Na primeira linha das anotações, aparecem, nessa ordem, o número do livro lido, a data em que terminei a leitura, o título do livro e o nome do autor.
853 (17-05-2022) – Leny e o Informante – Erly Teixeira
Leny é soterrada num poço de garimpo,
contudo as mãos fortes de Moisés a libertam. O dono do garimpo, Tonzé, seu
amante, que a trouxera de São Paulo, há um ano, com promessas de amor, ouro e
joias, descarta-a e ela aceita abrigo no aconchego de Moisés. O casal é expulso
da lavra. Moisés sonha bamburrar e vai garimpar no Rio do Rato, afluente do Rio
Tapajós, no Pará. Leny, aos 23 anos, linda e desejada, em 1986, não encontra emprego em Gurpião, norte
de Goiás, e se vende como garota de programa aos donos de garimpo, na Brasília,
uma furna de pedreira, a zona da cidade.
Tonzé, em 1969, frequenta o curso de
cabo no Tiro de Guerra e o ensino médio e é cooptado pelo PCdoB para combater
na guerrilha do Araguaia. Antecipadamente, o tenente Ramos, comandante do TG, oferece-lhe
o posto de cabo, convence-o a agir como informante do Exército e o auxilia a se
inscrever no partido comunista e a participar de treinamento em São Paulo.
O Destacamento C, da guerrilha, é
muito atuante na região de Mutum, no sudeste do Pará. Tonzé, o espião,
recém-chegado à guerrilha, em 1970, participa do Grupo de Apoio aos Posseiros,
de arma na mão, contra grileiros, é enfermeiro quando solicitado, distribui
remédios nos povoados, é professor nas escolas, é regatão, mascate, nos fins de
semana nos lugarejos às margens dos rios Araguaia e Xambioá e de alguns
igarapés. O treinamento na selva é intenso, caminhando na mata, cultivando
roças, construindo depósitos de alimentos e praticando tiro e ataques ao
inimigo. Todas as atividades e os codinomes dos visitantes e companheiros guerrilheiros
são delatados por ele ao senhor Lucas, agente do Exército, na mercearia
Almenara.
Os dois primeiros anos são de férias
no paraíso. Tonzé conhece o amor na selva e nas praias do Rio Araguaia, visita
as bases guerrilheiras reformando as instalações, banhando-se nas cachoeiras do
caminho e nas praias do Rio Xambioá. Torna-se um mateiro e guerrilheiro
experiente e reconhecido.
Os militares executam várias
operações frustradas para exterminar a guerrilha. Batalhas esparsas ocorrem nesse
período com poucas baixas de ambos os lados. As Forças Armadas desconhecem os
guerrilheiros, seu armamento, suas táticas de guerra, os acampamentos e seus
colaboradores. Sua maior fragilidade é não conhecer a selva. Mas aos poucos
ganham experiência e disposição para fustigarem os guerrilheiros no seu ambiente.
A Operação Sucuri colhe informações
sobre os guerrilheiros, seus acampamentos, armazéns de alimentos e de munição,
e sobre sua rede de colaboradores. Quando os militantes comunistas a descobrem,
matam alguns agentes militares infiltrados, tentam assassinar Tonzé, descoberto
como informante, mas é tarde. Em outubro de 1973, inicia-se a Operação
Marajoara, ou a caçada aos combatentes do PCdoB. Os militares penetram na
floresta e atacam os guerrilheiros nos acampamentos e nas trilhas guiados por
Tonzé, que escapa dos insurgentes e se reincorpora ao Exército, e outros
mateiros. Os colaboradores ou amigos da
guerrilha são trancafiados na base militar de Xambioá. Os militantes comunistas
não podem caçar porque o barulho dos tiros atrai os militares, não podem fazer
fogo para preparar as refeições porque a fumaça os denuncia, os depósitos de
alimentos são destruídos pelos soldados, e não há posseiros amigos. Aonde
chegam em busca de comida são recebidos com rajadas de metralhadora; nas
trilhas, antes conhecidas apenas por eles, são alcançados e mortos pelas
patrulhas, algumas comandadas por Tonzé promovido a sargento; até nas fontes de
água são caçados como animais. Falta-lhes tudo: alimento, roupa, remédio, armas
e liderança. Nenhum guerrilheiro resta vivo no Araguaia em 1975, cinquenta e
oito são mortos na selva; três, em aparelhos destruídos ou sob tortura; dezessete
fogem da guerrilha ou são presos, mas sobrevivem; dezenas de colaboradores ou amigos,
nos povoados, são presos e torturados, e cinco, mortos. Morrem dez militares e
nove são feridos.
Acabada a guerrilha, Tonzé se
adianta ao Major Curió e vai para o garimpo de Serra Pelada. Retorna a Gurpião
quando acaba o ouro no seu terreno para encontrar sua família destruída, não é
recebido pelo pai. Compra fazenda e lavra e vai a São Paulo em busca de
equipamento para o garimpo. Encontra Leny e a atrai com promessas vãs, mas em
pouco tempo a abandona.
Moisés lavra ouro em terra indígena
invadida, em Itaituba-PA, no garimpo de Dasquanta; trava batalhas contra os
índios mundurukus e escapa da destruição da mina pelos helicópteros da Base Aérea do Cachimbo. Retorna a Gurpião, agora no estado de
Tocantins, atendendo ao chamado do amor por Leny.
Leny e o Informante é um romance histórico na
segunda parte, em que os personagens se intrometem ficticiamente na história da
Guerrilha do Araguaia, ilustrando-a ou ocupando lacunas. As outras seções são
inteiramente fictícias, mesmo envolvendo fatos ou figuras conhecidos,
contemporâneos à obra.

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