segunda-feira, 7 de março de 2022

Antes de nascer o mundo – Mia Couto

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


850 (05-03-2022) – Antes de nascer o mundo – Mia Couto

            “Eu vivia num ermo habitado apenas por cinco homens. Meu pai dera um nome ao lugarejo. Simplesmente chamado assim: Jesusalém”. Mwanito, um menino de onze anos, descreve a coutada e os viventes do lugar, os últimos da terra, segundo seu pai Silvestre Vitalício.  “A humanidade era eu, meu pai, meu irmão Ntunzi e Zacaria Kalash, nosso serviçal. E mais nenhum ninguém. Para dizer a verdade esqueci-me de dois semi-habitantes: a jumenta Jezibela, tão humana que afogava os devaneios sexuais de meu velho pai. E também não me referi o meu tio Aproximado. Ele morava junto ao portão de entrada. Entre nós e sua cabana ficava a lonjura de horas e feras”.

            O livro é repleto de reflexões e tiradas filosóficas apresentadas na linguagem inventiva e no estilo poético de Mia Couto.  Conta a história do crescimento, da vivência e das descobertas de Mwanito. “A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas”. Seu pai não lhe contara toda a verdade, seu tio Aproximado ia ao mundo inexistente e trazia roupas, alimentos e ferramentas no seu velho caminhão.  Ntunzi já não suportava a vida no que ele chamava de esconderijo criado por seu pai para fugir do crime de matar sua mãe Dordalma. Convencera Mwanito a fugir daquele lugar, mas o medo das feras da savana e do rio boicotou o intento. Aparece Marta no acampamento buscando pelo marido Marcelo.  Ntunzi se apaixona por ela, Mwanito a quer como mãe. A vida se transforma e Ntunzi se empondera, decide acabar com Jesusalém ferindo seu pretenso pai, matando o ente que ele mais ama: Jezibela. Silvestre Vitalício adoece e todos são levados pelo tio Aproximado para a cidade.  Mwanito cresceu, é um rapaz, conhece Noci, a amante do tio Aproximado, e o amor. “A ternura daquela mulher me confirmava que meu pai estava errado: o mundo não morreu. Afinal, o mundo nunca chegou a nascer”. 

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