quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Não Verás País Nenhum - Ignácio de Loyola Brandão

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

786 (08-11-2016) – Não Verás País Nenhum – Ignácio de Loyola Brandão

Esse Esse livro foi escrito em 1981 e mostra como o Brasil foi transformado em um grande deserto por governos corruptos e população mal informada, apática e reprimida por forças policiais elevadas à segunda mais alta classe social do país.  A propaganda governamental enganosa revelava grandes projetos e utilizava os meios de comunicação para insuflar a população de mentiras grandiosas que repetidas tornavam-se aceitáveis.  Assim as florestas foram destruídas e o solo transformado em deserto para atrair turistas para o grande deserto do Brasil.  Os rios secaram e as hidrelétricas foram substituídas pelas termoelétricas, as chuvas quando caiam eram ácidas.  A população foi confinada: os miseráveis em grandes lixões, os pobres em barracos, os funcionários públicos em apartamentos pequenos e a elite em condomínios fechados de luxo. 
           A solução para o sol inclemente e escaldante foi construir uma grande marquise para onde a população de desabrigados foi transferida sem alimentos, em espaço exíguo de tal forma a reduzir a sua expectativa de vida para semanas ou poucos meses e abrir espaço para outras levas de gente. O país foi dividido e vendido a diversos países para instalarem sua indústria poluidora e automatizada ao ponto de não empregarem ninguém da região. A população vivia em circunscrições vigiadas.  A divisão do país e as regiões isoladas geraram um congestionamento insolúvel e os carros foram abandonados nas autopistas que se tornaram inúteis.
 
           A estória do livro principia com o Sousa e a Adelaide comentando sobre os barulhos de sirenes contra incêndio durante a noite.  Sousa sai para o trabalho e descobre um furo na mão por onde passava a luz marcando o solo. E monologa sobre como o país se transformou nesse desastre ecológico, social e humano. Discute as mudanças climáticas, o aquecimento global e a falta de água gerados pelo descuido ambiental de décadas.  O desastre foi tão grave que as famílias como a de Sousa e Adelaide e todas as outras optaram por entregar os filhos em grandes navios para serem criados em outros países com melhores condições.  Mas como nunca receberam cartas deles, a princípio desconfiaram e depois se conscientizaram de que os navios foram afundados com os milhares de passageiros.  Essa foi mais uma obra social propagandeada por muito tempo até que as famílias a aceitaram. 

          Não é um livro bom de ler devido ao monólogo insistente e pessimista sobre o destino do país. Mas é brilhante em prever os desastres políticos, ecológicos, humanos e sociais decorrentes de governantes e políticos corruptos, incompetentes e gananciosos. 

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