817 (11-01-2019) – Visconde
do Rio Branco-Notas para sua história – Oiliam José
D. Irene, esposa de
João Primo, emprestou-me esse livro publicado em 1952, encadernado e muito bem
conservado. Eu estava visitando a
família, em Monte Celeste, em decorrência do falecimento do Sr. João Crispim
Teixeira, o João Primo, meu amigo. Entre um assunto e outro, eu disse que
estava escrevendo um livro cujo título seria “Monte Celeste”, onde tive um
sítio por mais de trinta anos. D. Irene,
após oferecer-me algumas informações sobre o distrito, trouxe-me esse compêndio
que tem sido de grande ajuda na construção histórica de lugares, paisagens e
fatos.
O
primeiro capítulo trata dos primitivos habitantes da região da poaia ou ipeca,
uma planta medicinal importante no tratamento de doenças das vias
respiratórias. Essa área abrangia desde a Aldeia do Chopotó, hoje Visconde do
Rio Branco, o alto da Serra de São Geraldo e arredores. Os exploradores,
bandeirantes ou colonizadores, segundo capítulo, buscavam ouro, pedras
preciosas, mas se contentaram com o comércio da poaia. Trocavam a ipeca colhida
pelos índios Coroados, Coropós, Puris e Caetés por cachaça ou missangas. O
primeiro desbravador da região foi o Capitão Francisco Pires Farinho que chegou
à Aldeia do Chopotó em 1752. Novas levas de colonizadores invadiram a região em
busca da poaia, trazendo doenças, crimes, maltrato aos índios e exploração. Os
Caetés se rebelaram. Os que sobreviveram à escaramuça foram presos em uma
paliçada posteriormente transformada em presídio para malfeitores, exilados
políticos, e índios. O local ficou
conhecido como Arraial do Presídio por muitas décadas até ser declarado cidade
com o nome de Visconde do Rio Branco. Outro
colonizador importante foi Guido Thomas de Malière, um francês que chegou ao
Brasil com a corte de D. João VI, em 1808, e algum tempo depois se encontrava
com a esposa no Arraial do Presídio. Foi
nomeado Diretor Geral dos Índios de Minas Gerais em 1824 com a função de
apaziguar os bravios Botocudos, do vale do Rio Doce. Faleceu em sua fazenda na Serra do Onça. Várias histórias são narradas, completando as
informações, o que torna o livro uma importante fonte de conhecimento, de
leitura muito agradável.

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