segunda-feira, 13 de março de 2017

A Dureza do Espelho – Omar de Moura Luz


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

795 (11-03-2017) – A Dureza do Espelho – Omar de Moura Luz
Essa novela, encontrei-a debaixo da porta em folhas soltas, sem numeração e sem o nome do autor.  Bastou-me ler algumas linhas para identificar o estilo claro, límpido, engraçado e inconfundível de Júlio Paixão.  Liguei para ele, mas estava viajando e deixei o recado de que iria ler a novela ou o conto.
Eu estava terrivelmente enganado, o texto é do grande escritor, meu vizinho e amigo, Omar de Moura Luz. Encontramo-nos hoje e ele perguntou-me se havia encontrado o conto sob a porta. Desfeita a confusão, mantenho a resenha que fiz.
 O texto de quarenta páginas em espaço simples é longo para conto, mas é curto para um romance; classifico-o como novela.   Iniciei a leitura sorrindo: um sujeito “enfiado no ridículo conjuntinho safári... e que não se divorcia dos fingidos jeitos e trejeitos” chega a uma sala grande, onde o narrador em posição privilegiada identifica os visitantes.  “...veja como se pavoneia, ...  apesar dos rapapés, não tira os olhos das curvas de Aurora”. Continua o narrador enciumado, também tarado na Aurora, tanto que escalou o muro da casa dela para vencer o portão trancado e visitá-la. Outros conhecidos vão chegando e o narrador, revela-lhes a vida usando técnicas literárias invejáveis pela clareza, graça e fluência do texto.  Mas se isso não bastasse, as reflexões do autor sobre a morte, a vida pós morte, a busca por mais um pouco de vida na terra, existência da alma, Deus e os poderes de Deus, a doutrina espírita, na forma como são apresentadas, engrandecem o livro.    As estórias são várias e diversas, a maioria refere-se a mulheres. Por exemplo: “Houve outra que era do mesmo feitio dessa daí. Era uma mulher marmórea”.  Que permite ao autor o seguinte diálogo: - “Você diz que gosta, mas não demonstra, não emite um único murmúrio. Essa frieza, essa falta de prazer, é só comigo?” - “Não, com todos os que tive.” - “E quantos foram?,  perguntei” – “Não sei, perdi a conta”. Após inúmeras estórias chega-se ao final.  O narrador estava no seu próprio velório conversando com um amigo. 
-“E você Adamastor, o que faz aqui? ... Agora me lembro, você é mais novo, mas já morreu!”
- Morri, e demorei a acreditar na minha morte.
-Você está brincando...
- Está na hora, professor, seu tempo já passou. Recebi a incumbência de guiá-lo.
- Eu morri?
- Morreu, morreu no mesmo dia em que tentou escalar o muro da casa de Aurora.
- Mas...

            Terminei a leitura sorrindo, a novela é muito boa de ler, e impressionado com a criatividade literária do autor. O narrador se nocauteou, as suas reflexões foram chacoalhadas, mas permanecem vivas como uma árvore agitada pelo vento.  

segunda-feira, 6 de março de 2017

To Kill a Mockingbird – Harper Lee


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

794 (04-03-2017) – To Kill a Mockingbird – Harper Lee
     O capítulo primeiro do livro remete o leitor para o braço quebrado e torto de Jem Finch, acidente que ocorreu nas últimas páginas do livro.   Os dois irmãos Jem, de quase 13 anos e Jean Louise, de oito, estão recordando os acontecimentos de sua curta existência.  Vivem na cidade de Maycomb, no Alabama, são filhos de Atticus, um defensor público viúvo, mas paizão.  Scout, como o irmão Jem chama Jean Louise, conta a estória do primeiro dia de aula, da escola que lhe desagrada, fala do trabalho do pai e revela que seus dois primeiros clientes foram as duas últimas pessoas enforcadas na cadeia de Maycomb.  Vai falando dos brancos incultos, pouco chegados a banho e a higiene, pobres, bêbados e muitas vezes violentos, os white trash, que vivem próximo a um lixão. Descreve o gueto do negros, pobres, mas cujas casas são limpas e bem cuidadas e de como eles são respeitosos.  De uma forma muito engraçada, as intervenções de Scout desnudam a sociedade e ilustram as fazes de sua infância.  O clímax da estória é o julgamento por estupro de uma moça branca, praticado por um negro, Tom Robinson.  Atticus é o defensor do negro. Ele e os filhos são chamados de amantes de negros e são evitados pelos vizinhos racistas numa cidade racista. No julgamento, Atticus prova que a moça branca, Mayella Violet Ewell, de 19 anos, filha de uma família white trash atraiu o negro Tom Robinson a sua casa, solicitando-lhe que a ajudasse a mover alguns móveis. Tentou seduzi-lo beijando-o, mas o pai da moça, chegando em casa, viu a filha se agarrando ao negro e gritou-lhe chamando-a de puta.  O negro fugiu e o pai espancou a moça com violência, após o que chamou o delegado para ver o estado em que o negro, que estuprara sua filha, a deixara, com um olho roxo, rosto inchado de pancadas e roupa rasgada e suja. O médico que poderia provar o estupro não foi chamado.  O negro, portanto, era inocente, mas o júri racista votou por unanimidade pela sua culpa, como era típico nos julgamentos de negros no sul dos Estados Unidos. Na prisão, Tom Robinson tentou fugir e foi morto pelos policiais.  Algumas semanas depois, Bob Ewell, o pai de Mayella, após uma apresentação teatral na escola das crianças, perseguiu Scout e Jem, oculto pela escuridão total, os filhos de Atticus.   Esfaqueou a menina, mas não a atingiu porque foi protegida pela armação metálica da roupa cênica, torceu o braço esquerdo de Jem até quebrá-lo, mas antes que pudesse matá-lo, recebeu uma facada no estômago aplicada por Boo Radley, um rapaz altista que, como um anjo da guarda, protegia Scout e o irmão.

       O livro publicado em 1960 retrata o sul dos Estados Unidos nessa época.  A autora transforma um livro de denúncia, cuja estória é contada por uma garotinha de oito anos, numa fotografia da sociedade sulista americana.  É um livro gostoso de ler, muito engraçado e inteligente.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Tróia - O romance de uma guerra – Cláudio Moreno


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

559 (2004) – Tróia - O romance de uma guerra – Cláudio Moreno

            É um livro muito bem construído que repassa a mitologia grega direcionando-a para a Ilíada.  Oferece-se uma nova visão dos deuses gregos aos quais se permite uma vida celestial e terrena facilmente aceitável e repleta de mitos muito bem descritos. Quando o autor avisa onde começa a Ilíada no texto, o leitor vem de uma, mais que agradável, preparação para a Ilíada.  O livro se inicia com as bodas de Peleu e Tétis, os futuros pais de Aquiles.  Conta a estória das deusas Afrodite, Atenas e Heras. Descreve Cassandra, a que via o futuro e o alardeava, mas cujos vaticínios não eram reconhecidos. O autor conta a estória de Helena gerada da relação de Zeus, transmutado em cisne, com a mãe de Helena. Narra o rapto de Helena por Teseu e a solução encontrada por Helena para amar Teseu e continuar virgem.  A guerra de Tróia, a partir desse livro, tem motivo ou pretexto, início, desenrolar e fim, e outro fim construído habilmente pelo autor.

            É o melhor e mais bem escrito livro sobre a guerra de Tróia e a mitologia grega que li.  O livro é muito bem elaborado, escrito e muito bom de ler.

The Rape of Nanking – Iris Chang

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


568 (2005) – The Rape of Nanking – Iris Chang

            O Japão invadiu a China em 1931, mas somente chegou a Nanking, a capital da China Nacionalista presidida por Chiang Kai-Shek em dezembro de 1937. Retirou-se da China no final de 1945, após as bombas de Hiroshima e Nagazaki.  Esse livro se detém apenas no período de seis semanas que vai de 13 de dezembro de 1937 ao fim de janeiro de 1938.  Nesse período, o exército japonês matou soldados rendidos e desarmados, matou civis e estuprou e matou mulheres em número que varia entre 250.000 e 400.000.  O número mais aceito para as mortes nessas seis semanas em Nanking é 300.000 pessoas.  Isso oferece apenas uma branda imagem da selvageria do exército japonês.  O número de mortes nesse período qualifica o exército japonês como o mais brutal e mais criminoso da história da humanidade.  O número de mortes de civis e soldados, na campanha da China, pelo exército japonês é calculado como sendo de dezenove milhões de pessoas.