domingo, 1 de dezembro de 2024

Fabián e o caos – Pedro Juan Gutiérrez

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


888 (29-11-2024) – Fabián e o caos – Pedro Juan Gutiérrez. Editora Schwarcz, Rio de Janeiro, 2016. 195 p.

            Pedro Juan Gutiérrez, no seu estilo direto e objetivo, tem uma visão escatológica da vida em Cuba. Seus personagens convivem com a miséria, casas em ruínas, ambiente de trabalho corrompido e degradante, e vida sexual abjeta.

            Lucía e Felipe, em busca de um futuro rico, vieram de Madri para Matanzas em 1926. Felipe trabalhando arduamente tornou-se dono da loja o tio e abriu a camisaria Cugat. Estava rico aos cinquenta e cinco anos. Lucía descobriu-se grávida aos quarenta e quatro anos, e em 1950 nasceu Fabián. Ele ouvia a mãe ensaiando e tocando piano na escola fundamental quando ainda estava no útero e depois em sua companhia. Após a chegada dos revoltosos de Sierra Maestra à capital, Havana, em 1959, Fabián continuou seus estudos de música no conservatório até ser considerado, devido a sua homossexualidade, inadequado para a arte musical e foi enviado à fábrica de enlatados. Trabalhou na área de produção, carregando panelas quentes e lavando o chão, mais tarde foi transferido para a seção de abate, mas fazia vômito sobre as carcaças enlameada de fezes dos porcos e novamente foi deslocado, agora para a área de cortes. Um dia um colega mais alto e mais pesado que ele o convidou para uma escapada. Fabián não resistiu e o acompanhou até o espaço onde as entranhas dos animais aguardavam o caminhão para retirá-las. O cheiro era nauseabundo, alguns casais faziam sexo no chão, aproveitando a folga do almoço. Fabian teve apenas que se inclinar e apoiar as mãos, com os braços encolhidos, na parede, mas não conseguiu evitar alguns choques de sua cabeça no muro.

            Felipe viu seu dinheiro, depositado nos bancos americanos, esvanecer quando eles foram estatizados. Mas ele guardava em casa a sua fortuna, mais de quinhentos mil pesos, com a qual pretendia comprar um terreno na Espanha. Mas, no dia 4 de agosto de 1961, uma sexta-feira, o governo anunciou a mudança de moeda. Cada pessoa podia trocar duzentos pesos em dinheiro e depositar até dez mil pesos no banco e fazer saques de no máximo cem pesos por mês. Produzia-se a equalização da miséria. Mais do que isso estava perdido. Todo seu trabalho e a sua fortuna estavam arruinados. Quando as lojas de Felipe foram nacionalizadas e fechadas, ele chegou em casa antes do almoço. Não dormiu à noite e amanheceu com o lado direito paralisado e perda de memória. A casa grande e bem construída resistiu inteira até que um tufão jogou o pé de abacate do vizinho sobre a cozinha. A ruína avançava gradativamente.

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