832 (23-04-2020) – Escravidão – Laurentino Gomes
É o melhor que já li sobre a escravidão no mundo e no Brasil em termos de dados e documentação. No início, o texto não flui pela ausência de personagens que conduzam a história e pela dificuldade de não se estar escrevendo um relatório, mas um texto informativo de leitura agradável. Posteriormente aparecem, em 1630, Jinga, a rainha africana, enfrentando as tropas portuguesas em Angola; em 1662, a portuguesa Catarina de Bragança que se casa com o rei Charles II e, entre outros feitos, dá início ao consumo de chá na Inglaterra; e em 1675, o bandeirante Domingos Jorge Velho que abre o caminho que liga São Paulo e Minas Gerais e em 1695 pendura a cabeça degolada de Zumbi dos Palmares num poste em Recife. Em 1695, Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, fincado na Serra da Barriga, em Alagoas, é morto, após o quilombo resistir por quase um século a dezenas de expedições lançadas contra ele pretendendo destruí-lo e aprisionar os negros foragidos. E aí o texto ganha fluência e interesse crescente até que se descobre ouro em Minas Gerais, na década de 1690, e o livro termina para surpresa dos leitores.
É o melhor que já li sobre a escravidão no mundo e no Brasil em termos de dados e documentação. No início, o texto não flui pela ausência de personagens que conduzam a história e pela dificuldade de não se estar escrevendo um relatório, mas um texto informativo de leitura agradável. Posteriormente aparecem, em 1630, Jinga, a rainha africana, enfrentando as tropas portuguesas em Angola; em 1662, a portuguesa Catarina de Bragança que se casa com o rei Charles II e, entre outros feitos, dá início ao consumo de chá na Inglaterra; e em 1675, o bandeirante Domingos Jorge Velho que abre o caminho que liga São Paulo e Minas Gerais e em 1695 pendura a cabeça degolada de Zumbi dos Palmares num poste em Recife. Em 1695, Zumbi, líder do quilombo dos Palmares, fincado na Serra da Barriga, em Alagoas, é morto, após o quilombo resistir por quase um século a dezenas de expedições lançadas contra ele pretendendo destruí-lo e aprisionar os negros foragidos. E aí o texto ganha fluência e interesse crescente até que se descobre ouro em Minas Gerais, na década de 1690, e o livro termina para surpresa dos leitores.
Alguns dados interessantes:
1535 – Notícias da
chegada dos primeiros escravos africanos ao Brasil.
1600 – A população
indígena na América é estimada em 10 milhões, apenas um quinto do número
existente na época da chegada dos europeus.
1632 – O bandeirante
Raposo Tavares escraviza entre 40 mil e 60 mil índios.
1683 – No ataque a
Viena, os otomanos escravizam 8 mil cristãos brancos.
1694 – Estima-se em 2
milhões o total de eslavos (Rússia e o resto do leste europeu) escravizados
pelos tártaros (O tártaro pertence
à família das línguas turcomanas, que inclui azerbaijano,
basquir, cazaque, iacuto, nogai, quirguiz, turco, turcomeno, tuvínio e
uzbeque) na Crimeia nos duzentos anos anteriores. No mesmo período, outros 2,5 milhões de
escravos brancos foram comercializados pelos otomanos no mediterrâneo.
1530 até meados do Século
XIX - O Brasil foi o país que mais recebeu
escravos nas Américas. Quatro em cada dez negros que cruzaram o Atlântico até a
segunda metade do século 19 tiveram como destino nosso país – um total de 4,8
milhões de africanos.
1455 - 10% da população de Lisboa era negra – Estima-se em 12,5
milhões os africanos escravizados entre o Século XV e meados do Século XIX.

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