domingo, 12 de dezembro de 2021

O Memorial do Desterro - Mauro Maciel

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

  


847 (10-12-2021) – O Memorial do Desterro – Mauro Maciel

            A história é contada pelo personagem autor que renuncia à promessa, de mais de vinte anos, de que não mais seria um escritor para escrever o memorial do desterro de seu inquilino irlandês. Entre diversos contratempos, o principal a falta de informação sobre o inquilino, o autor não consegue escrever o memorial e, portanto, ele não será sepultado em Santa Maria do Mar Revolto.  O autor, auxiliado pelo policial Mario Monte, nome parecido com o do personagem de Leonardo Padura, sequestram o cadáver preservado num caixão metálico lacrado e o levam para uma ilha deserta no Atlântico Sul no barco que o irlandês deixou de herança ao seu locador. Não encontram a ilha, decidem retornar, as provisões acabam aos poucos, e a calmaria, ao tempo que permite ao autor escrever o memorial do desterro, decide o destino dos três personagens.

            Esse livro recebeu o prêmio de melhor romance do segundo concurso de obras publicadas no Kindle Direct Publishing (KDP).


segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Pense nisto – Wantuelfer Gonçalves


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


846 (15-11-2021) – Pense nisto – Wantuelfer Gonçalves

            Este é um livro impressionante!  O autor, apoiando-se nos ensinamentos do espírito Emmanuel, psicografados por Francisco Cândido Xavier, escreve duzentos sonetos com mensagens religiosas, sociais, ou filosóficas em que ao final de cada poema sempre cabe a instrução: “Pense nisto”.  Os sonetos heptassilábicos escritos no estilo fácil de Wantuelfer Gonçalves é uma obra magnificamente bem feita em que ao final são citadas as fontes consultadas e as “referências bíblicas para que algum soneto de difícil compreensão possa ser comparado com a mensagem bíblica original”. Abaixo apresenta-se o soneto 104 e o título do livro no rodapé ilustrando a obra.

 

Diz-se que há maternidade

Quando a mulher põe à luz

O filho que, se deduz,

Estava na obscuridade.

 

Tal e qual pensou Jesus

E exortou com probidade

Que em busca da claridade

Caminhemos sempre na luz.

 

No entanto, muitos confundem

Essa luz com a luz do dia

E na vida se iludem.

 

Vão repletos de ilusão

Sob o sol que os alumia,

Vivendo na escuridão.

 

PENSE NISTO


segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Those who are loved – Victoria Hislop

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

 

 


845 (05-11-2021) – Those who are loved – Victoria Hislop

             Em 1941, após décadas de incerteza política, a Grécia está polarizada entre visões da esquerda e da direita quando os alemães invadem o país. A fome grassa e mata generalizadamente. Os mais pobres, entre ele os emigrantes gregos chegados da Turquia e arredores, morrem aos milhares. Themis tinha quinze anos e vê sua melhor amiga, Fotini, morta de fome, na rua em frente à sua casa, semicoberta pela neve.

            Themis se junta ao exército comunista, em que seu irmão Panos militava, na guerra civil que se instala após a ocupação alemã.  Themis experimenta os extremos do amor e do ódio e os paradoxos apresentados pela guerra em que gregos matam gregos.  Os comunistas são derrotados pelo exército do rei, Panos morre lutando ou torturado, e Themis é aprisionada nas afamadas ilhas de exílio, inicialmente em Makronisos e depois em Trikeri.  Themis ama e é amada por um militante comunista na guerra civil.  Tem um filho dele na prisão e pelo filho assina uma declaração de renúncia ao partido comunista para ser libertada.  Mas a política na Grécia continua conturbada pela presença de governos ditatoriais entre 1967 e 1974 gerando fatos vivenciados pelos personagens desse romance muito bom.

            Victoria Hislop ilumina com esse livro o complexo e traumático passado recente da Grécia e costura com ele uma história épica em que uma mulher comum é lançada no torvelinho de uma vida extraordinária.


quarta-feira, 2 de junho de 2021

O Fio das Missangas - Mia Couto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


844 (30-05-2021) - O Fio das Missangas - Mia Couto

            Esse é um livro de contos maravilhosos escritos no estilo genial de Mia Couto. As pessoas e a vida nas vilas e cidades de Moçambique são retratadas em rápidas e precisas pinceladas, mas sempre em cores alegres. Vários são os contos: As três irmãs; O homem cadente; ...; A saia almarrotada; O adiado avô; Meia culpa, meia própria culpa; Na tal noite; ...; O fio e as missangas; .... Quando concluí a leitura, retornei a alguns contos, sempre encontrando detalhes não percebidos. Vou fazer isso mais vezes.  

terça-feira, 4 de maio de 2021

Más allá del invierno - Isabel Allende

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

843 (30-04-2021) – Más allá del invierno – Isabel Allende

        A história se passa no inverno de 2015, no Brooklyn.  Lucía, uma chilena, professora visitante na Universidade de Nova York, residia num quarto e sala abaixo da casa do professor que a convidara, Richard Bowmaster, e a um metro abaixo da rua.  Uma nevasca violenta abatera-se sobre a ilha de Manhattan e interrompeu as aulas da universidade e até o metrô. 

Um dos gatos de Richard adoeceu e seu dono teve que enfrentar as ruas recém-limpas da neve, mas cobertas de gelo, para levá-lo à clínica veterinária. Retornando da clínica, onde o gato de nome “Três” ficou internado, bateu na traseira de um carro, no sinal. Entregou seu cartão a Evelyn, uma garota latina, assustada e nervosa, que tentou sem conseguir fechar a tampa do porta-malas danificado de seu carro, para que o seguro dele pagasse o pequeno dano.  Era noite quando Evelyn estacionou seu carro em frente à casa de Richard. A dificuldade em compreendê-la obrigou-o a chamar Lucía que ao examinar a batida encontrou um cadáver de mulher no bagageiro. Esse cadáver gera um suspense crescente até o final do livro.

Evelyn saíra da Guatemala após ser estuprada pelo bando que assassinou seus dois irmãos. O padre da aldeia indicou e pagou um coiote para levá-la via México aos Estados Unidos. Ela conseguiu passar a fronteira vendo a morte e o risco de prisão e deportação como vizinhos. Foi trabalhar na casa de Cheryl Leroy, esposa de Frank Leroy, um violento traficante de mulheres.

A denúncia desses três temas: a miséria, a desordem e a violência na Guatemala; os riscos da migração para os Estados Unidos via coiotes conectados com traficantes de drogas e de mulheres; e o tráfico de mulheres, sustenta a literatura fácil e leve de Isabel Allende nesse livro muito bom de ler.  


quarta-feira, 31 de março de 2021

Monte Castelo – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


842 (27-03-2021) – Monte Castelo – Wantuelfer Gonçalves

             É a primeira peça de Wantuelfer Gonçalves que leio, mas dada sua versatilidade literária deve haver outras.

O autor diz na Apresentação do livro: “Esta não é uma peça para mera diversão.  Ela objetiva... a formação de grupos de conscientização para minorar problemas sociais observados no dia a dia de nossos jovens e adolescentes, como, por exemplo, o álcool e as drogas mais pesadas, muitas vezes em decorrência da falta de atividades que os mantenham ocupados”.  

A peça é dedicada ao irmão do autor Carlito [Lito] Filho que, creio, não por coincidência, é um personagem descrito como líder comunitário que trabalhou muito com a população do Bairro Monte Castelo, em Juiz de Fora, em atividades políticas e culturais.

Os ensinamentos de Saint Germain, contidos no “O Livro Alquímico de Saint Germain”, publicado no início do Século XX, são a base teórica para a organização dos grupos de conscientização. A terapia ocupacional preconizada é, dentre outras, o teatro. Mais informações sobre Saint Germain, seus ensinamentos e o livro encontram-se nas páginas 69,70,71 e 72 da peça.

Os grupos de jovens, os grupos de ação social e os movimentos religiosos voltados para a recuperação de jovens devem atentar para essa obra.


sexta-feira, 26 de março de 2021

Hai Kais – Wantuelfer Gonçalves

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 



841 (23-03-2021) – Hai Kais – Wantuelfer Gonçalves

            “Ufa! Cá estamos no quinto volume de haicais. Como de costume, eles estão formatados no clássico 575, com rimas alternadas nas redondilhas menores e com rimas lineares dentro da redondilha maior, no meu preferido modelo Guilhermino”. Esta apresentação teórica permitiu-me aprender que as redondilhas menor e maior são, respectivamente, versos de cinco e sete sílabas.

            É impressionante o vasto campo de reflexões do autor sobre os temas: religião, músicas, cidades, política, sexo, natureza, mulheres, amor, humor, e filosofia. Sobre cada item ele escreve mais de dez haicais no seu estilo leve, fácil, engraçado, compacto, sintético, e direto observando uma técnica precisa de fazer poesia.  Suas reflexões são maduras e definitivas.

            Apresento abaixo, como ilustração, alguns haicais do livro.

CATEQUESE

Vem cá meu bem,

Não reclama. Jesus te ama

E eu também.

 

AMNÉSIA

Sexo me apraz,

Concordo, mas nem me recordo

Como é que se faz.

 

FEMINISMO 

Fêmina malícia,

Parece, sempre acontece

Vencer a estultícia.

 

A CURA 

A sua agrura

Tem jeito. Um amor desfeito?

Um outro cura.

 

O DUPLO

O meu des(a)tino,

Querido, creia, está contido

                                                                    No meu des(a)tino.

terça-feira, 23 de março de 2021

The Evening and the Morning – Ken Follett

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  



840 (21-03-2021) – The Evening and the Morning – Ken Follett

            Edgar, aos dezoito anos, filho de uma família de construtores de barcos, acordou de madrugada, desatracou a embarcação montada, peça por peça, por ele e viaja à Combe, visível do outro lado da baía, para se encontrar com Sunni, uma mulher que odiava o marido, e por quem se apaixonara. Haviam combinado partir do atracadouro e singrar para bem longe na costa oeste da Inglaterra até encontrar o lugar que lhe oferecera emprego, onde viveriam seu grande amor.

            Era uma quinta-feira, dezessete de junho de 997 d.C.. Edgar aproveitara uma onda para prender seu barco na areia enquanto aguardava Sunni. A alvorada destacou no horizonte a esquadra de predadores viquingues avançando para saquear o povoado. Ele correu ao convento e ajudou a alertar a população tocando os sinos. Mal armados e sem defesa organizada a vila foi arrasada, Sunni morreu em sua casa, quando se preparava para fugir, agredida por um viquingue, do qual Edgar se apossou do machado, após matá-lo. O convento e todos os bens valiosos do vilarejo foram pilhados. Quando Edgar retorna a sua casa a pé, pois seu barco fora queimado, sabe da morte de seu pai e do incêndio que destruiu o pequeno estaleiro da família e todo seu custoso estoque de madeira. O bispo Wistan oferece à família, à mãe e aos três irmãos, um pedaço de terra em Dreng`s Ferry para cultivar e sobreviver em troca de alguns animais criados por eles.

            Edgar se transforma em construtor qualificado e só esquece Sunni após conhecer Ragna, uma nobre da Normandia que vinha casar-se com o poderoso senhor feudal do distrito.

            As aventuras prosseguem, ano a ano, por dez anos até 1007.  Nesse período, o autor desvenda as injustiças do sistema feudal, a corrupção entre os nobres e o clero, mantendo o leitor em sobressalto.  As artimanhas, as perseguições, os crimes e a história são muito bem construídos.  O livro terminou, é ótimo de ler, e já estou procurando outro da série King`s Bridge.


terça-feira, 9 de março de 2021

A Dureza do Espelho – Omar Gilson de Moura Luz

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


839 (02-03-2021) – A Dureza do Espelho – Omar Gilson de Moura Luz

   

 

            O manuscrito que li em 2017 transformou-se em livro publicado pela Chiado Books.   Iniciei a leitura sorrindo: um sujeito “enfiado no ridículo conjuntinho safári... e que não se divorcia dos fingidos jeitos e trejeitos” chega a uma sala grande, onde o narrador em posição privilegiada identifica os visitantes.  “...veja como se pavoneia, ...  apesar dos rapapés, não tira os olhos das curvas de Aurora”. Continua o narrador enciumado, também tarado pela Aurora, tanto que escalou o muro da casa dela para vencer o portão trancado e visitá-la. Outros conhecidos vão chegando e o narrador, revela-lhes a vida usando técnicas literárias invejáveis pela clareza, graça e fluência do texto. As palavras do vocabulário amplo do autor são dispostas nos períodos com precisão tal que não é possível substituí-las. Mas se isso não bastasse, as reflexões do autor sobre a morte, a vida pós morte, a busca por mais um pouco de vida na terra, existência da alma, Deus e os poderes de Deus, a doutrina espírita, na forma como são apresentadas, engrandecem o livro.    As estórias são várias e diversas, a maioria refere-se a mulheres. Por exemplo: “Houve outra que era do mesmo feitio dessa daí. Era uma mulher marmórea”.  Que permite ao autor o seguinte diálogo: - “Você diz que gosta, mas não demonstra, não emite um único murmúrio. Essa frieza, essa falta de prazer, é só comigo?” - “Não, com todos os que tive.” - “E quantos foram? -  perguntei” – “Não sei, perdi a conta”.

Surpreendeu-me alegremente o desfecho do livro, mas vou deixá-lo aos curiosos. O romance é muito bom e impressiona pela criatividade literária do autor.