Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
875 (15-12-2023) – Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie. Companhia das Letras, São Paulo, 2011.
Este é o primeiro romance de Chimamanda Adichie,
foi publicado em 2003. A metáfora e o subentendido são elementos literários
utilizados com frequência para contar três histórias: a da família rica da
narradora, a da sua tia professora universitária, e a do caos governamental e
político da Nigéria.
Eugene,
o pai de Kambili, a narradora de quinze anos, é dono do jornal Standart,
opositor dos militares, atuais governantes do país; é empresário poderoso na
indústria de alimentos; ajuda as obras arquitetônicas e religiosas da igreja atendendo
ao pedido do pároco, e por isso sua magnanimidade é sempre ressaltada nas
missas; e é um ídolo para o povo de sua aldeia onde vai uma vez por ano distribuindo
bolsas de estudo e dinheiro. Em família, aplica os métodos de educação sofridos
no seminário: bate nos filhos e na esposa e aplica castigos. É católico ortodoxo
pregando e rezando antes das refeições, indo à missa todos os dias, com
horários rígidos para os filhos estudarem, dormirem e rezarem. Admira os
antigos colonizadores ingleses. Mas, deixa o pai na miséria, chamando-o de
pagão, por ele observar a religião dos seus ancestrais. O contato de qualquer
membro de sua família com seu pai é proibida ou não passa de quinze minutos
na visita anual à sua vila. Kambili tem os pés queimados com água quente e
jaja, seu irmão, é chicoteado por dormirem na casa da tia Ifeoma, quando seu
avô passara lá alguns dias antes de morrer.
Tia
Ifeoma, professora da Universidade da Nigéria-Nsukka ri, se diverte e
discute com os filhos os temas de seu interesse. Kambili e Jaja, sempre que o
pai permite, passam as férias com a tia e os primos vivenciando uma
realidade alegre, desinibida, livre. E é na casa da tia que Kambili conhece o padre Amadi e se apaixona.
O
editor chefe do Standart é morto por uma bomba enviada pelo correio. Eugene
envia os filhos para a casa da irmã. Eles
adoram mesmo enfrentando a crise que se abate sobre a universidade: perseguição
de professores, tia Ifeoma foi demitida, falta de eletricidade e de combustível.
O telefone toca, é a mãe de Kambili informando
que Eugene, seu marido, morrera há pouco no seu escritório, na redação do
jornal. Em família a mãe de Kambili revela que ela envenenara o marido, mas
quando a polícia chega, Jaja se revela o assassino e é preso acusado de envenenar o pai. Kambili e a mãe visitam-no na prisão superlotada, dominada por gangs e pelos
mais fortes. Trazem a notícia repetida de que ele será libertado na próxima
semana.
A
autora faz dessa história uma leitura muito agradável que não é comprometida
pelos defeitos de tradução. Vale a pena ler.

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