quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Amor, Crime e Castigo – Wantuelfer Gonçalves


Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


803 (11-12-2017) – Amor, Crime e Castigo – Wantuelfer Gonçalves

            Wantuelfer Gonçalves conta essa história num poema em estilo de cordel com rimas e métrica muito bem dispostas tornando o texto muito agradável de ler.  A arte inigualável do autor faz os versos parecerem fáceis e as estrofes, muito elegantes, a ponto de o leitor não se dar conta da mágica artística.
            A história de amor entre Antônio Martins e Manuela Bitencourt acontece em fins da primeira metade do Século XX na região de Araponga.   Antônio era comerciante ambulante transportando as mercadorias nos burros de sua tropa pelas estradas de São Miguel, Ervália, Araponga, São Vicente do Grama, Estouro, Fervedouro, São Bento e Pedra do Anta; era casado e pai de filhos.  Nas suas viagens dormia sob o telhado de algum curral ou ao relento, se o tempo era firme.  Seu Neco, fazendeiro grande e bondoso, tinha fazenda na Serra do Brigadeiro. Reconhecendo o esforço e a honestidade de Antônio, convidou-o a se hospedar na sede da fazenda sempre que passasse nas vizinhanças.  Manuela era filha do seu Neco, e se encantou com a conversa do comerciante e com os casos contados por ele. Os olhares furtivos levaram aos beijos ocultos, aos encontros escusos, e à migração, no meio da noite, entre os quartos.  Manuela engravidou e esperou com ansiedade o retorno de Antônio.  Ele era a única pessoa a quem ela poderia contar e somente ele poderia encontrar a solução.  Combinaram que ele a resgataria na próxima semana.  Antônio apareceu numa noite de muita chuva e fugiram serra acima.  A escapada foi descoberta ainda pela manhã, quando Manuela não fez o café; os rastros de dois cavalos denunciaram a fuga e o malfeitor.  Seu Neco chamou seus homens de confiança e ordenou que trouxessem a moça e matassem o sedutor que abusou de sua confiança fazendo mal a sua filha.  Os dois foram encontrados numa clareira, quase na vertente da serra.  Manuela foi atada à sela de um dos animais e trazida para a fazenda, enquanto os outros jagunços torturaram o homem que desrespeitou a filha do fazendeiro que lhe deu guarida, pouso e confiança.  Antônio foi encontrado por amigos, morto com os braços quebrados, com furos de faca na bexiga e na barriga, sem as orelhas e com várias perfurações a bala.  Os amigos o sepultaram em local esconso e, anos depois, em 1952, seus restos mortais foram transferidos para a capela, hoje em ruínas, que se destaca no alto da Serra do Brigadeiro.  A capela é conhecida como a Ermida do Martins e atrai romeiros solicitando a intervenção do Antônio para ajudar-lhes em seus casos de amor.  Muitos alcançam a graça solicitada como atestam as velas de agradecimento nas reentrâncias da construção.  

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