quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Araritaguaba: o Porto Feliz – Jonas Soares de Souza (org.)

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 


860 (27-08-2022) – Araritaguaba: o Porto Feliz – Jonas Soares de Souza (org.)

            As monções, grandes expedições com oitocentas ou até mais de mil pessoas, partiam de Araritaguaba, lugar onde as araras comem areia, hoje Porto Feliz-SP, para consolidar a fronteira brasileira no Forte Iguatemi, próximo à cidade de Iguatemi-MS, ou em busca de ouro na região de Cuiabá-MT. As embarcações eram principalmente grandes canoas escavadas em um tronco de peroba, tinham 16,5 metros de comprimento e 2,80 m de largura no centro. Transportavam 5.840 kg de carga, mantimento para oito tripulantes e até passageiros.  As expedições iniciavam as viagens pelo Rio Tietê, se estivesse cheio, transpunham apenas dois saltos, depois navegavam pelo Rio Paraná até o afluente Rio Iguatemi, à direita, que subiam até o forte do mesmo nome localizado na fronteira do Mato Grosso do Sul, Paraná e Paraguai, em viagem de dois a três meses. Se o destino da viagem era a região de Cuiabá (3.500 km), as dificuldades e o tempo de navegação eram maiores. Desciam o Rio Tietê, se estivesse vazio, transpunham dezenas de corredeiras, diversas cachoeiras, continuavam rio abaixo no Paraná, mais largo e sujeito a perigosas tempestades, subiam o Rio Pardo, afluente à direita e ao norte do Iguatemi, até o varadouro de Camapuã de 15 km em que as embarcações e as cargas eram transportadas por terra para deixarem a vertente do Paraná e entrarem na do Rio Paraguai. O primeiro afluente do Rio Paraguai, o Rio Camapuã era raso e as canoas eram puxadas em grande parte roçando as pedras ou o lodo do rio até próximo a sua foz, desaguando no Rio Coxim. Desciam o Rio Coxim, difícil pelas inúmeras corredeiras, entravam no Rio Taquari descendo-o, evitando se perderem no pantanal mato-grossense, até atingirem o Rio Paraguai.  Subir este rio era difícil, pois as zingas, varas que empurravam as canoas, na época das chuvas não atingiam o fundo do rio e era necessário remar com denodado esforço. As margens dos rios Taquari e Paraguai eram infestadas pelos temidos guerreiros Guaicurus que atacavam com seus cavalos, nas paragens das tardes, antes de anoitecer. Deixando o Rio Paraguai, subiam o Rio Porrudos em cuja margem habitavam os Paiaguás, ferozes guerreiros das águas, e depois pelo Rio Cuiabá até a vila do mesmo nome.

            O livro relatas diversas expedições que fracassaram por insurgência na tripulação; desastres ao enfrentar saltos e corredeiras que destruíam as canoas; doenças que acometiam a monção; e por ataques dos índios Guaicurus e Paiaguás. Descreve também a chegada a Araritaguaba de expedições com muito ouro, movimentando a economia da vila. Assim, parte da história de Porto Feliz e do Brasil está amalgamada às aventuras das monções.


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