O
imperador Meiji (1852-1912) acabou com o xogunato que transformava os
imperadores japoneses em virtuais prisioneiros dos xoguns, ou samurais, os
senhores feudais e verdadeiros governantes do Japão. Terminando com o xogunato,
ele modernizou o Japão. Hiroíto (1901-1989)
viveu parte de sua infância na corte de seu avô, o imperador Meiji e, sua
adolescência e a preparação para reinar, na corte de seu pai o imperador Taisho
(1879-1926). Quando Hiroíto iniciou seu reinado, o Japão dominava a Coréia
desde 1910 e almejava ampliar suas conquistas.
A região da Manchúria, China, foi brutalmente tomada em 1932 pelo
exército de Hiroíto e a expansão prosseguiu com atrocidade, atingindo seu auge
em Nanquim, o que ficou conhecido como o estupro de Nanquim. A partir de 1941 o
Japão participa do eixo Alemanha e Itália se apossando de todo o sudeste asiático
chegando até o Havaí, Pearl Harbor.
Esse livro, baseando-se em diários e relatórios de assessores
próximos de Hiroíto, insiste em provar que o imperador deu a ordem para o
ataque a Pearl Harbor e para todos os atos de guerra na China e no sudeste
asiático. Mas por que ele não foi indiciado
no Julgamento de Tóquio? Porque o
General Mc Arthur e sua equipe de ocupação decidiram que a presença do imperador
era importante para que os japoneses aceitassem a ocupação e trabalhassem para
o desenvolvimento do país sob o comando americano. Isso só foi possível porque no Julgamento de
Tóquio, 27 dos principais líderes foram acusados de crimes de guerra e muitos
condenados ao enforcamento ou à prisão perpétua; vários dos mais próximos
colaboradores de Hiroíto cometeram seppuku, suicídio; e o reino tornou-se
constitucional, em que o imperador reina, mas não governa, como na Inglaterra. Portanto,
Hiroíto tornou-se instrumental para manter a unidade do povo, mas sem nenhum
poder.
O livro não é bom de ler.
As informações que eu procurava sobre os efeitos dos bombardeiros B29
sobre as cidades, sobre a população, sobre a infraestrutura, sobre o abastecimento
não estão nele. O livro trata do que se
passava dentro do palácio do imperador, nos bastidores políticos do reino.
