792 (07-02-2017) – Zelota, A Vida e a Época de Jesus de Nazaré – Reza Aslan
O autor faz um grande esforço para diferenciar
o Jesus histórico do Jesus religioso. Ele
esbarra nas poucas informações históricas disponíveis sobre Jesus e para
contornar essa dificuldade, ele faz uma grande pesquisa sobre o tempo em que
Jesus viveu, sobre a religião dos judeus e sobre o comportamento do exército
romano. Quanto ao Jesus histórico, ele conclui que Jesus nasceu em Nazaré e não
em Belém, que tinha irmãos e irmãs, que há evidências de que foi casado, que reuniu
uma multidão de seguidores para expulsar o exército romano da Palestina, e que
se proclamava rei dos judeus. Proclamar-se e agir como rei dos judeus foi o
crime que o levou à crucificação. Quanto ao Jesus religioso o livro demonstra
que Tiago, um dos irmãos de Jesus, liderou uma comunidade de seguidores de
Jesus fiéis aos seus ensinamentos, respeitadores da Lei de Moisés e dedicados
aos pobres. Eles consideravam Jesus
apenas como um homem que pregava mensagens revolucionárias para a época,
humanas, e voltadas para os pobres. Essa
comunidade de seguidores foi marginalizada e perseguida depois que o concílio
de Niceia, em 325 d.C., tornou o cristianismo pregado por Paulo a religião ortodoxa
do Império Romano. O que São Paulo pregava era a separação do cristianismo do judaísmo e, por isso, conflitou com
Tiago, São Pedro e outros líderes da comunidade cristã de sua época. As cartas de
São Paulo e os evangelhos torceram e amenizaram o cristianismo, tornando-o mais
aceitável ao Império Romano e aos judeus da diáspora vivendo em Roma e mundo
afora. Assim, Jesus teria nascido de uma
mulher virgem, em Belém, apenas para se tornar compatível com as profecias
bíblicas; não teria liderado um exército de seguidores para livrar a Palestina
dos romanos; e não teria ameaçado destruir o Templo de Jerusalém para eliminar
sacerdotes e sumo sacerdotes corruptos que cobravam altos impostos do povo para
obterem grandes riquezas pessoais.
O
livro traz discussões muito relevantes e pode escandalizar os leitores mais
religiosos. Em algumas partes é repetitivo levando o leitor a ziguezaguear entre
séculos à frente e o de Cristo. Deve-se
destacar que as discussões, mesmo as mais bizarras como a do provável pai de Jesus, são fruto de pesquisas
cuidadosas, cujas fontes são indicadas.
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