segunda-feira, 18 de dezembro de 2023

Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 



875 (15-12-2023) – Hibisco roxo – Chimamanda Ngozi Adichie. Companhia das Letras, São Paulo, 2011.

             Este é o primeiro romance de Chimamanda Adichie, foi publicado em 2003. A metáfora e o subentendido são elementos literários utilizados com frequência para contar três histórias: a da família rica da narradora, a da sua tia professora universitária, e a do caos governamental e político da Nigéria.

            Eugene, o pai de Kambili, a narradora de quinze anos, é dono do jornal Standart, opositor dos militares, atuais governantes do país; é empresário poderoso na indústria de alimentos; ajuda as obras arquitetônicas e religiosas da igreja atendendo ao pedido do pároco, e por isso sua magnanimidade é sempre ressaltada nas missas; e é um ídolo para o povo de sua aldeia onde vai uma vez por ano distribuindo bolsas de estudo e dinheiro. Em família, aplica os métodos de educação sofridos no seminário: bate nos filhos e na esposa e aplica castigos. É católico ortodoxo pregando e rezando antes das refeições, indo à missa todos os dias, com horários rígidos para os filhos estudarem, dormirem e rezarem. Admira os antigos colonizadores ingleses. Mas, deixa o pai na miséria, chamando-o de pagão, por ele observar a religião dos seus ancestrais. O contato de qualquer membro de sua família com seu pai é proibida ou não passa de quinze minutos na visita anual à sua vila. Kambili tem os pés queimados com água quente e jaja, seu irmão, é chicoteado por dormirem na casa da tia Ifeoma, quando seu avô passara lá alguns dias antes de morrer.   

            Tia Ifeoma, professora da Universidade da Nigéria-Nsukka ri, se diverte e discute com os filhos os temas de seu interesse. Kambili e Jaja, sempre que o pai permite, passam as férias com a tia e os primos vivenciando uma realidade alegre, desinibida, livre. E é na casa da tia que Kambili conhece o padre Amadi e se apaixona.

            O editor chefe do Standart é morto por uma bomba enviada pelo correio. Eugene envia os filhos para a casa da irmã.  Eles adoram mesmo enfrentando a crise que se abate sobre a universidade: perseguição de professores, tia Ifeoma foi demitida, falta de eletricidade e de combustível.

             O telefone toca, é a mãe de Kambili informando que Eugene, seu marido, morrera há pouco no seu escritório, na redação do jornal. Em família a mãe de Kambili revela que ela envenenara o marido, mas quando a polícia chega, Jaja se revela o assassino e é preso acusado de envenenar o pai. Kambili e a mãe visitam-no na prisão superlotada, dominada por gangs e pelos mais fortes. Trazem a notícia repetida de que ele será libertado na próxima semana.

            A autora faz dessa história uma leitura muito agradável que não é comprometida pelos defeitos de tradução. Vale a pena ler.


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