Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
803 (11-12-2017) – Amor,
Crime e Castigo – Wantuelfer Gonçalves
Wantuelfer Gonçalves conta essa
história num poema em estilo de cordel com rimas e métrica muito bem dispostas tornando
o texto muito agradável de ler. A arte
inigualável do autor faz os versos parecerem fáceis e as estrofes, muito
elegantes, a ponto de o leitor não se dar conta da mágica artística.
A história de amor entre Antônio
Martins e Manuela Bitencourt acontece em fins da primeira metade do Século XX
na região de Araponga. Antônio era comerciante ambulante
transportando as mercadorias nos burros de sua tropa pelas estradas de São
Miguel, Ervália, Araponga, São Vicente do Grama, Estouro, Fervedouro, São Bento
e Pedra do Anta; era casado e pai de filhos.
Nas suas viagens dormia sob o telhado de algum curral ou ao relento, se
o tempo era firme. Seu Neco, fazendeiro
grande e bondoso, tinha fazenda na Serra do Brigadeiro. Reconhecendo o esforço
e a honestidade de Antônio, convidou-o a se hospedar na sede da fazenda sempre
que passasse nas vizinhanças. Manuela
era filha do seu Neco, e se encantou com a conversa do comerciante e com os
casos contados por ele. Os olhares furtivos levaram aos beijos ocultos, aos
encontros escusos, e à migração, no meio da noite, entre os quartos. Manuela engravidou e esperou com ansiedade o
retorno de Antônio. Ele era a única
pessoa a quem ela poderia contar e somente ele poderia encontrar a
solução. Combinaram que ele a resgataria
na próxima semana. Antônio apareceu numa
noite de muita chuva e fugiram serra acima.
A escapada foi descoberta ainda pela manhã, quando Manuela não fez o
café; os rastros de dois cavalos denunciaram a fuga e o malfeitor. Seu Neco chamou seus homens de confiança e
ordenou que trouxessem a moça e matassem o sedutor que abusou de sua confiança
fazendo mal a sua filha. Os dois foram
encontrados numa clareira, quase na vertente da serra. Manuela foi atada à sela de um dos animais e
trazida para a fazenda, enquanto os outros jagunços torturaram o homem que desrespeitou
a filha do fazendeiro que lhe deu guarida, pouso e confiança. Antônio foi encontrado por amigos, morto com
os braços quebrados, com furos de faca na bexiga e na barriga, sem as orelhas e
com várias perfurações a bala. Os amigos
o sepultaram em local esconso e, anos depois, em 1952, seus restos mortais
foram transferidos para a capela, hoje em ruínas, que se destaca no alto da Serra
do Brigadeiro. A capela é conhecida como
a Ermida do Martins e atrai romeiros solicitando a intervenção do Antônio para
ajudar-lhes em seus casos de amor.
Muitos alcançam a graça solicitada como atestam as velas de
agradecimento nas reentrâncias da construção.
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