segunda-feira, 6 de março de 2017

To Kill a Mockingbird – Harper Lee


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

794 (04-03-2017) – To Kill a Mockingbird – Harper Lee
     O capítulo primeiro do livro remete o leitor para o braço quebrado e torto de Jem Finch, acidente que ocorreu nas últimas páginas do livro.   Os dois irmãos Jem, de quase 13 anos e Jean Louise, de oito, estão recordando os acontecimentos de sua curta existência.  Vivem na cidade de Maycomb, no Alabama, são filhos de Atticus, um defensor público viúvo, mas paizão.  Scout, como o irmão Jem chama Jean Louise, conta a estória do primeiro dia de aula, da escola que lhe desagrada, fala do trabalho do pai e revela que seus dois primeiros clientes foram as duas últimas pessoas enforcadas na cadeia de Maycomb.  Vai falando dos brancos incultos, pouco chegados a banho e a higiene, pobres, bêbados e muitas vezes violentos, os white trash, que vivem próximo a um lixão. Descreve o gueto do negros, pobres, mas cujas casas são limpas e bem cuidadas e de como eles são respeitosos.  De uma forma muito engraçada, as intervenções de Scout desnudam a sociedade e ilustram as fazes de sua infância.  O clímax da estória é o julgamento por estupro de uma moça branca, praticado por um negro, Tom Robinson.  Atticus é o defensor do negro. Ele e os filhos são chamados de amantes de negros e são evitados pelos vizinhos racistas numa cidade racista. No julgamento, Atticus prova que a moça branca, Mayella Violet Ewell, de 19 anos, filha de uma família white trash atraiu o negro Tom Robinson a sua casa, solicitando-lhe que a ajudasse a mover alguns móveis. Tentou seduzi-lo beijando-o, mas o pai da moça, chegando em casa, viu a filha se agarrando ao negro e gritou-lhe chamando-a de puta.  O negro fugiu e o pai espancou a moça com violência, após o que chamou o delegado para ver o estado em que o negro, que estuprara sua filha, a deixara, com um olho roxo, rosto inchado de pancadas e roupa rasgada e suja. O médico que poderia provar o estupro não foi chamado.  O negro, portanto, era inocente, mas o júri racista votou por unanimidade pela sua culpa, como era típico nos julgamentos de negros no sul dos Estados Unidos. Na prisão, Tom Robinson tentou fugir e foi morto pelos policiais.  Algumas semanas depois, Bob Ewell, o pai de Mayella, após uma apresentação teatral na escola das crianças, perseguiu Scout e Jem, oculto pela escuridão total, os filhos de Atticus.   Esfaqueou a menina, mas não a atingiu porque foi protegida pela armação metálica da roupa cênica, torceu o braço esquerdo de Jem até quebrá-lo, mas antes que pudesse matá-lo, recebeu uma facada no estômago aplicada por Boo Radley, um rapaz altista que, como um anjo da guarda, protegia Scout e o irmão.

       O livro publicado em 1960 retrata o sul dos Estados Unidos nessa época.  A autora transforma um livro de denúncia, cuja estória é contada por uma garotinha de oito anos, numa fotografia da sociedade sulista americana.  É um livro gostoso de ler, muito engraçado e inteligente.

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