quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Hiroíto-por trás da lenda – Edward Behr

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



814 (28-10-2018) – Hiroíto-por trás da lenda – Edward Behr
O imperador Meiji (1852-1912) acabou com o xogunato que transformava os imperadores japoneses em virtuais prisioneiros dos xoguns, ou samurais, os senhores feudais e verdadeiros governantes do Japão. Terminando com o xogunato, ele modernizou o Japão.  Hiroíto (1901-1989) viveu parte de sua infância na corte de seu avô, o imperador Meiji e, sua adolescência e a preparação para reinar, na corte de seu pai o imperador Taisho (1879-1926). Quando Hiroíto iniciou seu reinado, o Japão dominava a Coréia desde 1910 e almejava ampliar suas conquistas.  A região da Manchúria, China, foi brutalmente tomada em 1932 pelo exército de Hiroíto e a expansão prosseguiu com atrocidade, atingindo seu auge em Nanquim, o que ficou conhecido como o estupro de Nanquim. A partir de 1941 o Japão participa do eixo Alemanha e Itália se apossando de todo o sudeste asiático chegando até o Havaí, Pearl Harbor.
            Esse livro, baseando-se em diários e relatórios de assessores próximos de Hiroíto, insiste em provar que o imperador deu a ordem para o ataque a Pearl Harbor e para todos os atos de guerra na China e no sudeste asiático.  Mas por que ele não foi indiciado no Julgamento de Tóquio?  Porque o General Mc Arthur e sua equipe de ocupação decidiram que a presença do imperador era importante para que os japoneses aceitassem a ocupação e trabalhassem para o desenvolvimento do país sob o comando americano.  Isso só foi possível porque no Julgamento de Tóquio, 27 dos principais líderes foram acusados de crimes de guerra e muitos condenados ao enforcamento ou à prisão perpétua; vários dos mais próximos colaboradores de Hiroíto cometeram seppuku, suicídio; e o reino tornou-se constitucional, em que o imperador reina, mas não governa, como na Inglaterra. Portanto, Hiroíto tornou-se instrumental para manter a unidade do povo, mas sem nenhum poder.
            O livro não é bom de ler.  As informações que eu procurava sobre os efeitos dos bombardeiros B29 sobre as cidades, sobre a população, sobre a infraestrutura, sobre o abastecimento não estão nele.  O livro trata do que se passava dentro do palácio do imperador, nos bastidores políticos do reino.