quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Zelota, A Vida e a Época de Jesus de Nazaré – Reza Aslan

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.





792 (07-02-2017) – Zelota, A Vida e a Época de Jesus de Nazaré – Reza Aslan        


            O autor faz um grande esforço para diferenciar o Jesus histórico do Jesus religioso.  Ele esbarra nas poucas informações históricas disponíveis sobre Jesus e para contornar essa dificuldade, ele faz uma grande pesquisa sobre o tempo em que Jesus viveu, sobre a religião dos judeus e sobre o comportamento do exército romano. Quanto ao Jesus histórico, ele conclui que Jesus nasceu em Nazaré e não em Belém, que tinha irmãos e irmãs, que há evidências de que foi casado, que reuniu uma multidão de seguidores para expulsar o exército romano da Palestina, e que se proclamava rei dos judeus. Proclamar-se e agir como rei dos judeus foi o crime que o levou à crucificação. Quanto ao Jesus religioso o livro demonstra que Tiago, um dos irmãos de Jesus, liderou uma comunidade de seguidores de Jesus fiéis aos seus ensinamentos, respeitadores da Lei de Moisés e dedicados aos pobres.  Eles consideravam Jesus apenas como um homem que pregava mensagens revolucionárias para a época, humanas, e voltadas para os pobres.  Essa comunidade de seguidores foi marginalizada e perseguida depois que o concílio de Niceia, em 325 d.C., tornou o cristianismo pregado por Paulo a religião ortodoxa do Império Romano.  O que São Paulo pregava era a separação do cristianismo do judaísmo e, por isso, conflitou com Tiago, São Pedro e outros líderes da comunidade cristã de sua época. As cartas de São Paulo e os evangelhos torceram e amenizaram o cristianismo, tornando-o mais aceitável ao Império Romano e aos judeus da diáspora vivendo em Roma e mundo afora.  Assim, Jesus teria nascido de uma mulher virgem, em Belém, apenas para se tornar compatível com as profecias bíblicas; não teria liderado um exército de seguidores para livrar a Palestina dos romanos; e não teria ameaçado destruir o Templo de Jerusalém para eliminar sacerdotes e sumo sacerdotes corruptos que cobravam altos impostos do povo para obterem grandes riquezas pessoais.

            O livro traz discussões muito relevantes e pode escandalizar os leitores mais religiosos. Em algumas partes é repetitivo levando o leitor a ziguezaguear entre séculos à frente e o de Cristo.  Deve-se destacar que as discussões, mesmo as mais bizarras como a do provável pai de Jesus, são fruto de pesquisas cuidadosas, cujas fontes são indicadas. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário