sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Hereges - Leonardo Padura

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


(eBook) HEREGES            784 (30-09-2016) – Hereges – Leonardo Padura


            A estória do livro começa em Havana em 1939.  O tio de Daniel Kaminsky, Joseph, o acordou para irem ao porto receber o navio em que chegariam da Alemanha seu pai, mãe e irmã, judeus, fugindo do nazismo. A corrupção gananciosa dos oficiais da alfândega em Havana impediu que o navio aportasse.  Como os judeus não conseguiram outros países que os aceitassem, retornaram à Alemanha para morrerem nos campos de concentração nazistas. Os próximos capítulos se passam na Holanda dos anos de 1640 e descrevem as liberdades concedidas aos judeus, que lhes permitia trabalhar e enriquecer.  Por outro lado, narra como a congregação dos rabinos limitava essas liberdades.  Por exemplo, um judeu não poderia ser um pintor, mesmo trabalhando na prestigiosa escola de Rembrandt. Isso obrigou o jovem e muito promissor pintor, Elias Ambrosius, a fugir da Holanda para a Polônia, onde presenciou os grandes massacres de judeus pelos rebeldes cossacos e tártaros.  Esses rebeldes desejavam o poder dos senhores feudais e príncipes que eram aliados, por suas dívidas, aos judeus. Os judeus, por sua vez, eram odiados pelos servos por serem cobradores dessas dívidas.  Atar as pontas da estória exigiu do autor retornar à Cuba dos anos 2000 e descrever em detalhes, que me pareceram prolixos, as sociedades dos emo e freak. Mas o livro termina com uma carta escrita por Elias Ambrosius, assinada apenas por EA, para seu mestre Rembrandt, descrevendo os horrores dos pogroms poloneses contra os judeus.  Elias viajava para a região da Criméia de onde pretendia embarcar para a Palestina ao encontro de um religioso que se autoproclamava messias. 
 Os pontos positivos do livro estão na redação abrangente que vai do nazismo à rejeição dos judeus nos portos americanos, à descrição da vida dos judeus na Holanda liberal dos anos de 1640 e de como os rabinos ortodoxos holandeses reprimem a arte praticada pelos judeus, e à frustrante viagem em busca dos autoproclamados messias que em pouco tempo se revelam uma fraude.

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