Gacel Sayah, o filho mais velho de Gacel Sayah, o
personagem espetacular do ótimo livro Tuareg, lidera sua família, vivendo em
tendas, no mais inóspito e recôndito espaço do
deserto do Saara. Fugiam das perseguições e discriminações provocadas pelo
feito de seu pai. Ele e sua família
construíram com grande dificuldade, tempo e trabalho, no meio do nada, um poço
que produzia água suficiente para eles e para os animais: umas poucas cabras e
camelos. Era o que tinham de mais
valioso.
Uma competição, no estilo Paris-Dacar,
mas partindo do oeste africano, atravessando todo o deserto do Saara até Cairo,
teve parte de seu percurso mal traçado levando os carros a passar pelo
acampamento tuareg de Gacel Sayah. O
primeiro grupo de carros perdidos solicitou a água escassa do poço encheu os
cantis e lavou os parabrisas dos carros com ela. O segundo grupo de veículos queria água para
os radiadores e não obteve. Nervoso um dos motoristas, Marc Milosevic, encheu
um galão de óleo e atirou-o no poço tornando sua água imprópria para beber e
condenando o acampamento à morte ou a migrar para aonde não imaginava Gacel.
Pela tradição tuareg a hospitalidade
solicitada era uma garantia de hospedagem e proteção, mas esse grupo não a
solicitou, ao contrário, apontou armas para os beduínos e acelerou para o
próximo ponto de encontro. Mais três carros chegaram ao acampamento e foram
feitos reféns, para garantir que Marc Milosevic retornaria para cumprir a lei
tuareg, ter uma das mãos decepada.
O autor escreveu esse livro para
denunciar os crimes cometidos contra a população tuareg: invasão do acampamento
pelas polícias do país em que se encontravam, forçando sua migração;
desrespeito às suas tradições; perseguições motivadas pela discriminação
racial, destruição de seus bens por grupos diversos sob pretexto de
competições, ou por considerar o deserto como terra de ninguém. É bom de ler, mas não se aproxima do outro
romance “Tuareg”.
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