV) foi criada em 1961, mas apenas como um curso preparatório para os seus egressos da graduação em economia que iriam fazer a pós-graduação nos Estados Unidos. A primeira tese de mestrado da EPGE-FGV foi defendida por Genserico Encarnação Junior, em 1967.  Na página da EPGE-FGV não consta o nome do orientador.


quinta-feira, 16 de março de 2023

Dom de Cuidar – Amaro Feliciano de Araújo

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


867(05-03-2023) – Dom de Cuidar – Amaro Feliciano de Araújo. Vitória, ES; Grafitusa, 2022. 88 p.

            Amaro tem 74 anos, nasceu no distrito Lagoa de Cima, município de Campos dos Goytacases; é negro; é médico; é dono da clínica ServMed; é admirado e amado pela família, amigos e clientes. Esse é o resumo de uma vida de superações em que uma criança pobre, negra, nascida na roça, perde o pai precocemente, a mãe lavava roupa para sustentar a família e ele catava papel para ajudar nas despesas.

            As mudanças começaram quando ele se tornou cortador de grama e depois jardineiro na casa do Dr. João de Sousa Vale.  Amaro admirava esse médico. Aos 23 anos foi contratado por ele para ser faxineiro no seu laboratório de análises clínicas, mas curioso aprendeu sobre os microscópios. Quis ser médico. Ingressou num curso pré-vestibular noturno; inteligente e estudioso foi aprovado para o curso de medicina na Emescam, em Vitória. O Dr. João ofereceu-lhe residência em Vitória, na casa em que seu filho Cid iria morar. Cid era hemofílico e precisava de acompanhamento e Amaro, que já cuidava dele quando morava em sua casa em Campos e quando estudavam no mesmo colégio fazendo o ensino fundamental e médio, era seu grande amigo.  A faculdade foi paga com o crédito educativo da Caixa Econômica Federal.

            A discriminação e as humilhações sempre o importunaram, mas foram vencidas com humildade, zelo, dedicação, determinação, fé e o dom de cuidar.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Inspirações e Pretextos – Wantuelfer Gonçalves

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


866 (26-02-2023) – Inspirações e Pretextos – Wantuelfer Gonçalves. São Paulo, SP; Lisboa, Portugal, Grupo Editorial Atlântico, Primeiro Capítulo, 2022. 252 p

            Esse livro é ótimo de ler pela arte poética, pelos sentimentos e pela inteligência do autor. Wantuelfer Gonçalves divide o livro em Inspirações, os poemas escritos por um autor inspirado como em Inspirações Jocosas, Inspirações Feminais, Inspirações Românticas, Inspirações Religiosas, Inspirações Literárias, e Inspirações Diversificadas; e em Pretextos, os poemas produzidos a partir dos textos: “Apócrifos e pseudoepígrafos da Bíblia”; “Fábulas”, de Fedro; e “O Iniciado: a história de Saint-Germain”.

Todos os leitores, mesmo os pouco afeitos à poesia, e os de pensamento extravagante encontrarão neste livro poemas emocionantes e de uma qualidade literária incrível. Transcrevo abaixo um poema extraído ao acaso das Inspirações Românticas.

 

DESOBEDIÊNCIA 

Que trágico fim:

Não me aborreça

– disse ela pra mim.

Vá e me esqueça.


Ah, meu bem querer!

Lembrei-me de ti.

Era pra te esquecer,

Mas eu me esqueci.

 

Se me lembro choro

Feito uma criança;

Não te amo, te adoro,

Vivo de lembranças.

domingo, 12 de fevereiro de 2023

Um Girassol no Campo de Trigo – Antônio Rocha Vital

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  

865 (12-02-2023) – Um Girassol no Campo de Trigo – Antônio Rocha Vital. Cuiabá: EMPAER-MT, 2014. 173 p.

            O girassol belo e nutritivo, isolado, mirando o sol, sobressai no campo de trigo e sobrevive à colheita da gramínea importante para a produção do pão cotidiano. O girassol é a Associação de Crédito e Assistência Rural de Mato Grosso (Acarmat) que se transforma em Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Mato Grosso (Emater-MT) e depois na Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural S/A (Empaer-MT).

O autor descreve rapidamente sua escola no ensino fundamental em Cajuri-MG e seu trabalho na Empaer-MT contribuindo para a  execução do PROTERRA, do PRODOESTE, do POLOAMAZÔNIA, do POLOCENTRO, do PRODEPAN, do PROBOR  e do PRODIAT, programas de grande importância para o desenvolvimento do Mato Grosso.

            São Felix do Araguaia-MT e o bispo Dom Pedro Casaldáliga entram na história pela defesa insistente do prelado contra os opressores e as empresas de colonização que pretendiam expulsar os posseiros e isolar os índios em reservas.

Na sequência, Antônio Rocha Vital relata ocorrências empolgantes como a fundação da Ação Libertadora Nacional (ALN) por Carlos Marighella e sua luta urbana contra a ditadura militar instalada no país em 1964. Prossegue, abordando a Guerrilha do Araguaia, movimento financiado pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e seus líderes mais conhecidos: Maurício Grabois (Mário), Osvaldo Orlando da Costa (Osvaldão), Dinalva Oliveira Teixeira (Dina) e João Carlos Haas Sobrinho (Juca).  A guerrilha foi protagonista de várias ações de governo, principalmente na área social, no sudeste do Pará, área de selva entre Marabá, Xambioá, São Geraldo do Araguaia, no  Bico do Papagaio, região, como tantas outras, ignorada pelos governos municipal, estadual e federal. A guerrilha foi atuante entre 1966, quando chegaram os primeiros comunistas, e 1974, quando foi abatida pelas Forças Armadas a última guerrilheira, Walquíria Afonso Costa, a Walk.  Ela estava presa na base militar de Xambioá; levada para local ignorado, nunca retornou.

Livro envolvente e muito bem documentado.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Quanta Classe: causos da extensão – Antônio Rocha Vital

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


864 (06-02-2023) – Quanta Classe: causos da extensão – Antônio Rocha Vital. Cuiabá: EMPAER-MT, 2008. 103 p.

         Nesse livro, tem-se a história da extensão rural e dos programas de desenvolvimento direcionados ao estado de Mato Grosso revelados nos casos, na maioria engraçados, contados pelo autor. Esses projetos, PROTERRA, PROBOR, PRONAZEM, POLOAMAZÔNIA e POLOCENTRO, implantados pela extensão, impactaram fortemente o desenvolvimento do Mato Grosso.

   Informações históricas sobre o estado são transmitidas pontualmente. Assim, fica-se sabendo que Diamantino, MT, surgiu com a descoberta de diamante em 1728, nas altas cabeceiras do Rio Paraguai, pelo bandeirante Gabriel Antunes Maciel. Igualmente sabe-se que Poconé, na entrada do pantanal mato-grossense, surgiu com a descoberta do ouro em 1777.