sexta-feira, 6 de maio de 2022

Escravidão II – Laurentino Gomes

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.

852 (04-05-2022) – Escravidão II – Laurentino Gomes

            Neste livro espetacular, fartamente documentado e repleto de descrições pitorescas e inovadoras, Laurentino Gomes relata os eventos, relacionados à escravidão, acontecidos desde a corrida do ouro em Minas Gerais em fins do Século XVII até a chegada da corte de dom João VI ao Brasil em 1808.

            Uma informação curiosa reporta que tanto os inconfidentes mineiros que buscavam libertar o Brasil de Portugal, em 1789, quanto os líderes da independência dos Estados Unidos, em 1776, eram donos de escravos. A abolição da escravatura, em ambos os países, ocorreu décadas depois da independência, 1888, com a Lei Áurea, no Brasil e, em 1865, após a Guerra de Secessão, nos Estados Unidos.

            Um fato histórico relevante e pouco conhecido é o das monções, isto é, expedições para assegurar as fronteiras brasileiras no extremo oeste, nas divisas do Paraguai e da Bolívia com o Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, e para a lavra do ouro na região de Cuiabá. As monções percorriam um trajeto de quase 3.700 km, ao longo dos quais era necessário transpor 113 saltos, cachoeiras e corredeiras de dez diferentes rios, em viagens que duravam entre quatro e seis meses até chegarem às minas de ouro.

            “O mais impressionante e detalhado registro de uma dessas monções foi feito pelo sargento-mor Teotônio José Juzarte, à frente de uma frota de 36 canoas e cerca de oitocentas pessoas. Juzarte partiu de Araritaguaba, hoje Porto Feliz, SP, no dia 13 de abril de 1769 rumo ao longínquo Forte Iguatemi, na fronteira do Paraguai com o atual estado do Mato Grosso do Sul. A navegação de mais de mil quilômetros pelos rios Tietê, Paraná e Iguatemi demorou dois meses e dois dias”. Todos os trabalhos a bordo e os de remar, transpor cachoeiras carregando as canoas, às vezes por quilômetros, e recarregar as embarcações eram feitos pelos escravos.

            O tráfico de escravos ocorria pela prisão dos derrotados em batalhas travadas ou financiadas por traficantes brasileiros, portugueses, ingleses, franceses e outros contra os reinos africanos, ou pela venda aos traficantes dos prisioneiros das guerras entre reinos rivais. Num desses eventos, “Agaja, rei do Daomé, conquista o reino de Aladá e se consolida como grande fornecedor de cativos na costa da África”.

            Todos os aspectos da escravidão são descritos com maestria literária abordando os temas: trabalho, violência, a família escrava, os líderes masculinos e femininos, os quilombos, fugitivos e rebeldes, o medo da população branca das revoltas dos escravos, e os navios negreiros.

            Este é um livro brilhante, muito bem escrito, recheado de elementos históricos que tornam sua leitura muito agradável.


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