quinta-feira, 30 de junho de 2016

Coisas de Cinema – Wantuelfer Gonçalves


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.



779 (04-06-2016) – Coisas de Cinema – Wantuelfer Gonçalves
            Esse é mais um foto-poema do Wantuelfer em que a rima, a métrica e as fotos se unem à linguagem clara, objetiva e sintética para construir poesias de protesto contra a política e os políticos nacionais.  Os poemas são cômicos, pejorativos, hilários para descrever com maestria as coisas de cinema que se veem na política brasileira atual. Nos poemas abaixo tem-se uma ideia da arte grandiosa de Wantuelfer Gonçalves.

A VOLTA DO CIPÓ
Quem és tu, pobre perdido,
Versificador de tamancos,
Querer criticar meu partido?

Recolhe, pois, tuas rimas
Que não atingirão nosso povo.
Seremos fortes de novo,
Daremos a volta por cima.

Isto é o que sinto e acho
Seu bosta, metido a poeta.
E volta aqui seu pateta
Qu`eu não terminei o esculacho!

(Poema ilustrado com foto do Eduardo Suplicy gesticulando nervoso)

PSSST!
Este em cima de mim,
Com seu cabelo loirinho,
É o famoso Peter Thrash.
E eu estou falando baixinho,
Pois ninguém pode saber.

Quem sou eu? Sou a P. B.
E eu não sou regateira.
Não, não é P de Paloma
Nem é B de bonitona.
Sou a população brasileira.

(Ilustrado por foto de uma linda mulher em relação sexual com o Peter Thrash)

The Revenant – Michael Punke


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


780 (28-06-2016) – The Revenant – Michael Punke
            Esse livro foi a base para o roteiro do filme “O Regresso”.  O roteiro do filme pareceu-me bem elaborado por incluir o filho de Hugh Glass, que não existe no livro.  O filho de Glass é morto por John Fitzgerald, que tentava abandonar seu pai Hugh Glass, muito ferido por um urso.  No filme, esse é o elemento que justifica a vingança tramada por Hugh Glass. Também, o final do filme é mais dramático.  O filme se utiliza de algumas passagens do livro, do ambiente: o inverno na rota do Yellowstone, e do tema: a abertura do comércio de peles no oeste americano via rio Missouri chegando até o Yellowstone.  Portanto, pode-se ler o livro e ver o filme como duas obras diferentes e muito boas de ler e ver.
            O início do livro narra as fugas de John Fitzgerald e de Jim Bridger da missão que lhes foi atribuída de cuidar de Hugh Glass até sua morte e de enterrá-lo conforme os preceitos cristãos.  Para se desincumbirem dessa tarefa perigosa, cada um receberia US$ 70,00 do comandante da equipe de caçadores da Rocky Mountain Fur Companhy que se dirigiam ao Fort Talbot.  Mas, após quatro dias cuidando de Glass, que fora gravemente ferido por um urso, sem que ele tivesse morrido, Fitzgerald convence Bridger da morte de Glass, que apenas desmaiara de febre e falta de alimentação, e assusta Bridger com a informação de que os índios Arikara, inimigos dos caçadores, estavam se aproximando. Os dois fogem abandonando Glass muito ferido, após roubarem sua arma, sua faca, pólvora e instrumentos de fazer fogo.  Isso se passa em setembro, outono, de 1823, numa região próxima ao rio Grand, um tributário do rio Missouri, cuja nascente fica ao norte, mas ainda a mais de 200 milhas da confluência dos rios Yellowstone e Big Horn.  O resto do livro trata do esforço e das lutas de Glass para sobreviver e se vingar de Bridger e de Fitzgerald.  Ele inicialmente engatinha quilômetros para chegar ao forte Brazeau passando fome e frio por não ter arma para caçar ou instrumento para fazer fogo. Aos poucos ele melhora e caminha mancando, passa por uma aldeia Arikara que fora atacada e destruída pelos índios Sioux.  No encontro com esses índios ele é levado ao pajé da tribo que o trata dos ferimentos ainda mal cicatrizados e do enxame de bernes que se alojaram nos ferimentos. Finalmente chega ao forte Brazeau. Posteriormente ele embarca, como caçador, com um grupo de franceses que pretendem atingir a região do Yellowstone subindo o rio Missouri e seus afluentes.  Ele chega sozinho ao Forte Talbot na noite da passagem de ano, enfrentando forte nevasca; encontra Bridger e lhe aplica uma surra, deixando-o desmaiado, mas não o mata.  Posteriormente o comandante do forte solicita-lhe levar uma mensagem a Saint Louis dizendo do sucesso na área de caça.  No caminho, ele encontra Fitzgerald no forte Atkinson e o denuncia ao comandante do forte por roubo de sua arma e faca e por desertar do forte Talbot roubando boa quantidade de peles.  Ele é julgado e condenado com uma punição pequena que irritou Glass.  Na sala do tribunal do forte, ao final do julgamento, Glass atira em Fitzgerald, mas o atinge apenas no ombro. Glass foi preso e depois liberado.

            É um livro muito bom de ler.  Ele ilustra magnificamente a colonização do noroeste americano, via abertura do comércio de peles, pelos caçadores, enfrentando o rigoroso inverno nas regiões do Yellowstone e das Montanhas Rochosas.  Peca por não mostrar a destruição da fauna, dos índios e das florestas causada por essa colonização desordenada motivada pela busca da riqueza.