quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

Bambino a Roma – Chico Buarque

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.  


893 (20-02-2025) – Bambino a Roma – Chico Buarque. Companhia das Letras, São Paulo, 2024. 168p.

            O livro conta a história da família e principalmente do Chico Buarque no período de um ano em que viveram em Roma na década de 1950. Nesse tempo o pai do Chico ministrou aulas numa universidade italiana.

            O romance é uma autobiografia arredondada com ficção, é muito bem escrito, engraçado e gostoso de ler. Os trechos a seguir são uma demonstração disso. A família parte do Rio de Janeiro e o autor narra: “Eu não olhava a baía, mas sim a espuma que o transatlântico fazia no mar, como que desarranjando o caminho de volta.” “Havia muita festa a bordo e jogos no tombadilho, mas se me perguntarem do que mais me lembro, direi francamente que só me lembro de um mar de vômito.”

Chico Buarque descreve o apartamento em que moraram, a bicicleta niquelada com pneus brancos com que ele percorreu boa parte de Roma, o amigo Amadeo, filho do verdureiro, com quem jogava futebol gol a gol. Conta da falta que sentiu do arroz com feijão e como rapidamente tomou gosto pelas massas que a cozinheira servia todo dia no almoço.

“Foi na escola americana, em Roma, que mister Welsh passou a mão na minha bunda.” Isso acontecia todas as vezes que levava suas redações para serem corrigidas. Parou de buscar a ajuda do professor.

O livro é curto, 168 páginas, mas o último capítulo parece uma inserção para aumentar a grossura da obra. Mas talvez seja uma construção para mostrar o gosto do autor por Roma, ou pelo tempo que lá viveu.

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