terça-feira, 2 de janeiro de 2018

As Boas Mulheres da China – Xinran

Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.


805 (28-12-2017) – As Boas Mulheres da China – Xinran


            Esse livro foi publicado em 2002, na Inglaterra, onde a autora vive desde 1997. Xinran tinha um programa radiofônico em Nanquim, no qual discutia questões femininas.  O programa tinha grande audiência e recebia inúmeros relatos de ouvintes em busca de conselhos ou de alguém que pudesse repercutir suas histórias.  À medida que aprofundava seu conhecimento sobre a vida das mulheres chinesas, a autora entrevistou inúmeras dessas mulheres.  Nas vilas perdidas como a da Colina dos Gritos, as mulheres serviam apenas como animais de trabalho e para satisfazer sexualmente os homens; no período da revolução cultural (1966 a 1969 ou até 1976, com a morte de Mao de Tsé-Tung), a guarda vermelha perpetrou todos os tipos de crimes, mas a autora destaca os cometidos contra as mulheres.  Famílias foram separadas, sendo os pais e as mães enviados a diferentes campos de trabalho forçado ou para áreas remotas onde tinham que sobreviver em ambiente hostil.  Os filhos eram enviados para os centros de estudos políticos para engrossarem as hostes fanáticas do maoísmo.  E não raro, meninas impúberes eram estupradas em nome da revolução.  Os danos físicos, morais e psicológicos provocados nas mulheres por abusos políticos, culturais e étnicos são apontados em histórias muito bem narradas que descobrem a China do passado recente ou do presente, deixando à mostra cicatrizes da opressão e da ignorância em que o país viveu por décadas ou séculos.

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