Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
794 (04-03-2017) – To Kill a Mockingbird – Harper Lee
O
capítulo primeiro do livro remete o leitor para o braço quebrado e torto de Jem
Finch, acidente que ocorreu nas últimas páginas do livro. Os dois irmãos Jem, de quase 13
anos e Jean Louise, de oito, estão recordando os acontecimentos de sua curta
existência. Vivem na cidade de Maycomb, no Alabama, são filhos de Atticus, um
defensor público viúvo, mas paizão.
Scout, como o irmão Jem chama Jean Louise, conta a estória do primeiro
dia de aula, da escola que lhe desagrada, fala do trabalho do pai e revela que
seus dois primeiros clientes foram as duas últimas pessoas enforcadas na cadeia
de Maycomb. Vai falando dos brancos
incultos, pouco chegados a banho e a higiene, pobres, bêbados e muitas vezes
violentos, os white trash, que vivem próximo a um lixão. Descreve o gueto do
negros, pobres, mas cujas casas são limpas e bem cuidadas e de como eles são
respeitosos. De uma forma muito
engraçada, as intervenções de Scout desnudam a sociedade e ilustram as fazes de
sua infância. O clímax da estória é o
julgamento por estupro de uma moça branca, praticado por um negro, Tom Robinson. Atticus é o defensor do negro. Ele e os
filhos são chamados de amantes de negros e são evitados pelos vizinhos racistas
numa cidade racista. No julgamento, Atticus prova que a moça branca, Mayella
Violet Ewell, de 19 anos, filha de uma família white trash atraiu o negro Tom
Robinson a sua casa, solicitando-lhe que a ajudasse a mover alguns móveis. Tentou
seduzi-lo beijando-o, mas o pai da moça, chegando em casa, viu a filha se
agarrando ao negro e gritou-lhe chamando-a de puta. O negro fugiu e o pai espancou a moça com
violência, após o que chamou o delegado para ver o estado em que o negro, que
estuprara sua filha, a deixara, com um olho roxo, rosto inchado de pancadas e
roupa rasgada e suja. O médico que poderia provar o estupro não foi
chamado. O negro, portanto, era inocente,
mas o júri racista votou por unanimidade pela sua culpa, como era típico nos
julgamentos de negros no sul dos Estados Unidos. Na prisão, Tom Robinson tentou
fugir e foi morto pelos policiais.
Algumas semanas depois, Bob Ewell, o pai de Mayella, após uma
apresentação teatral na escola das crianças, perseguiu Scout e Jem, oculto pela escuridão total, os filhos de Atticus.
Esfaqueou a menina, mas não a atingiu porque foi protegida pela armação
metálica da roupa cênica, torceu o braço esquerdo de Jem até quebrá-lo, mas
antes que pudesse matá-lo, recebeu uma facada no estômago aplicada por Boo
Radley, um rapaz altista que, como um anjo da guarda, protegia Scout e o irmão.
O livro publicado em
1960 retrata o sul dos Estados Unidos nessa época. A autora transforma um livro de denúncia,
cuja estória é contada por uma garotinha de oito anos, numa fotografia da sociedade
sulista americana. É um livro gostoso de
ler, muito engraçado e inteligente.
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