Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
781
(02-07-2016) – Ribamar – José Castello
É uma obra de ficção tratando da
relação entre pai e filho, no caso, do autor José com seu pai Ribamar. Fios literários
ligam o primeiro relacionamento à relação de Franz Kafka com seu pai Hermann. Há várias referências às obras de Kafka, mas
especificamente à “Carta ao Pai”. O
livro tem uma literatura muito boa, que me parece difícil de fazer, porque se
constitui de um conjunto de reflexões abstratas. Eu o classifico entre alguns livros da
literatura europeia das décadas de 1960 a 1980 em que autores como Sartre em “A
Idade da Razão” e Hermann Hesse em “O Lobo da Estepe”, por ausência do que narrar,
criam além do alcoolismo, problemas psicológicos em seus personagens. A partir daí oferecem ao leitor uma sequência
de reflexões abstratas, que repito, parecem-me difíceis de construir, mas que
eu não gosto de ler. Essas reflexões
baseiam-se na realidade, mas não melhoram o seu entendimento nem são profundas. São reflexões repetitivas sobre muito pouca
coisa.
A estória do livro “Ribamar”
inicia-se com a presença do filho no hospital em que o pai moribundo resiste a
tomar banho. O pai falece poucos dias
depois. A partir daí, o filho, que sempre se sentiu oprimido pelo pai, reflete
sobre as causas desse sentimento. Ele tenta descobrir se foi a opressão do pai
que o fez inseguro e gago, ou se foi a sua insegurança e seu mutismo que
tornaram seu pai um opressor. Viaja à
Parnaíba, onde o pai trabalhou e ele viveu, à procura de informações para
escrever o livro sobre o pai ou sobre sua relação com ele. O livro termina com a
volta do autor, ou do filho José, à cidade de onde partiu. Antes de iniciar a viagem de volta escreve
uma carta ao pai, Ribamar, e a entrega à atendente do correio sem endereço.
Esse livro ganhou o Prêmio Jabuti de
melhor romance do ano em 2011.
Nenhum comentário:
Postar um comentário