805 (28-12-2017) – As
Boas Mulheres da China – Xinran
Esse livro foi
publicado em 2002, na Inglaterra, onde a autora vive desde 1997. Xinran tinha
um programa radiofônico em Nanquim, no qual discutia questões femininas. O programa tinha grande audiência e recebia
inúmeros relatos de ouvintes em busca de conselhos ou de alguém que pudesse
repercutir suas histórias. À medida que
aprofundava seu conhecimento sobre a vida das mulheres chinesas, a autora
entrevistou inúmeras dessas mulheres. Nas
vilas perdidas como a da Colina dos Gritos, as mulheres serviam apenas como
animais de trabalho e para satisfazer sexualmente os homens; no período da
revolução cultural (1966 a 1969 ou até 1976, com a morte de Mao de Tsé-Tung), a
guarda vermelha perpetrou todos os tipos de crimes, mas a autora destaca os
cometidos contra as mulheres. Famílias
foram separadas, sendo os pais e as mães enviados a diferentes campos de
trabalho forçado ou para áreas remotas onde tinham que sobreviver em ambiente
hostil. Os filhos eram enviados para os
centros de estudos políticos para engrossarem as hostes fanáticas do
maoísmo. E não raro, meninas impúberes
eram estupradas em nome da revolução. Os
danos físicos, morais e psicológicos provocados nas mulheres por abusos políticos, culturais e étnicos
são apontados em histórias muito bem narradas que descobrem a China do passado
recente ou do presente, deixando à mostra cicatrizes da opressão e da ignorância
em que o país viveu por décadas ou séculos.

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