domingo, 12 de novembro de 2023

Mulheres de Cinza – Mia Couto

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


874 (09-11-2023) – Mulheres de Cinza – Mia Couto. Editorial Caminho, SA. / Grupo Leya, Lisboa, Portugal. 2015.

            Este é o primeiro livro da trilogia “As Areias do Imperador” sobre os derradeiros dias do chamado Estado de Gaza, toda a metade sul do território de Moçambique, o segundo maior império da África dirigido por um africano.

            “Chamo-me Imani. Este nome que me deram não é um nome. Na minha língua materna Imani quer dizer quem é? Bate-se a uma porta e, do outro lado, alguém indaga:

– Imani?”

Assim, Mia Couto inicia esse romance leve e suave como cinzas sopradas pelo vento, amplo como a savana, e profundo como o mar.

Imani conta a história de sua família na vila Nkokolani, no interior de Moçambique, entre 1884 e 1895, usando os pensamentos, reflexões e dizeres da cultura do seu povo. “Diz-se em Nkokolani que o mundo é tão grande que nele não cabe dono nenhum.” Mas, sua terra é disputada por dois pretensos proprietários: o imperador do Estado de Gaza, Ngungunyane, e o rei de Portugal, Dom Carlos I, que nenhum africano haveria nunca de conhecer. “Durante meia dúzia de anos saboreámos a Paz pensando que duraria para sempre. Mas a Paz é uma sombra em chão de miséria: basta o acontecer do Tempo para que desapareça.”

O sargento Germano de Melo é destacado para capitanear o posto de Nkokolani fronteiriço com o Estado de Gaza. Imani cresce visitando o quartel, onde seu irmão é guarda e único soldado. Moça, apaixona-se pelo sargento que lhe conta histórias do poderoso exército português que viria defender seu povo. O sargento vê Imani desenvolver-se em linda mulher, gosta de conversar com ela, e, solitário, a retém na alma.

As mentiras do português desterrado são desvendadas por Imani, lendo as cartas fantasiosas do militar, não haveria nenhum soldado para defender seu povo do inimigo.

Mia Couto consegue, neste livro, transportar o leitor para uma pequena vila, rodeada pela savana, e o hospeda na choupana de Imani, convivendo com a imensa cultura das aldeias moçambicanas.

Romance muito bom!