quarta-feira, 11 de setembro de 2024

Escravidão III: da independência do Brasil à Lei Áurea - Laurentino Gomes

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


882 (08-09-2024) – Escravidão III: da independência do Brasil à Lei Áurea. Laurentino Gomes, Globo Livros, Rio de Janeiro, 2022. 592 p.

            Uma lei aprovada no parlamento brasileiro em 1831 proibia o tráfico de escravos, mas a lei “não pegou”, isto é, não foi cumprida e passaria para a história com o apelido de “lei para inglês ver”.  Posteriormente aprovaram-se, em 1850, a Lei Eusébio de Queirós, que proibiu, com sucesso, a importação de escravos; a Lei do Ventre Livre, em 1871; a Lei dos Sexagenários, de 1885; e a Lei Áurea, em 1888.

            A abolição da escravatura ocorreu após muita luta dos escravos, como a Revolta dos Malês na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835 que mobilizou 600 africanos nas ruas de Salvador, deixando ao final dos combates mais de 70 mortos e centenas de feridos. Anteriormente, O Quilombo dos Palmares (1692 – 1694) foi um centro de resistência que teria reunido mais de 20 mil cativos foragidos, na Serra da Barriga, PE. Foi destruído pelo bandeirante Domingos Jorge Velho e sua tropa formada por milhares de homens. Zumbi dos Palmares, o último líder do quilombo, após a derrota, foi caçado e morto em 1695.

            Os abolicionistas reunidos em organizações, partidos, ou sozinhos, no exercício de sua profissão de advogados, poetas e jornalistas foram muito relevantes. Assim, tem-se Luiz Gama, vendido pelo pai como escravo. Tornou-se rábula e usando como argumento a Lei de 1831, calcula-se que tenha ajudado a libertar cerca de 500 pessoas; Joaquim Nabuco, cosmopolita reformador em um país de analfabetos; José do Patrocínio, filho de um padre, tornou-se farmacêutico e jornalista; André Rebouças, que se descobriu negro tardiamente quando já era engenheiro e havia construído a estrada de ferro ligando Curitiba ao porto de Paranaguá. As ideias de Rebouças incluíam não apenas o fim da escravidão, mas o acesso à terra e a direitos para que os ex-escravos fossem integrados à sociedade; Castro Alves, o autor do poema “Navio Negreiro”; Maria Tomásia Figueira Lima, primeira presidente da Sociedade das Cearenses Libertadoras; Francisco José do Nascimento, o Dragão do Mar, que em 1881, comandou em Fortaleza uma greve de jangadeiros que transportavam escravos para navios que os levariam para outros estados do Nordeste e do Sul do Brasil; entre outros. Entre as formas de resistência à escravidão, estavam grandes embates parlamentares, manifestações artísticas, revoltas e fugas massivas de escravos.

            Proibido o tráfico internacional, persistiu o contrabando interno, entre as províncias, dos escravos. Em estados do Norte e Nordeste o plantel de cativos reduziu-se ao ponto de o Ceará e o Amazonas abolir a escravidão quatro anos antes da Lei Áurea, em 1884.

            Nos estados do Sudeste, em que floresciam as grandes fazendas de café, a dependência da mão de obra escrava impôs grande resistência política, policial e comercial à abolição. A família imperial, sendo abolicionista, via-se entanguida pelo suporte recebido dos grandes fazendeiros, e demorou até o dia 13 de maio de 1888 para assinar a Lei Áurea. Um ano depois, abandonada pelos fazendeiros poderosos, foi exilada do Brasil e a república, proclamada.

            Muito bom livro de agradável leitura, farto de informações e registros pouco conhecidos.

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