Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
863 (17-10-2022)
– Diário da Navegação: Teotônio José Juzarte – Jonas Soares de Souza e Miyoko
Makino (orgs.)
Este é o diário escrito por Teotônio
José Juzarte, comandante da monção, que partiu de Araritaguaba (Porto Feliz,
SP) em 13-04-1769 com destino à Praça d’Armas de Nossa Senhora dos Prazeres do
Iguatemi (Iguatemi, MS), onde chegou em 12-06-1769 (dois meses de viagem
fluvial). Juzarte permaneceu no Forte do Iguatemi explorando os rios e a região
até maio de 1771 quando adoentado pela malária retornou a Araritaguaba. A
viagem durou, portanto, mais de dois anos.
Tendo partido em abril, princípio do
período de seca, a expedição enfrentou os riscos de inúmeras corredeiras, os
trabalhos de atravessar por terra algumas cachoeiras, e os percalços de
tempestades nos rios Tietê, Paraná e Iguatemi.
A expedição era composta de 36
canoas escarvadas em um único tronco, algumas tinham comprimento de até 16 m e
largura de 1,5 m. A monção levava mais de oitocentas pessoas entre homens,
mulheres, rapazes, crianças, soldados e mareantes, e animais domésticos para
consolidar a povoação do Iguatemi e impedir o avanço dos espanhóis além desse
ponto da fronteira oeste brasileira.
O forte desenhado na forma de
heptágono não defendia nem os povoadores, pois inacabado como estava, apenas a
capela e algumas paredes se mantinham em pé. A pólvora era guardada na
igrejinha. As pessoas passavam de um
lado para o outro da praça sem proteção ou vigilância. Os colonos eram
frequentemente atacados por índios, limitando ou impedindo a produção de
comida. A alimentação era racionada e a fome estava sempre presente,
facilitando a morte por doenças diversas.
A caça e a pesca amenizavam a escassez de carne, mas eram perigosas pela
presença dos indígenas.
A Praça do Iguatemi, instalada em
1767, resistiu até 27-10-1777 quando D. Agostin de Penedo e uma considerável
força do Paraguai atacaram a guarnição derrotando-a e oferecendo a seu
comandante o vigário Antônio, honrosa capitulação.

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