Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
“Eu
vivia num ermo habitado apenas por cinco homens. Meu pai dera um nome ao
lugarejo. Simplesmente chamado assim: Jesusalém”. Mwanito, um menino de onze
anos, descreve a coutada e os viventes do lugar, os últimos da terra, segundo
seu pai Silvestre Vitalício. “A
humanidade era eu, meu pai, meu irmão Ntunzi e Zacaria Kalash, nosso serviçal.
E mais nenhum ninguém. Para dizer a verdade esqueci-me de dois semi-habitantes:
a jumenta Jezibela, tão humana que afogava os devaneios sexuais de meu velho
pai. E também não me referi o meu tio Aproximado. Ele morava junto ao portão de
entrada. Entre nós e sua cabana ficava a lonjura de horas e feras”.
O livro é repleto de reflexões e tiradas filosóficas apresentadas na linguagem inventiva e no estilo poético de Mia Couto. Conta a história do crescimento, da vivência e das descobertas de Mwanito. “A primeira vez que vi uma mulher tinha onze anos e surpreendi subitamente tão desarmado que desabei em lágrimas”. Seu pai não lhe contara toda a verdade, seu tio Aproximado ia ao mundo inexistente e trazia roupas, alimentos e ferramentas no seu velho caminhão. Ntunzi já não suportava a vida no que ele chamava de esconderijo criado por seu pai para fugir do crime de matar sua mãe Dordalma. Convencera Mwanito a fugir daquele lugar, mas o medo das feras da savana e do rio boicotou o intento. Aparece Marta no acampamento buscando pelo marido Marcelo. Ntunzi se apaixona por ela, Mwanito a quer como mãe. A vida se transforma e Ntunzi se empondera, decide acabar com Jesusalém ferindo seu pretenso pai, matando o ente que ele mais ama: Jezibela. Silvestre Vitalício adoece e todos são levados pelo tio Aproximado para a cidade. Mwanito cresceu, é um rapaz, conhece Noci, a amante do tio Aproximado, e o amor. “A ternura daquela mulher me confirmava que meu pai estava errado: o mundo não morreu. Afinal, o mundo nunca chegou a nascer”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário