domingo, 11 de dezembro de 2022

Diário da Navegação: Teotônio José Juzarte – Jonas Soares de Souza e Miyoko Makino (orgs.)

 Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor. 

  


863 (17-10-2022) – Diário da Navegação: Teotônio José Juzarte – Jonas Soares de Souza e Miyoko Makino (orgs.)

            Este é o diário escrito por Teotônio José Juzarte, comandante da monção, que partiu de Araritaguaba (Porto Feliz, SP) em 13-04-1769 com destino à Praça d’Armas de Nossa Senhora dos Prazeres do Iguatemi (Iguatemi, MS), onde chegou em 12-06-1769 (dois meses de viagem fluvial). Juzarte permaneceu no Forte do Iguatemi explorando os rios e a região até maio de 1771 quando adoentado pela malária retornou a Araritaguaba. A viagem durou, portanto, mais de dois anos.

            Tendo partido em abril, princípio do período de seca, a expedição enfrentou os riscos de inúmeras corredeiras, os trabalhos de atravessar por terra algumas cachoeiras, e os percalços de tempestades nos rios Tietê, Paraná e Iguatemi.

            A expedição era composta de 36 canoas escarvadas em um único tronco, algumas tinham comprimento de até 16 m e largura de 1,5 m. A monção levava mais de oitocentas pessoas entre homens, mulheres, rapazes, crianças, soldados e mareantes, e animais domésticos para consolidar a povoação do Iguatemi e impedir o avanço dos espanhóis além desse ponto da fronteira oeste brasileira.

            O forte desenhado na forma de heptágono não defendia nem os povoadores, pois inacabado como estava, apenas a capela e algumas paredes se mantinham em pé. A pólvora era guardada na igrejinha.  As pessoas passavam de um lado para o outro da praça sem proteção ou vigilância. Os colonos eram frequentemente atacados por índios, limitando ou impedindo a produção de comida. A alimentação era racionada e a fome estava sempre presente, facilitando a morte por doenças diversas.  A caça e a pesca amenizavam a escassez de carne, mas eram perigosas pela presença dos indígenas.

            A Praça do Iguatemi, instalada em 1767, resistiu até 27-10-1777 quando D. Agostin de Penedo e uma considerável força do Paraguai atacaram a guarnição derrotando-a e oferecendo a seu comandante o vigário Antônio, honrosa capitulação.

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