Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
O manuscrito que li em 2017 transformou-se em livro publicado pela Chiado Books. Iniciei a leitura sorrindo: um sujeito “enfiado no ridículo conjuntinho safári... e que não se divorcia dos fingidos jeitos e trejeitos” chega a uma sala grande, onde o narrador em posição privilegiada identifica os visitantes. “...veja como se pavoneia, ... apesar dos rapapés, não tira os olhos das curvas de Aurora”. Continua o narrador enciumado, também tarado pela Aurora, tanto que escalou o muro da casa dela para vencer o portão trancado e visitá-la. Outros conhecidos vão chegando e o narrador, revela-lhes a vida usando técnicas literárias invejáveis pela clareza, graça e fluência do texto. As palavras do vocabulário amplo do autor são dispostas nos períodos com precisão tal que não é possível substituí-las. Mas se isso não bastasse, as reflexões do autor sobre a morte, a vida pós morte, a busca por mais um pouco de vida na terra, existência da alma, Deus e os poderes de Deus, a doutrina espírita, na forma como são apresentadas, engrandecem o livro. As estórias são várias e diversas, a maioria refere-se a mulheres. Por exemplo: “Houve outra que era do mesmo feitio dessa daí. Era uma mulher marmórea”. Que permite ao autor o seguinte diálogo: - “Você diz que gosta, mas não demonstra, não emite um único murmúrio. Essa frieza, essa falta de prazer, é só comigo?” - “Não, com todos os que tive.” - “E quantos foram? - perguntei” – “Não sei, perdi a conta”.
Surpreendeu-me alegremente o desfecho do livro, mas vou deixá-lo aos curiosos. O romance é muito bom e impressiona pela criatividade literária do autor.

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